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Apesar de já ter abordado o tema do OpenID, retomo-o, porque houve desenvolvimentos e trata-se de um protocolo de autenticação para ficar.
As novidades estão relacionadas com a recém-criada associação OpenID Portugal e com a manifestação de um maior interesse e receptividade de instituições (ministérios, universidade, instituições bancárias, associações comerciais, etc.) que poderão vir a assumir o papel de fornecedores de serviços OpenID.
Mas uma outra novidade inegável é a actual abundância de informação sobre o tema, volvidos que são seis meses desde que tratei este assunto no blog. Diagramas, vídeos, white papers, e muito mais. Não resisto a colocar aqui uma representação divertida do drama vivido por muitos internautas. A analogia com a Hidra das muitas cabeças reflecte claramente o incómodo de ter de preencher formulários de registo (sign on) por cada website que interessa e ainda ter de reter uma série de logins e passwords. Porque começa-se pelo endereço de correio electrónico, mas depois segue-se o Flickr, o Youtube, o Facebook,e muitos outros. É perfeitamente comum um utilizador regular da Internet possuir muitos registos.

Autores: Omer Bar-or e Benjamin Thomas em URL<http://openidexplained.com>
Já se está a ver que, por contraste, o rapazito da direita usa OpenID. É reconhecido pelos vários websites/ serviços, usando o mesmo login/ password. Trata-se de um único registo válido para uma multiplicidade de websites, por isso esta tecnologia é conhecida por Single sign on (SSO). Mas é óbvio que o website que nos interessa tem de dispor do serviço OpenID, ou seja, de um formulário para esse efeito. Isso será cada vez mais frequente no futuro. Na imagem, vê-se um formulário com a opção OpenID. No primeiro caso, a pessoa não usou esse serviço, porque não possui OpenID ou não sabe o que é. No segundo caso, colocou o seu login e seleccionou esse serviço para um maior conforto e segurança.
O funcionamento do OpenID para identificação e autenticação da pessoa implica sempre três actores: a pessoa que quer utilizar os serviços de um website; a entidade responsável pelo website; a entidade que fornece o serviço de identificação digital, uma espécie de terceira parte ou mediador. Este terceiro elemento é fulcral, porque:
Na figura que se segue, simulo uma ligação ao website da Wiki da Creative Commons em que quero participar. Como tenho OpenID (claudia.myopenid.com), selecciono essa forma de acesso. Vejamos o que se passa para que eu seja autorizada a entrar sem necessidade de login e password atribuídos pela Wiki do Creative Commons.
Referi a criação da OpenID Portugal. Trata-se de uma organização sem fins lucrativos com um projecto ambicioso na manga, pode dizer-se. Para além da divulgação deste mecanismo de autenticação, planeia criar um plugin para o Firefox e desenvolver extensões do OpenID para mecanismos de segurança reforçados. Pormenores dos projecto estão acessíveis na entrevista que concederam ao SAPO Summerbits.
O plugin para o Firefox visa facilitar ainda mais a vida às pessoas. A autenticação é feita no início da sessão, não sendo necessário pedir para entrar nos vários websites que dispõem de OpenID visitados nessa mesma sessão. As extensões do OpenID é algo mais difícil de explicar. Mas começo por dizer que tenho usado indistintamente “identificação” e “autenticação”, quando, na realidade, não são sinónimos. E mesmo dentro da identificação, existem vários graus, consoante a segurança associada.
Como em outros casos, o protocolo do OpenID tem conhecido inúmeras especificações com níveis de segurança diferentes. Também existem websites que requerem elevada segurança, enquanto noutros uma simples identificação é suficiente. Foi a pensar em melhorar a confiança na navegação que a associação avançou com os projectos da criação da extensão OpenID para o cartão do cidadão (smart card) e com o reforço da identificação OpenID, complementada com dados biométricos, a usar em situações que o justifiquem.
E a verdade é que faz cada vez mais sentido o utilizador criar uma identidade digital que lhe permita relacionar-se com o Estado, fazer compras, assinar digitalmente contratos. Mas também é legítimo que tenha um avatar ou a um nickname, se for essa a sua vontade. Esta multiplicidade de identidades, ou melhor, facetas de identidade, é suportada pelo openID. No quotidiano digital, funcionará uma identificação simples nuns casos; noutros será exigível que a leitura do chip do cartão de cidadão seja feita e enviada ou que as impressões digitais, características da íris, etc. sejam elementos adicionais de identificação e autenticação, como já o é a assinatura digital qualificada.
Em Portugal, está em experiência o SAPO, mas ao nível internacional existem muitos, além dos grandes nomes – Yahoo, Microsoft, AOL, VeriSign, Google, Sun Microsystems, Blogger e AOL, apoiarem e compatibilizarem serviços e software para este fim.
Alguns destes pesos pesados, têm evoluído nesta matéria. Por exemplo, o Google começou por disponibilizar acesso OpenID mediado por terceiros (myOpenid), mas passou a fornecedor do serviço este mês.
No site oficial do OpenID Foundation existe uma lista de fornecedores, mas a OpenID Portugal deixa a advertência de que é essencial escolher um fornecedor em quem se confie e com as garantias adequadas ao uso que pensamos fazer do OpenID.
Apesar da falta de neutralidade (o autor trabalha para a Viddop, um fornecedor de OpenID), penso que ajudará consultar a tabela comparativa dos vários fornecedores. Os parâmetros que serviram de análise podem funcionar para nós como pontos a que devemos estar particularmente atentos, quando escolhemos o serviço.
Recentemente, têm aparecido referências ao protocolo OAuth, um protocolo de identificação aberto como o OpenID, muito associado ao open social. Contudo, o OpenID tem a vantagem de já estar no terreno há mais tempo e de ter reunido em seu torno os grandes players da Internet.
Quantos de nós não se questionou acerca da quantidade de logins e passwords que coleccionamos à medida que realizamos mais uma inscripção ou um serviço? E quantos já não passaram pelo terror de encontrar um login que ainda não tenha sido atribuído? Ficámos, nessas alturas, com a sensação que o mundo inteiro já se registou e aceitámos de boa vontade a sugestão “clotilde63@yahoo.com” ou “estoufarta@hotmail.com”. Sem muito esforço, acumulamos uma série de códigos, além de termos de os mudar periodicamente por segurança. O OPEN ID vem em nosso auxílio e, ainda que pareça um clone ou uma variação de DOI, não se aplica à identificação de objectos ou unidades de informação, mas às pessoas que usam a rede e os múltiplos serviços por ela proporcionados. Trata-se de um serviço de identificação para a Internet, uma espécie de BI digital. É em formato aberto, descentralizado, livre e a pessoa é a detentora única desse código e da informação pessoal relacionada. OPEN ID Fundation é a entidade que arbitra. Existem já muitos serviços que proporcionam esta identificação do utilizador: BBC, AOL, Google, Yahoo… Flickr, Blogger, Technorati, WordPress. O universo dos blogs continua a ser muito dinâmico e precoce no uso e integração de novas tecnologias e soluções.

Brad Fitzpatrick (criador do OpenID) disse: “Nobody should own this. Nobody’s planning on making any money from this”.
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