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Nos tempos que correm a desinformação é a palavra de ordem, mais concretamente no que toca aos aspectos políticos, económicos e sociais que regem a nossa vida em sociedade. Os políticos manipulam a realidade como mais lhes apraz fazendo das intervenções/reacções às actividades dos grupos parlamentares opositores (independentemente do lado da barricada que ocupam) verdadeiras sessões de demagogia deprimente e embaraçosa para o intelecto do comum dos mortais.
Contudo ainda existe esperança! A tecnologia e as leis da “transparência democrática” permitem-nos hoje aceder por exemplo aos meandros da actividade parlamentar ou às listagens das adjudicações efectuadas por entidades públicas. Em vários locais encontrámos a informação que nos pode retirar do nevoeiro. De falta de informação não nos podemos queixar! Podemos sim é questionar o porquê desta informação estar apresentada de modo tão pouco information friendly ou machine processable.
Para efectuar a análise de um tópico, ou retirar alguma conclusão é necessário vasculhar bem, com paciência e método. Os dados apresentam-se muitas das vezes em formatos proprietários, como o PDF, DOC ou XLS, e com uma organização muito própria que dificulta imenso o tratamento informático e estatístico dos mesmos. Para um acesso verdadeiramente democrático a informação deveria começar por estar disponível em formatos livres, associando-se a isso uma estrutura que permita a fácil manipulação e eventual visualização segundo critérios definidos pelo utilizador.
Algumas experiências já decorrem por esse mundo fora. Um exemplo paradigmático é o espanhol gastopublico.es que permite o acompanhamento dos investimentos realizados com os fundos públicos. Através de técnicas de information extraction e data scraping sobre os dados disponíveis nos web-sites dos vários órgãos do estado a informação é organizada para posteriormente ser apresentada de um modo relevante para o utilizador. Neste caso qualquer habitante de Espanha pode manter uma vigilância informada e lúcida numa perspectiva local e logo mais interventiva. Uma interessante entrevista com um dos criadores deste projecto pode ser escutada n’O Porto em Conversa de Vítor Silva.
Outros casos de sucesso nesta nova filosofia OpenData são Data.gov e o Data.gov.uk. Os cidadãos estão cada vez mais exigentes, uma atitude que força o poder central a libertar a informação de um modo transparente.
Esta entrada não é mais que um teaser para outros que se seguirão mais sobre o tema e questões satélite. Nos próximos meses estaremos empenhados em aprofundar as abordagem e ferramentas, bem como os resultados esperados com a aplicação da tecnologia da informação ao incremento de uma postura cívica mais interventiva.