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Sistemas operativos in-out

Muito se tem falado ultimamente sobre os sistemas operativos a propósito do Chrome OS, “Noting but the web”, não o navegador, mas o novíssimo sistema operativo do Google com estreia marcada para 2011.
A razão dos zuns-zuns prende-se com o facto de ser um sistema sem instalação local, inteiramente operacional na cloud. Não se pense que o Google está sozinho nisto, porque outras empresas estão a desenvolver o mesmo, ex. Jolicoud. Mas um outro motivo forte para os zuns-zuns é a alteração do actual quadro de líderes dos sistemas operativos tradicionais – Microsoft e Apple. E como não se pode dizer que estes estejam propriamente a dormir, de que forma estão a marcar a sua posição neste novo cenário?

Cloud ou local, eis a questão

Há cerca de três anos, a cloud era certamente um bicho muito assustador para empresas e utilizadores individuais. Todavia, lentamente, as pessoas passaram a usar pequenas aplicações, periféricas em relação às suas necessidades, alojadas na cloud. Começaram por guardar as suas fotos no servidor do Flickr ou Picasa, entretanto, descobriram a comodidade do Gmail e sincronizaram todos os seus dispositivos pelo repositório de email nos servidores do Google. Passaram a guardar algures os seus vídeos, caseiros ou profissionais, entretanto os projectos e outros documentos para mais facilmente poderem partilhar e trabalhar colaborativamente, bem como o seu portefólio, currículo, etc.
Com tantas aplicações na cloud usadas diariamente, passar a ter aí todo o sistema operativo não parece nada de outro mundo. Basicamente o PC, netbook ou smartphone, são meros terminais ou clientes de um mega-servidor onde ficam alojadas as aplicações para trabalhar e gerir todo o sistema, bem como os dados.
Não faltam vozes a levantarem-se contra esta tendência, sendo uma das mais ásperas a de Richard Stallman da Free Software Foundation que advoga que o SO (sistema operativo) na cloud representa a perda do controlo dos ficheiros, mas também a perda de controlo do sistema, dados, os ficheiros, porque tudo passará a estar nas mãos de empresas. Em várias intervenções, deixou claro que sistemas como o Chrome OS enganam os utilizadores. Apresentam a necessidade de armazenar menos no local como uma vantagem, pois os servidores Google tomam conta desse processo, mas que na verdade isso é um perigo.
Apesar do alerta ser legítimo, não se vislumbra que a tendência desacelere dados os benefícios imediatos. Quem ainda não experimentou o gozo de poder usar uma Dropbox, o iTunes, o UbuntuOne para aceder aos seus dados em qualquer momento, de qualquer parte do mundo, desde que tenha conexão à rede?

Traço comum aos sistemas operativos na cloud

Para já, o sistema operativo mais famoso é o Chrome OS, mas há e surgirão muitos mais. Jolicloud, uma solução da empresa francesa Vye, está pensada para netbooks e tem por base o Ubuntu, um interface atraente, e ainda mistura aplicações locais (por ex. GIMP para edição gráfica) e web apps.
O que distingue estes sistemas operativos dos convencionais é o uso exclusivo ou quase exclusivo de aplicações para web, a passagem do desktop para a web, a rapidez, a facilidade de sincronização com qualquer dispositivo que se ligue à conta, e o único requisito para funcionar ser a conexão. Já não são precisos conhecimentos ou tempo dedicado à instalação, actualização do sistema. Qualquer aplicação não disponível que se deseje, basta um simples clique para a activar, funcionando o mesmo para desligar. Um sistema intuitivo de switch on e off e uma imersão completa no mundo web e nas aplicações sociais, de produtividade, e outras que venham a surgir.

Sistemas operativos everywhere

Na CES de Las Vegas, Feira das novidades em tecnologia, passa a ideia de que no futuro já imediato, os sistemas operativos vão também estar presentes nos electrodomésticos e toda a gama de dispositivos, porque a tendência que começa a ganhar contornos visíveis é a de soluções hardware+software+serviços num único acto. Isto significa que nos bastidores, as empresas dos vários sectores, que têm trabalhado separadamente, terão agora que coordenar esforços e pensar produtos e serviços conjugando tudo num só.
A Apple é a empresa com maior experiência nesta área, porque sempre pensou o hardware em função do software e vice-versa, controlando o processo. Há também alguns anos, passou a controlar o 3º elemento, o dos serviços, ao lançar as suas plataformas, a App Store, o iTunes.
Esta perfeita sintonia entre as peças chave na construção do produto/ serviço final vai ser cada vez mais decisiva e fundamental para o sucesso.
Extrapolando o dito para um exemplo prático, os fabricantes dos frigoríficos terão de aproximar-se de empresas que desenvolvam aplicações e software a incorporar no frigorífico, e os dois terão de atrair um outro parceiro que se encarrega da oferta do serviço de entregas e encomendas ao domicílio – um hipermercado/ distribuidor.

Um outro exemplo, este já um produto no mercado, o Withings Smart Baby vigia o bebé, transmitindo imagens e sons através do sistema operativo Android e do iPhone. Portanto, o campo de aplicação é vasto.

Conclusão

Neste cenário, os sistemas operativos mais abertos, flexíveis e com mais massa crítica e programadores associados, vingarão por certo. E o sistema Android, agora utilizado para smartphones, poderá vir a ser estendido a outros dispositivos. Ou mesmo o Chrome OS ou qualquer outros sistema que reúna as vantagens referidas.

Com a chegada da cloud, os sistemas opertivos não perigam, pelo contrário, alarga-se o âmbito de aplicação (da informática aos electrodomésticos). Eles estarão por todo o lado, simplesmente poderão estar alojados localmente ou num qualquer servidor na Internet.


Cloud computing, a nuvem que se aproxima

A Internet começou por ser uma ponte: ligava por email, encurtando distâncias e tempos de espera da entrega postal e disponibilizava alguns recursos interessantes. Empresas mais arrojadas criaram nessa época os seus websites.

Na era Google, passámos todos a pesquisar e a usar as suas ferramentas, tornando-nos dependentes delas para quase tudo. Na vida pessoal, as pessoas quiseram fazer-se mais presentes na rede. Chega a vaga dos Youtubes, dos Flickrs, das redes sociais e do Twitter – acompanhar em tempo real a vida de outros e ser seguido pelos amigos ou admiradores passa a ser o desporto favorito. AO mesmo tempo, as empresas passam a ver a Internet como montra de produtos e usam aplicações que ajudam a melhorar a relação com o cliente. A Administração local e central lança vários serviços à distância e a desmaterialização passa a constituir o cavalo de batalha de decisores. Nesta altura, entidades mais afoitas abrem as suas intranets e ligam-se à Internet para o trabalho quotidiano. As tags, os blogs, as wikis, os bookmarks, invadem os desktops e são ferramentas todo-terreno – trabalho e vida privada. Assistimos a campanhas de marketing especialmente desenhadas e lançadas no Facebook e no MySpace. Tornam-se cada vez mais visíveis os casos de empresas e organismos que se ligam às redes sociais e estendem os seus serviços.

Actualmente, fala-se da transferência – literalmente – da vida das empresas e das pessoas para a nuvem, metáfora da Internet. A plataforma de comunicação e de serviços parece estar a converter-se na plataforma da vida das sociedades. Enrique Dans num dos seus posts comentava “Con la cabeza en la nube”, parecendo dar um sentido novo ao ditado, ou talvez não. Sobre andar com a cabeça nas nuvens não existe consenso de se tratar de coisa boa ou má. Vamos estando por isso atentos…

E assim fica apresentado o tema deste post – os mistérios da nuvem.

Um céu ainda muito nublado…

A nuvem, a que todos se referem, é no seu original “cloud computing”, uma expressão lida, pronunciada e escrita nos mais recentes eventos e ainda em blogs ou em notícias dispersas. Não sei se a forma reúne consenso e se é do agrado das pessoas, como não o foi o termo “web 2.0″. O tempo o dirá…
E é na verdade um termo ainda muito novo. Os resultados da consulta da expressão no Google Insights Search são bastante curiosos. O termo começa a ser usado em inícios de 2007 e apresenta um crescimento, dir-se-ia, acentuado.

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A área geográfica no mundo que mais pesquisas realiza com essa palavra é a Ásia, estando a Índia à cabeça. A supremacia asiática em “cloud” é óbvia em quantidade e posicionamento na tabela. Os EUA, a Irlanda e a África do Sul ocupam posições mais modestas!
Também é reveladora a construção das expressões de pesquisa, na medida em que nos dão indicações acerca do tipo de associação que as pessoas fazem. Essas associações são: Google, Amazon, Microsoft, IBM, todas entidades com serviços já em funcionamento, em fase de experimentação ou anunciados. Em comum têm uma estratégia neste campo.

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Afinal o que é isso de “cloud computing”?

Como dizia, o conceito ainda é vago, mesmo entre os protagonistas do meio, como no-lo revela o vídeo do evento Web 2.0 EXPO 2008 em San Francisco. Vários nomes sonantes da área da tecnologia e da Internet foram surpreendidos com uma questão muito simples: “What is cloud computing” e difícil foi responder satisfatoriamente ao “teste”, a avaliar pelos muitos eu penso. Mas a ideia que fica pode resumir-se a: fim da tortura de ter de instalar e configurar programas e hardware; felicidade e satisfação; não se importar com o que está na nuvem desde que funcione; plataforma aonde vai ocorrer toda a actividade; virtualização; novo modelo de distribuição de serviços de computação no futuro. Diria que o tom geral é de entusiasmo e percepção de algo positivo. Há apenas um alerta nas palavras de O’Reilly, que refere a necessidade de pensar o modo de distribuição dos dados, serviços e aplicações alojadas na nuvem, deixando entrever riscos de monopólios e discriminação.

O conceito refere-se a toda a panóplia de meios e conhecimentos necessários para aceder, utilizar e fazer funcionar um programa, mas não só. Inclui a disponibilização de serviços na Internet prontos a usar, tanto para armazenamento, como para processamento, cópia de segurança, partilha da informação que queiramos ou necessitemos. De certa forma é o que já fazemos há alguns anos com aplicações de email baseadas na web (Gmail, Hotmail, Yahoo mail). A aplicação está alojada na Internet, as mensagens são guardadas na Internet. Tudo se passa à margem do nosso PC ou portátil, sendo apenas necessária uma conexão e um navegador.

Deixo o vídeo do Cloud computing in plain english que explica grosso modo o que é e como funciona na perspectiva do utilizador final.

Protagonistas no campo do cloud computing

A corrida ao Cloud computing nos últimos meses tem sido acelerada. Depois de serviços com alguns anos, como os do Google, Amazon e Yahoo, empresas como a IBM, HP, Dell, Intel, Microsoft, avançam com volumosas somas para a investigação e criação de infraestruturas nesta área. O esforço de investimento é tão forte e a necessidade de uma solução global é tão premente que se assiste a parcerias e associações. Por exemplo, a Microsoft conta com o apoio da Sun Microsystems e da Dell. A IBM cria projecto com Google, mas também avança sozinha noutros.

Outro aspecto curioso é a chamada “inovação aberta”, ou seja, a inovação nesta área não está centralizada nos investigadores de batinha branca fechados nas quatro paredes da empresa, mas compreende uma comunidade alargada de investigadores com espírito empresarial que queiram participar nos projectos referência. Para que isso seja possível, a Microsoft e IBM, por exemplo, abriram os projectos a start-up, a universidades e centros de investigação. A ideia é galgar muito terreno em pouco tempo e aproveitar ao máximo o potencial dos criativos.

As áreas de investigação e inovação resumem-se a cinco realidades ou novas exigências:

  • Explosão da informação – A quantidade de informação que já existe e que será criada coloca desafios enormes ao nível do armazenamento eficiente e recuperação dessa informação, controlo de duplicados, organização e classificação automática de informação, etc.
  • Serviços web dinâmicos – Área que procura atender à necessidade de uma perfeita integração de serviços, desenvolvimento de funcionalidades atractivas e de forte componente interactiva, pesquisa semântica, eDiscovering, etc.
  • Transformação de conteúdo – Investigação que procura melhorar os processos de tradução simultânea, conversão de formatos, representação gráfica e visual, mashups, etc.
  • Infraestuturas inteligentes  e verdes – Sector que desenvolve infraestruturas funcionais com o mínimo de intervenção humana, que integram normas e esquemas universais e que tentam retirar partido da inteligência artificial.
  • Sustentabilidade e escalabilidade – Preocupação voltada para a construção de infraestruturas e plataformas com elevados graus de performance e adaptabilidade a diferentes necessidades e a largo prazo.

Passamos agora à descrição da actividade de algumas empresas no Cloud computing.

Amazon foi uma empresa pioneira no Cloud computing. Actualmente dispõe de um conjunto de serviços de computação via Internet muito completo debaixo da etiqueta Amazon Web Services. Possui desde há muito a EC2, para processamento e armazenamento, e a S3, dedicada exclusivamente ao armazenamento de dados. Neste momento, está em fase de teste a suite de serviços online SimpleDB.

O Google foi outra empresa que entrou há anos na cloud. Actua nos três níveis e possui data centers enormes espalhados pelo mundo. Numa notícia de Setembro, Google avançava uma solução de colocação dos seus data centers em alto mar, aproveitando a energia das ondas para produzir energia e a água para refrigerar. Além de verde, esta tecnologia oferece igualmente vantagens em caso de guerras ou catástrofes naturais com a retirada imediata de zona de perigo, além de ser uma solução livre de impostos, porque fica alojada em águas internacionais. Essa ideia já foi patenteada.

A HP Labs agarrou em 20/ 30 projectos na área e está a investir fortemente. Alguns resultados visíveis: Cloud Print, Cloud View, Book Prep, Face Bubble, Snapfish, uma espécie de Photoshop online.

A IBM quer ser um parceiro das empresas e dar-lhes a opção de criar a própria nuvem ou confiar na nuvem gerida por terceiros.

Finalmente, menciono o caso da Microsoft que está a conduzir-se com bastante determinação nesta área. Além da política de abertura já referida, tem programado o lançamento do Windows Live – Azure para 2010. Também o Exchange e o Office estarão na modalidade de SaaS. A plataforma prevê hosting, armazenamento (prepara-se a construção de 20 data centers de última geração) e serviços como o CRM, por exemplo.

Segundo um relatório da Gartner, o Cloud computing vai impor-se nos próximos 5 anos e quem estiver fora da nuvem praticamente não existe. Mas em relação à expressividade do Cloud computing na actualidade, um outro estudo do The Pew Internet & American Life Project - Use of Cloud Computing Applications and Services revela que nos EUA 69% da população usa cloud computing sem saber sequer o que isso é. Os serviços que contribuem para essa percentagem são sobretudo o correio electrónico, o armazenamento de fotos e o uso da suite Google Docs ou Photoshop Express. Esta realidade diz respeito quer aos consumidores quer às empresas, onde as ferramentas de e-groupware e CRM via Internet adquiriram já uma importante fatia do mercado.

Níveis e serviços

“Cloud computing” começou por estar muito associado ao hardware, mas rapidamente estendeu-se à totalidade dos elementos necessários ao funcionamento de qualquer serviço para o utilizador final, falando-se em três níveis de cloud computing, como se pode ver no esquema. Em qualquer dos níveis existe a perspectiva do serviço, porque a ideia base inerente a esta tecnologia é a de que tudo é serviço e uma espécie de self-service de outsourcing em tecnologias da informação.

Nível 1 – IaaS (Infrastructure as a Service) – Patamar formado pelos servidores, armazenamento e processadores. É a parte crítica do sistema. Ex. Amazon Elastic Compute Cloud (EC2); GoGrid…

Nível 2 – PaaS (Platform as a Service) – Constituído pela estrutura onde são instalados os programas. É configurável e pode ser adaptado às necessidades de determinada empresa. Ex. Google AppEngine; Force.com; Yahoo Pipes…

Nível 3 – SaaS (Software as a Service) – Neste sector situam-se as aplicações, programas e serviços que já estão preconfigurados e aptos a ser usados. O nível de configuração é muito reduzido, limitando-se a questões de visualização e apresentação da informação. Ex. Gmail; GoogleDocs; Force.com Sites; Zoho CRM; SAP…

Vantagens e inconvenientes

Os aspectos positivos são particularmente relevantes para as empresas, embora os perigos também sejam maiores quando pensamos neste universo de clientes do Cloud computing.

1. Serviço disponível 24/7 – Aplicações e dados ficam acessíveis desde qualquer lugar e em qualquer momento.

2. Fiabilidade – Taxa de erro e bloqueios nas máquinas de cloud computing é inferior à das nossas máquinas.

3. Uniformização da variedade – No universo Cloud computing coexistem dados oriundos de qualquer dispositivo (portátil, smartphone, etc.), aplicação, rede social ou website. No entanto, para o utilizador final tudo é transparente e está correctamente sincronizado. É o caso do serviço Live Mesh da Microsoft que se propõe reunir num único ponto toda a actividade na Internet de uma pessoa. O objectivo é proporcionar ao utilizador uma experiência única, sem saltos e sem descontinuidades.

4. Facilidade e simplicidade no acesso – Para ligar-se à nuvem, é apenas necessária a ligação à Internet e um browser.

5. Economia nos gastos de hardware, software, licenças, backups e actualizações – Esta vantagem aplica-se sobretudo às empresas, porque deixa de ser necessário montar e gerir infraestrutura e o parque tecnológico dentro de portas. E só para ter uma ideia dos ganhos, o custo por utilizador num ano do Google Apps fica em $50 enquanto uma licença MS Office fica por utilizador/ ano em $500. Deixa de ser problema decidir onde alojar o website ou como configurar o servidor web.

6. Custo baseado no uso e nas necessidades reais – Compra-se o serviço ajustado às necessidades e uso num dado momento. Se por acaso a empresa aumenta o número funcionários ou o volume de informação, pagará exactamente pelos utilizadores e Mb a mais. Desta forma, evita-se o investimento em infraestruturas, às vezes sobredimensionadas, ou em aplicações que se revelam na verdade pouco úteis ou adequadas.

7. Rentabilização efectiva de meios e investimentos – Na perspectiva dos fornecedores dos serviços de Cloud computing é muito mais fácil explorar ao máximo as infraestruturas criadas e disponibilizadas. A gestão dos servidores, dos data centers gigantescos e das plataformas de serviços tornam-se mais rentáveis na versão de Cloud computing, porque a escala de fornecimento de serviços passa a ser global, com uma gestão mais inteligente e eficiente. A título de exemplo, refiro a Amazon. Nos picos da época natalícia, o sistema de resposta aos pedidos da Amazon bloqueava e falhava. Para garantir um bom serviço, a empresa investiu brutalmente na infraestrutura. Porém, fora das épocas de maior procura, a estrutura era subaproveitada. Foi então que a Amazon começou a alugar espaço livre a terceiros. Sem a tecnologia Cloud, esta solução de optimização da infraestrutura não seria possível.

Listo agora os problemas associados à cloud, embora algumas dificuldades possam vir a solucionar-se parcialmente a curto ou médio prazo. Os peritos aconselham a que as empresas avaliem os riscos e usem serviços via Internet para informação não crítica.

1. Segurança – O alojamento de dados sensíveis em bases de dados e aplicações de terceiros é um risco considerável. Também há plataformas que oferecem mais garantias que outras ou soluções mais seguras. Por exemplo, a Blue Cloud da IBM permite criar uma nuvem corporativa dentro da grande nuvem. Há sempre a possibilidade da empresa controlar a sua infraestrutura ou confiá-lo 100% a terceiros. A segurança é o factor que mais afecta a adopção desta solução, por isso é um aspecto muito central nos prestadores de serviços de outsourcing TI. Actualmente, os modelos não respeitam integralmente as exigências legais nem os preceitos de segurança, contudo prevê-se que a segurança chegue ao Cloud computing num horizonte de tempo curto.

2. Protecção de dados e privacidade – Esta é uma área extremamente sensível e complexa, até porque os dados vão estar alojados algures na rede e as legislações de dados pessoais são nacionais. A possibilidade de cruzar dados e obter perfis é real, não havendo ferramentas eficazes para evitá-lo. Recentemente, em entrevista, a presidente da Agência Catalã de Protecção de Dados alertava para esse efeito, um problema que o Cloud computing tenderá a acentuar.

3. Dependência da ligação à Internet e disponibilidade do serviço -Os utilizadores dependerão cada vez mais da qualidade e permanência da ligação à Internet, mas também das garantias e disponibilidade real das infraestruturas e plataformas da nuvem para trabalhar.

4. Perda de controlo – Segundo o Richard Stallman da Free Software Foundation o Cloud computing é uma ameaça e chega mesmo a dizer que é uma estupidez, porque a pessoa perde totalmente o controlo e porque os preços do serviço tenderão a aumentar. Portanto, segundo este autor, a vantagem económica vai-se esfumar num futuro próximo. Também alerta para algum tipo de restrições destes serviços e cedência de direitos de dados dos utilizadores para continuarem a usufruir de determinadas condições.

5. Maior dependência – A Cloud cria um paradoxo, porque ao criar condições para um acesso livre e independente de qualquer ponto e momento, acaba por tornar-nos cada vez mais dependentes da ligação à Rede. A Internet é cada vez mais uma extensão de nós mesmos.

A passagem à nuvem parece inevitável, a crer na orientação mais recente das políticas das empresas de TI e na franca adesão das pessoas singulares e empresas à filosofia do “tudo é serviço”. Porém, não deixam de ser pertinentes algumas perguntas incómodas no ar, que terão de obter resposta brevemente, para bem da saúde e credibilidade do negócio da nuvem. A saber: que privacidade é possível no universo da nuvem? quem detém a propriedade dos dados, o utilizador do serviço ou o fornecedor? ficará mais fácil a temerosa regulação da Internet? Berlusconi acaba de afirmar essa necessidade. Será que a ideia irá encontrar adeptos?