Este título é uma apropriação do nome de uma organização que noticia e promove a tecnologia em benefício do desenvolvimento dos países e dos povos. O website está povoado de bons exemplos e, na minha opinião, é um projecto que devia merecer uma visita, pois são muitos os casos de empenho e aplicação inteligente do progresso tecnológico.
O termo “Commons” remete de imediato para a cultura aberta, de partilha e de colaboração. E nessa linha, gostava de referir dois softwares que deram contributos importantes regionais. Por um lado o OpenMRS, no Haiti, por outro o OpenAtrium nas eleições do Afeganistão, no passado mês de Agosto.
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Não deve ser evidente para muita gente a importância do software numa catástrofe como a ocorrida no Haiti. Arrisco até a dizer que a maioria não terá a percepção do quão fundamental é a disponibilização rápida de informação para intervir. Pois, a verdade é que sem a ajuda da tecnologia, o serviço de auxílio fica mais moroso, desorganizado e ineficiente. Centrando-nos na questão médica, a que o OpenRMS vem em socorro, é preciso, em qualquer situação de catástrofe, registar o máximo de dados para lidar correctamente com a situação e melhorar acções futuras, tanto para o palco dos acontecimentos, como para cenários futuros.
O OpenMRS é um software de código aberto que recentemente recebeu muitos elogios pela rapidez de entrada em produção e pela facilidade de uso e extraordinárias mais-valias. Sendo um software criado para cenários de grande precariedade, muitas vezes sem quase infra-estrutura, tem feito carreira nos registos médicos das campanhas de controlo da tuberculose multi-resistente e do HIV. Para além dessa vantagem, não há lugar ao pagamento de licenças e o sistema tem uma arquitectura simples, porque evita texto livre (informação não estruturada), e aposta em inputs por campos com assento na BD. Isto é extremamente importante na localização, indexação e representação e reutilização dos dados, podendo-se extrair a informação que se quiser. Mais, trata-se de um registo centralizado e estruturado de diagnósticos, procedimentos, tratamentos, drogas, exames, aplicados a um paciente, grupo ou mesmo população.
Mais uma achega: um dos softwares comerciais concorrente e mais conhecido, o EMR Electronic Medical Record, é caro, complexo, requer infra-estrutura que muitos localidades, e até países, não têm, e acaba por ter a informação mais redundante e não tão estruturada.
Uma demo disponível na página do projecto OpenMRS permite confirmar a simplicidade no funcionamento, a possibilidade de acrescentar campos sem programar, e a fácil gestão, aliás nada condizente com aquela carga pesada que associamos a tudo o que é software do sector da saúde.
Nascido no Quénia e Indiana (EUA), que constataram estar a desenvolver um produto semelhante, juntaram-se as equipas de desenvolvimento e criaram este software, que tem sido testado no terreno com mais expressão, quer no Perú quer no Haiti.
Admitem os responsáveis que com a recente experiência no Haiti, o software fica pronto para se propagar pelo mundo que dele necessitar.

Outro caso bem sucedido e com provas dadas é o OpenAtrium, um CMS para Intranet de raiz Drupal.
Uma das empresas especialistas em Drupal, Development Seed, foi convidada a construir o website e a Intranet da equipa de eleições de 20 de Agosto de 2009 no Afeganistão. O desafio era considerável: 1000 utilizadores, distância e infra-estrutura precária, território imenso a mapear quase do zero, complexidade dos dados a recolher (demografia, topografia, etnografia, segurança da informação).
Com tecnologia Drupal, OpenAtrium e muita perícia em tratamento e representação de informação geográfica, os membros da equipa das eleições ficaram ligados por uma Intranet funcional e o website de acompanhamento e resultados da eleições é um exercício de “arte”. Vejam no website das eleições a complexidade dos mapas, a quantidade de informação que carregam, o cuidado em disponibilizar uma frame lateral para contextualizar o conteúdo dos mapas (ver os relatórios).

Só um comentário mais: ainda bem que existe open source e espero sinceramente que caiam em breve por terra as reservas em relação à qualidade e provas das comunidades de desenvolvimento de código aberto. Devemos sempre aplaudir com entusiasmo os bons que partilham o seu melhor com todos.
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