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Social Enterpreneurship – Good Craft por Carina Lopes

A Carina é investigadora cultural com experiência em gestão de projectos culturais, análise de boas práticas em relação ao desenvolvimento cultural e investigação sobre a utilização das novas tecnologias multimédia em contextos urbanos. No doutoramento em curso analisa o impacto das tecnologias móveis e de localização na forma como os grandes centros urbanos são organizados e vividos pelos seus utilizadores em áreas cruciais como a saúde e os transportes.
É co-fundadora da ‘Good Craft Collective’ – uma empresa de empreendedorismo social e uma colaboradora em projectos educativos de impacto local.

O apoio à ONG Observatorio Venezoelano de violencia em Caracas serviu de exemplificação ao modo de actuação da Good Craft que trabalha simultaneamente as áreas da responsabilidade, transparência, acesso e sustentabilidade social com recurso às tecnologias open source. Na cidade, o índice de assassinatos é dos mais elevados, senão o mais elevado do mundo. Todavia, o governo Chávez cruza os braços e deixa que a violência alastre. É contra este estado de coisas que a Good Craft age, ajudando os organismos locais a reunir e compilar informação e a formar pessoas para uma mudança e pressão para a mudança e defesa das populações.
Tanto as ONG como a própria Good Craft utilizam ferramentas abertas como Openatrium, Managing News, ambos de base Drupal.

Ainda houve tempo para mencionar os quatro estados de desenvolvimento do empreendedorismo social e a nota bibliográfica – Your chance to change the world, de Craig Dearden-Philips.
1. Sonhar – pensar, falar, anota, pesquisar
2. Agir – planear, fazer coisas
3. Procurar sustentabilidade – tornar sólido, procurar conhecimentos certos, adaptar objectivos iniciais
4. Expandir – ter tempo para pensar grande, crescer

Registo áudio:



Mais uma fonte para a web

O Ubuntu e o seu fundador, Mark Shuttleworth, quiseram contribuir para o universo de fontes web com o lançamento da Ubuntu Font Family.
As características estavam bem definidas: tinha de ser uma fonte elegante e legível. De momento, esta fonte tem apenas a versão para Latim, Cirílico, Grego, mas está previsto alargar para o Hebreu e Árabe, porque o desejo é que possa ser utilizada em todas as línguas e com todos os caracteres.
A ideia de criar uma fonte para uso interno da Canonical e a sua disponibilização com licença 100% open source vem na linha da empresa, que procura melhorar o nível de usabilidade. As fontes de qualidade ajudam à acessibilidade e produtividade, segundo o criador e colaborador da Ubuntu em todo o processo, Bruno Maag, da Dalton Maag.
A importância que a Canonical dá ao design está bem patente no seu blogue. O impacto desta fonte já de faz sentir, pois o Museu de Design de Londres deseja fazer uma exposição sobre a fonte Ubuntu e todo o trabalho por detrás.
A plataforma escolhida para disponibilizar a fonte foi o Google Font Directory, que desde o último post em que falei de fontes, já recebeu mais fontes de boa qualidade. Actualmente dispõe de 58 fontes!


DebianDay PT 2010

DebianDay PT 2010

Ontem decorreu o 3º DebianDay em Portugal, dedicado à distribuição GNU/Linux Debian. Infelizmente não seguíamos a comunidade Linux em Portugal de uma forma regular para saber das 2 edições anteriores, mas mais vale tarde que nunca.
A Universidade de Aveiro cedeu uma das suas salas, com excelentes condições para este tipo de eventos. O dia esteve impecável, o almoço no Autocarro Bar muito bom e a organização merece um louvor. DebianDay Pt 2010 - AudienceA audiência, apesar de reduzida em número (seríamos entre 30 a 40) demonstrou bastante interesse nos temas tendo-se gerado um excelente ambiente. Eventos destes fazem falta, não só pelo aspecto técnico, mas principalmente pelo networking e dinamização de um sentido de comunidade cívica cada vez mais difícil de encontrar.DebianDay PT 2010 - lunch at the Autocarro Bar

O orador principal foi Martin Michlmayr que exerceu o cargo de DPL (Debian Project Leader) e actualmente estuda o controlo de qualidade de software livre e nos ports para MIPS e ARM. Está também envolvido no desenvolvimento do instalador Debian, especialmente para dispositivos de armazenamento de rede (NAS).DebianDay PT 2010 - Martin Michlmayr
O programa contou com as seguintes apresentações:

  • Contributing to Debian, por Martin Michlmayr
  • Projecto unimos.net (rede wi-fi comunitária), por José Monteiro
  • Utilização de Debian num cluster de computação científica, por Gil Brandão
  • Hardening Debian – Grsecurity vs Selinux, por Rui Moreira
  • Computação Científica Distribuída com Recurso a GPUs, por Luís Picciochi Oliveira
  • Project Management in Free Software Projects, por Martin Michlmayr

Gravei algumas das apresentações em áudio e colocá-las-ei em entradas posteriores.


Global Development Commons

Este título é uma apropriação do nome de uma organização que noticia e promove a tecnologia em benefício do desenvolvimento dos países e dos povos. O website está povoado de bons exemplos e, na minha opinião, é um projecto que devia merecer uma visita, pois são muitos os casos de empenho e aplicação inteligente do progresso tecnológico.

O termo “Commons” remete de imediato para a cultura aberta, de partilha e de colaboração. E nessa linha, gostava de referir dois softwares que deram contributos importantes regionais. Por um lado o OpenMRS, no Haiti, por outro o OpenAtrium nas eleições do Afeganistão, no passado mês de Agosto.

Não deve ser evidente para muita gente a importância do software numa catástrofe como a ocorrida no Haiti. Arrisco até a dizer que a maioria não terá a percepção do quão fundamental é a disponibilização rápida de informação para intervir. Pois, a verdade é que sem a ajuda da tecnologia, o serviço de auxílio fica mais moroso, desorganizado e ineficiente. Centrando-nos na questão médica, a que o OpenRMS vem em socorro, é preciso, em qualquer situação de catástrofe, registar o máximo de dados para lidar correctamente com a situação e melhorar acções futuras, tanto para o palco dos acontecimentos, como para cenários futuros.

O OpenMRS é um software de código aberto que recentemente recebeu muitos elogios  pela rapidez de entrada em produção e pela facilidade de uso e extraordinárias mais-valias. Sendo um software criado para cenários de grande precariedade, muitas vezes sem quase infra-estrutura, tem feito carreira nos registos médicos das campanhas de controlo da tuberculose multi-resistente e do HIV. Para além dessa vantagem, não há lugar ao pagamento de licenças e o sistema tem uma arquitectura simples, porque evita texto livre (informação não estruturada), e aposta em inputs por campos com assento na BD. Isto é extremamente importante na localização, indexação e representação e reutilização dos dados, podendo-se extrair a informação que se quiser. Mais, trata-se de um registo centralizado e estruturado de diagnósticos, procedimentos, tratamentos, drogas, exames, aplicados a um paciente, grupo ou mesmo população.

Mais uma achega: um dos softwares comerciais concorrente e mais conhecido, o EMR Electronic Medical Record, é caro, complexo, requer infra-estrutura que muitos localidades, e até países, não têm, e acaba por ter a informação mais redundante e não tão estruturada.

Uma demo disponível na página do projecto OpenMRS permite confirmar a simplicidade no funcionamento, a possibilidade de acrescentar campos sem programar, e a fácil gestão, aliás nada condizente com aquela carga pesada que associamos a tudo o que é software do sector da saúde.

Nascido no Quénia e Indiana (EUA), que constataram estar a desenvolver um produto semelhante, juntaram-se as equipas de desenvolvimento e criaram este software, que tem sido testado no terreno com mais expressão, quer no Perú quer no Haiti.

Admitem os responsáveis que com a recente experiência no Haiti, o software fica pronto para se propagar pelo mundo que dele necessitar.

Outro caso bem sucedido e com provas dadas é o OpenAtrium, um CMS para Intranet de raiz Drupal.

Uma das empresas especialistas em Drupal, Development Seed, foi convidada a construir o website e a Intranet da equipa de eleições de 20 de Agosto de 2009 no Afeganistão. O desafio era considerável: 1000 utilizadores, distância e infra-estrutura precária, território imenso a mapear quase do zero, complexidade dos dados a recolher (demografia, topografia, etnografia, segurança da informação).

Com tecnologia Drupal, OpenAtrium e muita perícia em tratamento e representação de informação geográfica, os membros da equipa das eleições ficaram ligados por uma Intranet funcional e o website de acompanhamento e resultados da eleições é um exercício de “arte”. Vejam no website das eleições a complexidade dos mapas, a quantidade de informação que carregam, o cuidado em disponibilizar uma frame lateral para contextualizar o conteúdo dos mapas (ver os relatórios).

Só um comentário mais: ainda bem que existe open source e espero sinceramente que caiam em breve por terra as reservas em relação à qualidade e provas das comunidades de desenvolvimento de código aberto. Devemos sempre aplaudir com entusiasmo os bons que partilham o seu melhor com todos.


Um volteface ou um golpe de mestre?

No dia 16 de Junho a Microsoft foi aceite como patrocinadora do The Open Source Census (OSC). A notícia foi recebida com muitas reservas e desconfianças por parte da comunidade de software livre e já há quem ponha em causa a credibilidade do projecto OSC, que arrancou em Janeiro de 2008 e tem por objectivo medir o uso do Open Source nas empresas.

The Open Source Census

Mais sobre The Open Source Software Census

O grande objectivo é conhecer os níveis de adopção do software livre nas empresas e contribuir para o aumento do seu uso nesses meios. Para consegui-lo, não são feitas recolhas de dados em formato tradicional, mas através de um software que foi especialmente criado para esse efeito e que o faz automaticamente – OSS Discover.

Cada colaborador do projecto recebe o software que realiza um “scan” às máquinas de uma dada empresa. São apenas recolhidas informações dos pacotes de software utilizado, seja em ambiente Windows, Linux ou outro. Esses dados são depois colocados na Base de Dados geral, sem que seja possível associar a un IP, empresa ou nome específico. Os colaboradores têm acesso privilegiado aos dados e podem realizar benchmarking.

Argumentos a favor… argumentos contra e linhas de actuação

Os argumentos podem ser palavras de força, se apoiadas em condutas coerentes, ou palavras ocas, se não têm, nem no passado recente nem longínquo, práticas condizentes.

Vejamos os argumentos a favor. O projecto OSC é global e colaborativo, aberto a qualquer participante, pelo que a entrada da Microsoft não deveria motivar qualquer oposição da comunidade de Open Source.

Outros argumentos a favor da Microsoft: tem toda a legitimidade de apoiar e participar nos projectos que bem entender e tem o direito a rever a sua estratégia quanto ao software livre. Linus Torvalds sempre disse que a Microsoft poderia ter a sua própria distribuição Linux.

A nota oficial sobre esta iniciativa é a de que o OSC ganha com a heterogeneidade dos participantes e a de que a Microsoft está genuinamente interessada no projecto, porque existem muitos pacotes de software livre que correm em Windows.

Que atitudes recentes da empresa sustentam este súbito interesse pelo Open Source? Talvez um outro facto mediático: recentemente, a Microsoft apoiou o SourceForge.com 2008 Community Choice Awards…

As vozes do contra é que não se calam e as práticas parecem dar-lhes razão.

A “teoria da conspiração” é certamente argumento de filme, mas é legítimo questionar as boas intenções da Micosoft ao aliar-se a este projecto. Se a ideia é cair nas boas graças da comunidade Open Source, o melhor a fazer seria escrever código aberto. Se a intenção é entrar no “negócio” do software livre, então o melhor seria criar software com código aberto. Os mais cépticos vêem neste patrocínio uma forma da empresa ter acesso a dados e conseguir uma base para atacar legalmente empresas e produtos de software aberto mais populares.

Os factos e as práticas recentes apontam para isso: a Microsoft acusa o Open Source de violar 200 das suas patentes.

Juízo de cada um

Quando se lê uma notícia como esta, é difícil esquecer que a Microsoft é uma empresa de código proprietário, que sempre atacou como pôde os seus competidores directos, que abusou e abusa da posição dominante no mercado (multa da União Europeia) e que, recentemente, sujeita a própria indústria do hardware às suas regras e interesses.

O consumidor Windows beneficiaria se houvesse mais bom senso na abordagem da dupla proprietário Vs. livre e a comunidade de open source teria a beneficiar com um participante de peso como a Microsoft.

A solução proprietária e a solução livre não têm que estar em conflito, têm que saber adequar-se e deixar a escolha ao consumidor.


Open Source e crescimento sustentado

Uma figura marcante na paisagem actual da Internet e evolução tecnológica é Tim O’Reilly.

Fundador da O’Reilly Media, apoiante do software livre e do movimento Open Source, este irlandês é apontado como o criador do termo Web 2.0.

Tim é um observador atento da evolução da indústria do software e de empresas que cresceram à sombra do software livre.

Para este empresário, o movimento de Open Source é uma oportunidade de ouro para as empresas. O sinal mais elucidativo dessa vitalidade é o uso massivo na Internet de Linux ou baseados em Open Source. Ao nível dos sistemas operativos, o Windows predomina, mas o HTML, o XML, os servidores Apache, as bases de dados MySQL, as linguagens Php, Perl, Python, os navegadores, os serviços 2.0, são fruto de uma tecnologia aberta e baseada em normas. Ou seja, os desenvolvimentos recentes da Internet têm na sua maioria a marca do Open Source. Além disso, a plataforma do futuro não terá por base os PC, mas a Internet, veja-se a oferta de serviços de edição de texto ou imagem, a folha de cálculo, etc. sem que seja necessário instalar qualquer programa no PC.

Porém, para que uma empresa construa um futuro a longo prazo e verdadeiramente sustentável, é forçoso que três condições se cumpram:

Uso de normas e procura de interoperabilidade. O isolamento de um produto ou serviço não sobrevive, porque o mercado exige que haja integração e comunicação de uns com os outros.

A ideia dos críticos que acusam o Open Source de destruir as empresas e de não respeitar a propriedade intelectual é falsa. E Tim expõe as razões: o software não é um fim em si mesmo e constitui apenas uma parte do processo.

Na verdade, segundo este autor, o Open Source dinamiza o mercado, serve o interesse dos consumidores e cria novas oportunidades de negócio, porque ramifica o mercado, reparte essas mesmas oportunidades por empresas mais pequenas e inovadoras.

Ao contrário, a lógica das normas proprietárias, das patentes e do proteccionismo, cria desequilíbrios, desregula o mercado e origina os monopólios.

Arquitectura de participação. Tim relembra que nos primórdios da informática e da Internet, no meio universitário, a filosofia predominante era a da partilha. Além disso, a base da Internet são protocolos abertos, universais. O movimento Open Source não fez mais que ir beber a essas origens de partilha e comunicação. Uma empresa viável é aquela que compreende e valoriza a participação e a dinâmica criada através dela.

Adaptação do software ao utilizador final. Cada vez mais, os produtos e serviços oferecidos não são um resultado, mas um processo, em que cada actor acrescenta valor, incluso os utilizadores.

Por várias vezes, em conferências e livros, Tim O’Reilly menciona os casos bem sucedidos de Google, Amazon, eBay ou Yahoo. Apesar de empresas comerciais, usam base e filosofia de Open Source. A seu segredo foi dar espaço à contribuição do utilizador para criar os efeitos benéficos da rede e apostar na integração, compatibilidade e interoperabilidade entre sistemas e aplicações.

Este autor é da opinião de que Google poderia perfeitamente revelar o famoso algoritmo do PageRank e que Amazon poderia disponibilizar o One Clic, mas que resquícios da lógica comercial os impedem de o fazer.