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Liderança tecnológica: dados do CES

Quis neste artigo aprofundar o tema das áreas e a cobertura geográfica das mesmas, reflectindo acerca das implicações futuras.

Neste pequeno levantamento, socorri-me dos dados do CES 2009, que disponibiliza no seu site oficial números relativos aos stands presentes, que ultrapassaram as 2000 empresas. Pesquisando por área, foi-me possível extrair os totais por área e obter a distribuição por país. Realizadas as médias e achada a percentagem, ficam alguns números que podem espelhar uma realidade emergente e algumas preocupações.

Mas impõem-se em primeira mão, uma breve explicação acerca do conteúdo de cada área tecnológica.

Áreas tecnológicas

ces_areasAs 9 áreas em destaque revelam claramente a orientação do mercado. Há sectores específicos tão dinâmicos que têm uma área só para si, caso dos Jogos, enquanto outros se arrumam numa categoria tão ampla que parece tudo incluir. Verifica-se actualmente que o áudio está na berra, estando presente em 2 categorias. Isto está directamente relacionado com os novos desenvolvimentos, sobretudo na tecnologia de reconhecimento e conversão de texto em áudio.

Uma breve passagem por cada categoria deixar-nos-á mais esclarecidos acerca do conteúdo e grandes linhas deste encontro anual de tecnologia.

  1. Audio compreende todos os sistemas áudio, acessórios e tecnologia portátil e de fala
  2. Digital imaging estende-se a tudo o que é tratamento, edição de imagem digitalmente. Obviamente inclui a fotografia digital e o vídeo, quer nas componentes de captura quer de edição.
  3. Emerging technology é uma área de ponta bastante heterogénea que inclui a robótica, a biotecnologia, as redes sociais, os e-books, a registar muitas mexidas como tem sido prática.
  4. Gaming merece neste evento uma categoria própria, tal é a expressividade que assume e os números de negócios que movimenta. É também um sector de introdução de novidades e tecnologia experimental que, uma vez testada e estabilizada, passa para o mercado doméstico e empresarial.
  5. High performance audio é uma área complementar do áudio.
  6. Home networking systems é um campo que está sempre debaixo de olho de muitas empresas e que tem mostrado capacidade de fazer continuamente novas propostas e cada vez mais aliciantes, todas elas com um denominador comum – a mobilidade. Falo dos muitos desenvolvimentos e aperfeiçoamentos de produtos ligados ao VoIP, Wi-fi, Internet. A tecnologia de apoio à gestão inteligente da casa está cada vez mais presente.
  7. Home theater/ video é um mercado promissor que também está a ganhar mais espaço. Pelo menos as empresas do sector estão apostadas em encontrar novos caminhos e em trabalhar massivamente o mercado dos lares, apostando em experiências mais imersivas e envolventes, para já com a tecnologia 3D.
  8. In-vehicule technology passa revista a tudo o que é novidade no capítulo dos dispositivos GPS e sistemas de navegação, sistemas de vídeo e jogos para carro.
  9. Wireless dá conta dos progressos no bluetooth, GPS, smartphones.

Representatividade geográfica por área

Antes de passar à análise e comentário de números, impõe-se um pequeno parênteses relativo ao protagonismo justificável dos EUA. Adianto 3 motivos que explicam parcialmente o peso das empresas americanas no evento. Para começar, jogam em casa, embora num mercado global e de fácil mobilidade seja cada vez mais difícil justificar a ausência em eventos com esta projecção. O mercado americano é vasto e sempre mostrou apetite e avidez por gadgets e inovação tecnológica. O espectro da crise poderá ter inviabilizado algumas presenças, embora entenda que a participação neste show seja opção estratégica de fundo e tenha de fazer parte de pro-actividade que se quer ainda mais determinada em épocas de recessão e dificuldade.

Se algumas empresas não americanas deixaram de apresentar os seus produtos e serviços, muito provavelmente estão a perder desvantagem e oportunidades.

Gostava ainda de chamar a atenção relativamente ao cariz das empresas presentes no CES. Uma parte considerável faz desenvolvimento e inova, mas a maioria são representantes de marcas e interlocutores directos do consumidor final. Não vamos pensar que todas as empresas totalizadas em cada uma das áreas no quadro estão a desenvolver de raiz produtos. Se considerarmos, como é natural, que o nº de empresas desse tipo são sobretudo americanas, pois o esforço para estar presente é menor, podemos concluir que as empresas distantes geograficamente são com toda a probabilidade empresas que fazem desenvolvimento, inovação e têm uma estratégia de internacionalização.

ces_areas_mundo

ces_areas_mundo_grafNo quadro, os EUA têm uns confortáveis 63% contra os 10% da China. Mas de relevar que a posição da China já pesa mais que a categoria “outros”! Desengane-se de uma vez por todas quem pensa que a China se limita a copiar e não é capaz de liderar processos de tecnologia, cada vez mais sofisticados.

A análise por grandes blocos geográficos, EUA-Canadá/ Ásia deixa entrever um duelo renhido num futuro bem próximo. Toda a Ásia presente no CES já representa 22% das empresas. Esta afirmação crescente já não surpreende. O que surpreende muito pela negativa e deixa uma sombra negra a pairar é a expressão mínima da Europa. Já não falo da UE mas do continente europeu, que inclui os países escandinavos com provas dadas no mercado tecnológico. Poder-se-á argumentar: são poucas as empresas europeias, mas são líderes do mercado e têm um peso enorme no mercado mundial. Pensemos na Nokia, por exemplo. Acontece porém, que o mercado da tecnologia é tanto mais promissor quanto mais pequenas empresas tiver. É uma lógica diferente das empresas da era industrial que se queriam grandes e robustas, porque poucas seguravam a economia.

O fervilhar de start-ups sempre a criar novos usos e novos produtos é que dinamiza um mercado como o tecnológico. A Nokia lançou, à imitação da Apple, do Google, e de outros, a sua loja Ovi, abriu a sua plataforma de desenvolvimento dando condições boas aos programadores, e nem assim granjeou muito adeptos. Há mais de um ano que preparava a abertura do código do sistema operativo para telemóveis Symbian, porque tudo indica que plataformas de desenvolvimento abertas e distribuídas dinamizam muito o mercado, como é exemplo o Android. Um gigante como a Nokia não se quer ficar pelo hardware, quer entrar em força no software, aplicativos e chegar ao consumidor final, ou seja, controlar toda a cadeia para poder vender o telemóveis que fabrica.

Isto tudo para provar que o dinamismo e empreendedorismo é que marcam a diferença.

Sinais preocupantes para a Europa

O famoso Silicon Valley, conhecido pela concentração de empresas de I&D, software e electrónica, tem réplicas na Índia, em Bangalore, na China, mas não existe um centro com esse dinamismo em território europeu. Uma lista de centros de pesquisa organizada por país pode ser consultada na Wikipédia.

A perda de liderança tecnológica traduz-se a muito curto prazo numa perda de protagonismo político. E já assistimos a manifestações dessa natureza. Obama cancelou a vinda a Madrid para a Cimeira EUA-UE por estar muito ocupado com assuntos internos. Líderes europeus desvalorizaram, mas é sintomático de mudanças.

Em notícia, por alturas da compra da Tandberg pela Cisco ( em Setembro de 2009), a UE ligou mais uma vez o alerta amarelo e mostrou-se preocupada com a falta de iniciativa e liderança das empresas europeias na área das TIC. As poucas empresas inovadoras e com potencial estão a ser compradas por gigantes asiáticos (Japão, Coreia do Sul, Taiwan) ou americanos. A Tandberg norueguesa dedicava-se à comunicação visual (videoconferência) e foi comprada pela americana Cisco.

Revelando dados do 1º semestre de 2009, a Gartner publicou os rankings na área tecnológica:

  • ranking dos servidores: Fujitsu, HP, IBM, Sun. A Siemens saltou fora porque vendeu 50% da Fujitsu Siemens aos nipónicos, seu sócio durante 10 anos.
  • ranking de sistemas operativos; Microsoft (90%)
  • ranking da Internet: Google, Amazon, Yahoo, Ebay, Twitter, Facebook
  • ranking de entretenimento: Apple graças ao iTunes, iPhone e iPod; videojogos estão nas mãos de Sony, Nintendo, Microsoft.

A liderança europeia só se verifica na área empresarial e dos telemóveis e sempre com forte concorrência:

  • Empresarial: SAP contra Oracle e Microsoft
  • Telemóveis: Nokia (36,8%) contra a pressão de Apple, RIM, Samsung, LG

Recentemente na cimeira de Davos, o ritmo do compasso foi o das economias emergentes, como a índia, China, Brasil. A Índia é já um líder tecnológico e não só faz I&D local como exporta “cérebros” para todo o mundo, sobretudo para os EUA. Além disso faz muito outsourcing.

Olhando para a paisagem europeia, há sérios motivos para apreensão, tanto mais que o espectro do desemprego, a fragilidade da economia e a ameaça de desmoronamento ante o fracasso de programas de controlo de despesa como os verificados na Grécia e, em certa medida, em Portugal, periga a posição da Europa no mundo. E convenhamos que todos ficamos mais pobres se a voz europeia perde protagonismo e capacidade de projecção.

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O Reino Unido é o único que consegue figurar na lista dos +. Economias fortes como a alemã, italiana ou francesa, teriam de ter um peso mais significativo no bolo. A Dinamarca e a Suíça surgem com um bom desempenho. O mercado da Europa setentrional, como vimos, é liderado por poucas marcas, mas fortes, Nokia e Ericsson. Apesar de não surgirem dados de Portugal, a Ydreams fez-se representar em parceria com a americana Canesta que desenvolve webcams que projectam imagens 3D.


Balanço do CES

O CES é o um local de culto da tecnologia, a Meca dos gadgets. Dita tendências, mede forças, realiza lançamentos. Tem lugar em Las Vegas e reúne os gigantes e start-ups do momento num mesmo mesmo espaço. É um caldo, tanto para consumidores como para empreendedores, que procuram empresas para aquisição ou parceria.

Realiza-se há 40 anos e caracteriza-se pela apresentação de produtos que fazem parte dos hábitos dos consumidores no(s) ano(s) seguinte(s). Em 1970, o último grito eram os leitores de vídeo, em 1993 foi a vez do minidisc, em 1998 a televisão de alta definição ou o plasma em 2001. Enfim, todos os anos, são lançados novos produtos para o mercado. E este ano não foi excepção, registando-se alguns aspectos dominantes. Nos passados dias 7 a 10 de Janeiro realizou-se mais uma edição, que dou conta neste post, com mais um cheirinho do pós-CES.

A feira tecnológica em números

Os números são sempre eloquentes, tanto mais se estivermos a falar  de um evento que lança 20 mil produtos em 5 dias e que chama ao palco centenas de países e 2500 empresas. Dei-me ao trabalho de explorar algumas categorias por país de que darei conta em próximo post. Estes dados foram consultados no website oficial do CES, estando já anunciada a próxima data da evento – 6 a 9 de Janeiro de 2011.

Conceitos

Estamos a assistir a uma cada vez maior integração e mistura de dispositivos e funcionalidades. Máquinas de jogos que navegam na Internet e permitem ouvir música, dispositivos de leitura com funcionalidades de escritório, aparelhos vocacionados para trabalho que estendem funcionalidades ao terreno do entretenimento.

Integração, polivalência, multifunções, têm sido trabalhadas pelas empresas do sector a pedido do maior conforto, simplicidade e acessibilidade para os consumidores. Ora, atender a esta expectativa tem levado algumas empresas a invadir as áreas de outras e a criar alguma tensão. Também o lançamento de múltiplos dispositivos com designações diferentes tem originado confusão, daí ter sentido necessidade de lançar alguma sistematização.

Apesar dos muitos dispositivos que inundaram e continuam a surgir no mercado, é óbvio que nem todos terão a sorte de vingar. Alguns até fazem bastante ruído inicial, mas acabam por extinguir-se. A necessidade de “selecção” decorre da sobreposição de funcionalidades. Factores como o preço, o marketing, a utilidade, os canais de distribuição e a personalização, ditam cada vez mais o destino de alguns desses gadgets. Neste entretanto, especialistas debatem, comparam, lançam prognósticos de morte súbita ou vitória para reinar.

O quadro que se segue, tenta pôr alguma luz sobre as designações existentes e sublinha o que os distingue, que às vezes não é mais do que o preço ou o mercado a que se destinam originalmente, empresarial ou privados.

dispositivos

Prato forte do CES 2010

Seguem os sectores com mais mexidas e que mais curiosidade despertaram no CES deste ano.

1. Telemóveis “smartphones”

A tecnologia móvel e os telemóveis inteligentes continuam a atrair as massas. A indústria da área não se faz rogada e não pára de melhorar, sendo actualmente os aspectos mais apetecíveis e inovadores: a tecnologia de voz, a óptima resolução, a maior velocidade e a integração de experiências 3D. É claro que o elemento geo-localização continua a merecer a atenção de todos pelo potencial económico que representa. O produto estrela foi o Nexus One, aliás lançado no dia 5 de Janeiro.

2. e-Readers

É um campo em franca expansão, depois que a Amazon se impôs no mercado com o Kindle. Marcas que se afirmam na paisagem dos e-Readers são: Kindle, Sony Reader, ProReader QUE (Plastic Logic), Nook.

Há quem comente que vão desaparecer, porque outros dispositivos, com um espectro maior de funções, os substituirão. Este prognóstico é contrariado pelo top de vendas da Amazon, pelo alargamento da venda do Kindle2 a mais 100 países, e pela adesão a este tipo de produto em alguns países, por exemplo, em Espanha existem 100 mil dispositivos e a compra de ebooks cresceu 400% num ano.

No CES, a inovação neste campo deu provas com leitores flexíveis e de grande formato. Caso do Skiff e do e-reader da LG Display, este com ecrã de 3mm e tamanho A3.

Nesta área, multiplicam-se as iniciativas para canais de distribuição de conteúdos a pagar. Depois da iniciativa Murdoch, vários jornais associam-se para criarem plataformas atractivas de distribuição de conteúdos para multidispositivo. Aliás, não será por acaso que o The New York Times se associou ao recente evento da Apple.

Paulo Querido criticou recentemente (Diário Económico, 28 Janeiro 2010) o facto de responsáveis do media estarem a jogar a sua última cartada desesperada nos dispositivos, quando o problema dos periódicos está na recusa teimosa em adaptar-se à nova realidade e desenvolver os conteúdos.

3. Tablets

O conceito do tablet PC tem outras designações – smart PC, slate, e não é novo. Nunca conseguiu vingar, mas agora parece regressar em força. Explora a tridimensionalidade, o ecrã touch e serve tanto o universo dos conteúdos como o do entretenimento.

No CES, o produto em destaque foi o Courier, o tablet da Microsoft-HP, que visa a área do office móvel, quer para leitura e consulta de ficheiros quer para criação, e ainda a área do lazer, permitindo jogar Xbox 360 sem comandos. Tem dois ecrãs, à semelhança de um livro, para múltiplas funcionalidades. A demo põe em destaque a intuitividade no uso.

4. Televisão 3D

Definitivamente, a novidade neste sector foi o 3D, muito impulsionada pelo filme Avatar. Estamos perante o casamento TV/ Internet há muito esperado, com ligações à Net, conteúdos on demand, networking.

Sony, Samsung, LG são as principais marcas. A mais tentacular, a Sony, domina toda a cadeia, desde o fabrico de televisão à criação de conteúdos para cinema e jogos, e deu mostras de estar empenhada em generalizar o 3D a todos os seus dispositivos. Desde logo, anunciou o plano para integrar esta tecnologia na Playsatation, nos computadores Vaio, nos leitores Blu-Ray, na televisão Bravia. O Mundial na África do Sul apresenta-se como palco de ensaios.

Face à falta de conteúdos 3D, que a Samsung e a LG já testemunharam, a Toshiba não cruzou os braços e avançou com uma solução de conversão 2D em 3D, a Cell TV. Provando que o timing é o correcto para ir mais adiante, a Discovery, a IMAX e a Sony juntaram-se para abordar o mercado doméstico americano com conteúdos 3D. É preciso dizer claramente que a necessidade de mercados grandes é imperativa face a uma produção televisiva exigente técnica e financeiramente, pois é necessário capturar imagens de várias câmaras (duplicação do processo), ou usar a técnica de espelhos.

Um outro obstáculo à generalização desta tecnologia é o uso obrigatório de óculos. Nesse sentido, há várias soluções: colocar película no ecrã, criação de óculos mais confortáveis que permitam a leitura de várias camada de informação sobre o mundo em redor (Realidade Aumentada). De tudo um pouco se deu notícia no CES.

5. Cloud

O conceito de cloud não é novidade em si, mas a extensão do armazenamento a particulares e não só a empresas, como até agora, é-o. E isso ganhou forma mais consistente no CES.

Outro tema forte, associado à cloud, é a necessidade cada vez maior de sincronização de dados de todos os dispositivos. No futuro, não interessa o local físico de armazenamento dos dados ou o dispositivo, mas a associação imediata e sempre actualizada desses dados ao indivíduo.

Um tiro no pé?

No passado dia 26 de Janeiro, a Apple apresentou publicamente o iPad, depois de uma campanha de pré-lançamento a alimentar expectativas. Apesar deste evento não ter estado inserido no CES, a especulação em torno já era anterior ao próprio show em Las Vegas. Além disso, a paisagem tecnológica 2010 não ficava completa sem conhecer o contributo e planos da Apple.

Muitos palpites e apostas foram feitas à volta do nome do novo dispositivo – iSlate? iTablet?; também muito se escreveu acerca do que poderia ser o novo tablet. No entanto, o anúncio de Steve Jobs veio revelar o iPad, um iPhone XXL!

Em relação ao nome, pude apurar que existe possibilidade da Apple estar a violar a lei de protecção de marcas. Quanto ao dispositivo em si, não é um verdadeiro tablet PC, é antes um smartphone aspirante a netbook. Esta definição pode soar a algo de precipitado, mas tal como outros dispositivos, é complicado definir o que é exactamente, porque rompe as fronteiras do PC, portátil, e-reader. A empresa diz que é para fazer concorrência aos e-readers e netbooks.

Todavia, não é exactamente assim. Vejamos a primeira parte. Pode dizer-se que é um iPhone grande a que acrescentaram a função de e-reader. Trata-se de um ataque directo à Amazon, que teve até agora um modelo fechado, mas que finalmente se está a mexer para criar app (jogos, puzzles, livros de viagem) e, terá, acrescento eu, de alargar a formatos standard e ao upload desde a biblioteca local e outras plataformas.

Quanto a atentar contra os netbooks, não vejo como, já que o iPad tem limitações em termos de: memória, instalação de software, ligação de periféricos. Ele não substitui um netbook, já que permite ver documentos, fotos, etc., mas não criar.

Em síntese, o iPad destina-se às seguintes funcionalidades:

  • Leitura e acesso fácil a ebooks graças à integração perfeita com loja online iBooks, à qual se associaram para já 5 editores de peso: Penguin, Harper Collins, Simon & Schuster, MacMillan, Hachette
  • Acesso a conteúdos da Internet, como fotos, áudio, vídeo
  • Visualização de filmes, graças ao suporte sem mãos e boa resolução, mas com limitações no flash
  • Funções de Office para email, consulta de documentos, apresentações, com teclado touch screen ou adaptado, mas impossibilitando a criação de documentos
  • Sincronização com ipod e iphone, mac

As reacções parecem ser unânimes em relação à verdadeira utilidade do iPad. É um smartphone melhorado, mas menos portátil, e também não chega a ser um netbook. Os gadgets já são muitos em deslocações: portátil, telefone, ipod, kindle, por isso são vários aqueles que se questionam acerca da necessidade de carregar mais um dispositivo, que apesar do preço bombástico, $499, é mais caro que os $299 do Kindle, é mais caro que um netbook corrente, é demasiado caro quando equiparado ao desempenho de um MacBook que custa $999.

Li uma posição com a qual concordo: a Apple tem dado o que não precisamos e existe muito marketing à mistura. Para quem tenha adquirido um Kindle e tenha um smartphone não faz sentido comprar um iPad. Os únicos motivos (nenhum deles lógico) que vejo são: porque é Apple e Apple é bom (marketing), porque sou viciado em gadgets.

Os compradores potenciais do iPad são, do meu ponto de vista, aqueles que esperaram para ver concorrência ao Kindle, aqueles que ainda não entraram na vaga dos smartphones, embora este iPad tenha, como se disse, o inconveniente do tamanho. Talvez estudantes, profissionais independentes venham a aderir. Perante isto, não entendo as afirmações de Jobs que dizia que ninguém ia resistir a ter um e que a Apple tinha desenhado o iPad para todos sem excepção.

A integração é positiva e é um requisito do mercado, mas deixa-me algo desconcertada esta redundância e ruído. Apesar dos muitos sucesso da Apple – ipod, iphone, acho que o iPad não vai ter a mesma sorte.