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Apps mania

Já aqui abordei a questão das App Stores e do protagonismo que estão a gozar juntamente com a onda dos smartphones. Os consumidores de aplicações e programas disponibilizados nas App Stores gastam menos 25% do tempo diário na televisão, jornais ou computadores. E a explicação é lógica: os dispositivos móveis gozam cada vez mais de autonomia e portabilidade, sendo muito valorizados pelo leque de pequenos programas que cobrem a totalidade das actividades humanas do mundo moderno e ainda pelas possibilidades que se abrem na cloud, sem limites de armazenamento e acesso. Para quê andar com o computador se o telefone inteligente responde às necessidades de mobilidade + utilidade + armazenamento?

Em Portugal, esta mania ainda não é clara, mas espera-se que no Natal se sinta um crescendo de procura destas soluções. Contudo, o efeito “viciante” já estudado nos EUA ainda vai demorar a fazer-se sentir em território luso. Ou talvez não… Mas o sucesso que sempre foram as comunicações móveis no nosso país, deixa uma porta aberta a sucessores de nova geração. Tudo vai depender da evolução económica e da oferta do mercado acessível aos bolsos nacionais.

A persuasão da tecnologia

As pessoas são impelidas a usar a tecnologia associada aos telefones inteligentes porque é fortemente personalizada e muito próxima, quase íntima arriscaria. Além disso, é fácil de usar e permite uma efectiva apropriação. A distância é abismal quando comparada à tecnologia da televisão, rádio, e mesmo Internet em geral. A experiência do “eu” utilizador é, nestes casos, menos envolvente e pessoalmente marcante, porque a tecnologia está fora, é manipulada por terceiros, que também editam os conteúdos.

No caso dos telefones inteligentes e aplicações associadas, a experiência pessoal é muito mais rica e muito mais inesquecível. Tudo começa pela proximidade física e portabilidade. O telefone acompanha a pessoa para todo o lado, cola-se-lhe à pele, funciona como extensão do corpo, do cérebro.

  • Entretém no momento de espera, seja na paragem do autocarro ou ida ao dentista; diverte nos encontros com amigos – quem ainda não assistiu a conversas intermináveis e demos de toques e rings?;
  • Regista o momento, libertando o nosso cérebro de reter pormenores, rostos ou paisagens;
  • Auxilia a cada instante a memória para contactos, números, aniversários, mas também para recomendações, gostos e preferências dos amigos…
  • Optimiza a gestão do dia e do tempo, o que tem tudo a ver com a realidade moderna, em que existe uma obsessão no sentido de rentabilizar o tempo e aumentar a produtividade, quer ao nível profissional (inquestionável) quer ao nível pessoal (se calhar mais questionável), como é o caso amigos, casa, compras, tempo livre, etc.

Escolher a camisa para o amigo que festeja o seu aniversário e gosta da marca X, tendo a pessoa sabido isso pelo Facebook a que acede através do meu smartphone não é ficção, não parece nada de extraordinário, e, no entanto, contém em si mesma mudanças substanciais, uma espécie de revolução silenciosa.

Essas mudanças de que falo passam por integrar a tecnologia sem questionamento. E a sedução da tecnologia ocorre mais aceleradamente com os telefones inteligentes, porque são considerados pelas pessoas como algo familiar, próximo, que infunde confiança. As pessoas vêem-nos como parte da sua vida, algo de insubstituível, de seu. Dá-se uma espécie de personalização da tecnologia dado o nível de integração pessoa-tecnologia. E falo bem, pessoa, e não grupo de consumidores ou perfil. O próprio marketing está a marcar pontos nessa personalização que já não tem que ver com o “Olá, Cláudia”, mas vai muito, muito mais longe. São estes dispositivos e o seu uso inteiramente personalizado que abre um novo mercado, extremamente apetitoso.

Mais que um mero telefone

A prova de que estas aplicações e dispositivos inundam todos os momentos do quotidiano é a categorização das aplicações nas App Stores: aplicações para o trabalho, a viagem de negócios, a forma física, as compras, a gestão doméstica, os investimentos na bolsa e fundos, etc. O telefone inteligente assume a cada momento o papel de guia da cidade, de mapa, de conselheiro financeiro, de personal trainer, de medidor de açúcar no sangue, enfim, de tudo o que se possa imaginar, mas cada vez menos de telefone. É um assistente permanente que se metamorfoseia a cada instante.

Mas o elemento mais elucidativo desta “dependência” tecnológica é talvez a recolha de testemunhos e experiências havidas com estes dispositivos num artigo da New Scientist intitulado “How smartphones are transforming our lives“. Existe uma aplicação para o iPhone, o Yelp, que é um guia de restaurantes. Até aqui tudo bem. A questão é que há pessoas que deixam de confiar nos seus olhos e intuição para seguir cegamente a recomendação fornecida pelo programa. A cena ocorreu com um casal em busca de restaurante que passou por uma série deles, mas não parou nem avaliou o interesse de jantar por aí. Preferiram seguir as indicações dadas pelo Yelp. No intrincado de ruas, acabaram por perder o contacto com a rede e pelos vistos o bom senso! Mas estas situações ridículas serão cada vez mais frequentes, porque gradualmente baixamos a guarda e deixamos de contar com os nossos meios, a nossa capacidade de decisão, avaliação e actuação.

Mais um passo… e caímos no ridículo

A fronteira entre a tecnologia ao nosso serviço ou nós ao serviço da tecnologia é muito esbatida num cenário em que o envolvimento tecnológico é tão natural, à medida e confortável. Este poder de sedução da tecnologia moldável, prestável, útil, disponível, acessível, vai num crescendo imparável e outra coisa não seria de esperar. Antes da realidade virtual, já temos experiências bem sucedidas da realidade aumentada. Duas aplicações da plataforma Android, Layer e Wikitude, mostram claramente o mundo de possibilidades que se abre, não para um futuro próximo, mas para já. O princípio da realidade aumentada melhora a resolução, a captura, a representação da realidade, acrescentando-lhe informações de várias fontes, aumentando consequentemente a percepção do meio pela pessoa.

A experiência do olhar humano capta prédios, onde a realidade aumentada vê apartamentos para comprar. O problema, não é a tecnologia, que em princípio é positiva e desejada. O grande problema estará na progressiva desmobilização dos nossos meios e defesas naturais e, sobretudo, na forma como será seleccionada a informação ou conteúdos a privilegiar na realidade aumentada. Se as pessoas passarem a escolher a sua casa desta forma, as casas que não aparecerem no programa, não existem. Tirania da tecnologia e dos melhor posicionados para tirar partido e controlar de alguma forma o que cada um de nós vai ver, valorizar, conhecer e escolher “livremente” através das muitas aplicações.

A confiança cega na tecnologia pode embaraçar-nos muito, e seria melhor que fosse pelo ridículo, que pela selecção alheia do que vamos vendo, lendo, opinando e falando por aí…

Alguns números de um estudo

A GravityTank realizou um estudo e chegou a algumas conclusões curiosas. Os estudos valem o que valem e as amostras, como neste caso, são sempre amostras. A análise de fenómenos como o da relação das pessoas com a tecnologia é muito complexa e difícil de delimitar. Contudo, avanço algumas linhas dos resultados.

Foram inquiridos 804 utilizadores de iPhone e Android G1, embora tenha havido um seguimento mais pormenorizado de uma vintena desse universo mais lato.

Relativamente ao uso, as pessoas gastam 2 horas/ dia nas apps dos seus telefones inteligentes. Esta contabilização exclui o uso do telefone para telefone propriamente dito, para e-mail e para SMS. São cerca de 30 as interacções diárias com o smartphone para consultar aplicações específicas. Cada pessoa tem em média 20 aplicações, sendo 25% dessas a pagar.

Consultadas sobre o que significa para si as App, ou seja, que associações fazem: 63% associa a divertimento; 50% a utilidade; 45% a interesse para monitorizar crianças; 46% a saúde.

Só 7% dos inquiridos acha que é uma moda, portanto, algo efémero que vai passar. Porque 54% admitem que as app mudaram a sua forma de pensar e 35% acham que mudaram a própria vida.

Uns significativos 53% consideram que as app estarão na base da promoção dos serviços e produtos que virão a consumir e a usar. Devo dizer que esta percentagem me surpreendeu, pois não esperava que a metade dos inquiridos tivesse consciência que o filtro do consumo pudesse vir a ser feito através destes dispositivos. A ideia que tenho do consumidor comum é a de que ele controla quando, onde e como comprar e não se deixa manipular.


Algumas aplicações do iPhone

No website da Apple, na secção das “Apps for iPhone”, a frase a jeito de slogan Apps for Everything dá claramente conta da diversidade estonteante de aplicações. Poder-se-iam criar categorias para todos os fins, classes, gerações, manias e taras, mas a empresa optou por simplesmente as arrumar em aplicações para trabalhar, para gerir a casa e o dia a dia, para as saídas e viagens e, por fim, mas não menos importante, para controlar os gastos e gerir o dinheiro.


Das muitas escolhas possíveis, fiz uma selecção de programas, que, admito, colocam a tónica no veraneio, mas é fruto da época.

Viagem

Para os organizadinhos, que gostam de ter tudo debaixo de controlo, mas também para aqueles que gostam sempre de saber a quantas andam, sem obsessões de maior, está disponível o FlightTrack (custo $4,99) que faz a monitorização em tempo real da viagem de avião – hora do voo, porta de embarque, bem como dados detalhados do avião, velocidade e altura. Informa ainda a pessoa de eventuais atrasos ou cancelamentos. O Mobile Glot dá uma mãozinha na comunicação, caso a língua do país destino não seja o forte. É um auxiliar de tradução em 6 línguas. Já no local, é possível saber onde comer, fazer compras, dormir ou divertir-se, graças ao Yelp. Além dos pontos de interesse, contém lista de opiniões e críticas quanto ao que se come, preços, serviço, etc. É preciso, porém, compreender que o sucesso desta aplicação depende da disponibilidade da informação acerca do local visitado ou no qual nos encontramos por motivos de trabalho.

Rede social

Para que o corte não seja radical, é possível manter-se conectado aos amigos no Facebook através do programa com o mesmo nome. Mas existe um sem número de widgets e aplicações relacionadas com as comunidades online.

Divertimento

Existem várias propostas de transformação do iPhone em instrumento preferido — guitarra, piano, e também ocarina. No caso da guitarra, PocketGuitar ($0,99) permite escolher a guitarra de eleição (acústica, eléctrica, clássica, baixo…), bem como realizar distorsões ou activar a função de coro. O Starmap ($11,99) é uma aplicação realizada por um astrónomo, que localiza constelações, planetas, e outros objectos no céu. É um verdadeiro planetário de bolso, que faz propostas de observação para cada noite como se de um profissional de tratasse.

Os adeptos do desporto podem conectar-se ao seu serviço preferido e seguir os campeonatos, provas ou canais noticiosos. Há para o Tour de France, a UEFA, os Lakers, etc. Mas para os que gostam de acção e quebrar uma ondas, existe o Surf Report. Nele, o praticante encontra as informações da altura das ondas, temperatura da água, maré. A aplicação lista centenas de praias em todo o mundo. Para uma actividade mais relaxada, há mais de 20 programas sobre Pilatos. O iPump Pilates ($1,99) é um deles e ajuda a manter a forma, mesmo no período de férias.

Todavia não se fique com a ideia que, no capítulo da saúde, só se coloca a tónica no físico. Vigiar o peso, o açúcar no sangue, a pressão arterial, a temperatura corporal, e até as caloridas consumidas, é possível com o kit Health Vitals Tracker.

Media

Os jornais, mesmo nos momentos mais letárgicos, podem marcar a sua presença. Além dos serviços genéricos de notícias, é possível subscrever o serviço noticioso do the New York Times.

Registo

Para assinalar cada momento, podemos rodear-nos de várias aplicações que complementam a função básica das fotos e vídeos proporcionadas pelo iPhone. Falo concretamente do Photogene ($2,99) que faz de imediato a edição das fotos, com já alguma complexidade (contrastes, recorte, passagem da foto a p&b, acréscimo de balões e comentários). O Audacity encarrega-se de gravar e editar ficheiros áudio. A captura faz-se de microfone, rádio.

O Shazam é um programa muito curioso. Vem em socorro daquelas situações em que temos a música debaixo da língua, mas não nos sai nem o título, nem o cantor. Ele reconhece a música e apresenta de imediato as informações relacionadas: título, capa do álbum, opiniões e, claro, a possibilidade de comprar a música no iTunes. Dizem os criadores que consegue reconhecer milhões de músicas e que surpreeende todos quantos o experimentam.

Gestão do dinheiro

Antes ou depois das férias, esta categoria fará todo o sentido. Há muitas ferramentas, mas destaco apenas o XpenseTracker ($4,99). De viagem de trabalho ou lazer, é importante registar as despesas diárias, ou porque se tem de apresentá-las para reembolso, ou porque é imperativo não gastar mais que o previamente orçamentado. Quando há lugar a reembolso, é possível fotografar os recibos e anexá-los às despesas como comprovativo.

Numa vertente mais do dia a dia, e sobretudo a pensar nos jovens, o Pennies ($2,99) revela-se ideal para gerir a mesada ou orçamento mensal. Existe um valor de entrada, cujo estado vai sendo vigiado. Um controlador indica graficamente se a pessoa está próxima ou não da zona vermelha.

Para a casa, o GroceryIQ ($0,99) mostra ser uma lista de mercearia de grande utilidade. É aquela lista que nunca se esquece, porque sempre nos acompanha. Além disso, permite a consulta do histórico e o envio a empresas que realizem entregas ao domicílio. Assim, a lista está sempre pronta a ser utilizada, quer pelo próprio, que realiza as compras, ou por quem lhe presta esse serviço. Muito oportuno.

A terminar, refiro a dificuldade em pesquisar na plataforma das apps da Apple. Tinha em mente alguns programas, sobre os quais li em tempos, mas já não os encontrei. Parece que as aplicações são muito rotativas e mudam de nome. A própria Apple coloca como salvaguarda que as aplicações disponibilizadas podem sofrer alterações ou sair da plataforma a qualquer altura. Os programas mais acessíveis são mesmo os que figuram na selecção da Apple debaixo da etiqueta “staff Picks”. A mesma volatilidade parece ocorrer com preços e demais informações.

“Some applications are not available in all areas. Application availability and pricing are subject to change.”


A vaga das AppStores

Este post versa sobre um tema com bastante visibilidade e alvo de concorrência feroz na actualidade. O tema das AppStores.
E o que é isso de AppStores? São basicamente lojas online, onde são disponibilizados pequenos programas ou aplicativos para uso nos telemóveis, sobretudo nos smartphones, e nos notebooks ou portáteis.
A estreia deu-se com a Apple, que já não surpreende com as suas iniciativas a marcar os ciclos de negócio votados ao sucesso. No seu estilo inovador e de aposta na qualidade, em Julho de 2008, a Apple abre uma loja que ao cabo de um mês já era uma referência. A App Store dedicada ao iPhone e iPod conseguiu num mês a venda de 60 milhões de programas. A própria Apple ficou surpreendida com a taxa de adesão às suas propostas.

Limpar armas

Uma série de outras empresas se seguiram e criaram as suas próprias lojas com soluções exclusivas ou de terceiros. Sobre este tema, circula a opinião entre o meio de que a reacção do mercado não foi muito saudável nem é favorável ao consumidor final. Multiplicam-se as appstores que, em vez de constituírem uma alternativa, acabam por copiar a vizinha. A falta de diferenciação, agravada pelo facto de algumas das stores não terem nem tradição nem comunidade de desenvolvimento ou programas originais de raiz, desvirtua o potencial que possa estar associado a este tipo de iniciativa.

À medida que a tecnologia evolui para programas cada vez mais simples, fáceis de usar, quase sem necessidade de instalação, e para aplicações que integram outras, verifica-se um crispar de tensão entre as empresas. E a concorrência deixa de ocorrer apenas entre actores do mesmo sector, para se estender a todos os sectores. Se a guerra era em tempos entre a Apple e a Microsoft, enquanto fabricantes de sistema operativo, há já algum tempo que entraram ao barulho os fabricantes de telemóveis e mais recentemente os fornecedores de acesso à Internet. Todos desejam disponibilizar as melhores aplicações, os programas mais ricos em experiências aos seus clientes.

copyright 2009 Gizmodo

Portanto, a tendência será para esta multiplicação das AppStores se verificar nos próximos tempos, mesmo ao nível nacional. E a testemunhá-lo, recebi ainda ontem uma mensagem da Optimus a dar notícia dos serviços da AppStore do Portal Optimus Zone. O mesmo fazem os outras redes de telemóveis, impulsionadas pela nova vaga de aplicações “à la carte”. Veja-se a guerra entre a TMN e a Vodafone pela plataforma Android.

Funcionamento das AppStores

A chave do sucesso destas lojas assenta numa lição antiga e bem sucedida do software livre, que está associada à co-autoria e participação no desenvolvimento de novos programas. A diferença é que tudo se passa debaixo de um novo modelo de negócio, com vantagens para todas as partes, mas em particular para os promotores que nunca conseguiriam tal proeza não fosse o efeito comunidade.

E as três partes interessadas são: promotores da loja, programadores espalhados pelo mundo, consumidores. Os promotores disponibilizam a plataforma, as ferramentas de desenvolvimento e o marketing. Os programadores criam novas aplicações, integram-nas com outras já existentes, estendem o uso de programas a outros dispositivos, combinam aplicativos, resultando daí produtos vedetas que, por excentricidade ou grande pragmatismo, conquistam a atenção e o interesse dos utilizadores. Os clientes visitam frequentemente essas lojas à procura da aplicação que faltava, da que está na moda, ou da que os amigos têm. Frequentam, recomendam e opinam sobre estes aplicativos, mas também os testam e experimentam, propondo melhorias. Além de todo este tráfego gerado, fazem compras e arrastam novos interessados.

E não se substime o poder que os grupos têm no sucesso destes modelos de negócio. Cruzei-me com uma crítica de um utilizador da plataforma AppStore que reclamava desejar saber, quando acede à plataforma, que aplicações os amigos escolheram e quais as que mais gostam. Este efeito de massa explica o sucesso de aplicativos como o iBeer ou o Rolando. O iBeer é uma brincadeira divertida feita com o iPhone. O iPhone transforma-se em copo de cerveja e a pessoa pode simular que bebe. Trata-se de uma brincadeira, um gadget, mas dos mais falados e mais experimentado.

O Rolando, com 700 mil downloads em 3 meses, conheceu grande popularidade e a saga continua. O que é interessante sublinhar é o sucesso do autor, a quem tinham sido fechadas repetidas vezes as portas de empresas de jogos por alegada falta de experiência. Na AppStore, não só foi possível criar o jogo como, do êxito alcançado, abrir a sua própria empresa, a HandCircus no Reino Unido. Este jogo marca um registo novo na forma de jogar. Os críticos achavam que sem botões não seria viável o jogo, mas atentem um pouco no vídeo, que desmente essa opinião. Tudo se faz sobre o ecrã sem lançar mão de qualquer botão. Chama-se Rolando porque as criaturas são redondas e rolam, tendo-se que fazer explodir os mauzões para desbloquear as passagens.

Na relação loja-programadores, o processo mais comum é o registo inicial na plataforma, que dá acesso às condições para criar e recriar aplicativos – ferramentas, contactos com a comunidade de programadores e feedback dos utilizadores. Uma vez criado o software, é submetido à aprovação e validação pela empresa promotora da store, sendo escolhido a modalidade para disponibilização aos clientes. Das vendas, o programador fica com 70 ou 80% e o resto é da empresa, responsável pela loja.

A chave para a sustentabilidade

O negócio alimenta-se das vendas, obviamente, das taxas cobradas aos programadores pelo uso da plataforma e das ferramentas profissionais e do imenso tráfego que geram. Também parece óbvio o ganho resultante do crescimento e da visibilidade alcançados num curto espaço de tempo. Em tempo recorde, as lojas bem sucedidas conseguem uma diversidade de aplicações que tornam o seu produto base mais atractivo, mais interessante e mais vendável. Nenhuma empresa dispõe de tempo útil nem recursos para realizar o mesmo feito.

Loja e programadores dividem os lucros e esperam ter compradores satisfeitos. Sobre a propriedade intelectual das aplicações criadas na plataforma, tudo indica que sejam da empresa, dona da store, embora essa questão merecesse esclarecimentos nos termos de uso.

O sucesso destas stores explica-se pelos preços praticados, gratuitos ou a começar nos $0,99, ultrapassando dificilmente a barreira dos $10. Porém, a RIM tem aplicações com custo de $100. Outro factor de sucesso é a diversidade de aplicativos, embora uma análise recente à AppStore indique que apenas 5% dos programas tem uma base de utilizadores ampla, ou seja, acima dos 100 mil downloads. Um sem número de programas estão esquecidos sem grande possibilidade de uso. De qualquer forma, como lidamos à escala global, um programa bem sucedido representa ganhos enormes.

Condição de base para o sucesso está no uso de normas standard e abertas, pois só desta forma viabilizam a integração entre aplicações e universalizam o seu uso, sem condicionamentos de plataforma ou dispositivo.

Algumas AppStores em análise

Da série de App, dei prioridade às que actuam no cenário global. No levantamento realizado, tentei caracterizar o melhor possível cada projecto e, depois, considerei a oferta dirigida aos consumidores e aos programadores.

Segue o quadro-síntese e uma série de comentários motivados pelos dados recolhidos.

appstores_quadro

É óbvia a semelhança entre os projectos, sendo os mais singulares o do Google e o da Sun. A recente vaga de lançamentos de lojas ocorre um ano depois da proeza da Apple, o que é muito tempo neste sector. Isto só prova que os concorrentes foram apanhados desprevenidos e tardiamente se aperceberam do potencial inerente a este modelo de negócio.

O tamanho do mercado neste negócio é algo bastante sensível e condição de sucesso. Se a Apple conseguiu a projecção, sendo por norma uma comunidade minoritária, quando comparada com outras, imagine-se o efeito que pode vir a desencadear a JavaStore, quando a comunidade de programadores de Java é incomparavelmente maior (crê-se que serão 800 milhões activos). Também existem lojas mais orientadas para o mercado empresarial, caso da Nokia, RIM, Microsoft, enquanto a Apple está muito colada à camada jovem e ao lazer, música e jogos. A Microsoft apresenta o problema de não ser para já cross-platform, ou seja, as aplicações só funcionam em dispositivos Windows. A contrariar esta tendência, a Sun lançou um desafio à Apple, propondo-lhe que alinhasse no desenvolvimento do virtualizador Java para o iPhone, permitindo correr aí programas Java. No entanto, a Apple recusou, provavelmente com medo de perder lucros e de dar aos utilizadores iPhone ou iPod a possibilidade de escolher e migrar para outras plataformas.

O número de downloads exprime bem o patamar de acção destas lojas. No entanto, nem sempre tudo corre bem. No caso da Nokia, o lançamento saldou-se num fracasso, por ter ainda poucas aplicações. Para termos noção do que é aceitável para o público, basta dizer que a Apple tem na sua store 35 mil programas (mas encontrei referências a 50000!) das mais diversas áreas e circunstâncias. É difícil neste universo, um utilizador não encontrar uma que lhe encha as medidas!

Há depois outras situações. Veja-se o exemplo do Windows Mobile Market que se apresentou na abertura com 600 programas, mas que na realidade tudo aponta que disponha de mais de 20000 programas noutras plataformas e parceiros. A Microsoft optou por seleccionar as melhores e não centralizar a totalidade das aplicações na sua store.

Relativamente à oferta dos programas prontos a descarregar e a consumir, há em todas as lojas a modalidade do gratuito e do pago. Os preços são acessíveis de uma maneira geral e estão de acordo com a mais valia dada pelo software que se adquire. Em geral é possível reinstalar o programa as vezes que se desejar ou um número determinado de vezes, mas sempre no tipo de dispositivo para que foi adquirido.

A natureza das aplicações cobre quase sempre o telemóvel e os notebooks/ portáteis, mas há plataforma ssó para mobile e a plataforma JavaStore/ javaWarehouse que quer apostar no mercado do desktop, onde tem menos peso.

Umas últimas linhas para os casos mais especiais e diferenciadores: o Android e o Java. Ambos estão alinhados pela filosofia Open source, tendo o Google criado a Open Handset Alliance que reúne 34 membros (HTC, Motorolla, Google, T-Mobile…) com vista à concretização do projecto, pois são eles o garante de contribuições e consolidação do programa. Num caso e noutro, a plataforma é Linux e a linguagem é Java.

A JavaStore é promissora pelo facto do Java ser muito conhecido e utilizado, tendo sido um impulsionador dos milhares de aplicações que cedo inundaram o campo dos telemóveis. Todavia, a aposta da Sun vai para o campo dos netbooks e portáteis, onde têm pouca representatividade. Aliás, o projecto é ambicioso ao ponto de estabelecer como objectivo a criação e desenvolvimento de aplicações para browser, desktop, telemóvel e TV.

Em próximo post, seleccionarei algumas apps de sucesso do iPhone, as que têm feito furor, mas sobretudo as que podem ser úteis no dia a dia ou que simplesmente assentam em conceitos curiosos.