Já há mais de um ano que foi anunciado o filme sobre o Facebook e o seu fundador, Marc Zuckerberg. A estreia tem data para Outubro e as filmagens já estão a decorrer. No IMDB o cast é um sem fim de actores e actrizes. O trailer também já pode ser visto, embora só tenha fragmentos de diálogos.
No meio da história incrível do Facebook, feito “gente crescida” em poucos anos, é evidente o sucesso.
Sobre a “frase-buzz” do filme – You don’t get to 500 million friends whithout making a few enemies, a primeira parte está aí para que se veja: uma comunidade que tem +400 milhões. Arrepiam os números (ver abaixo)! Quanto à segunda parte, parece estar agora a tomar forma mais contundente.
O filme tem por título The Social Network e está baseado no livro “Accidental billionaires”.
Os ingredientes: ambiente universitário de Harvard, colegas, namoradas, escrita de código, “livro das turmas” (classmatch), paixão por tecnologia, geeks, amizade, traição, sucesso desde a primeira hora.
Mark, desde o secundário, mostrou ser empreendedor e pôr as ideias em prática. na altura, com outro colega, criou o Synapse, um leitor MP3 inteligente, porque memorizava as preferências do utilizador. No seu perfil do Facebook confessa ter como interesses pessoais: “openness, making things that help people connect and share what’s important to them, revolutions, information flow, minimalism”.
Em Harvard, agitou toda a universidade, quando a sua rede recém-criada conseguiu funcionar durante 4 horas, pondo em risco a segurança e privacidade da rede institucional.
A sua ideia era já na altura criar rede de consulta de turmas e respectivos alunos, votar fotos, etc. A rede nasceu em 2004. Começou com a universidade de Harvard, mas depressa se estendeu ao MIT, Standford, ensino secundário e empresas. A evolução nas funcionalidades também iniciou e não mais parou. Integração com blogues, fotos, anúncios/ classificados. Facebook marketplace, Facebook platform, Facebook connect, e agora o recente Facebook Open graph, contribuíram muito para a visibilidade e poder desta rede.
Este último conceito mostra bem a ideia perseguida pela empresa – levar a conectividade e a portabilidade ao extremo. O novo botão “Like this” liga utilizadores a marcas, produtos, empresas, figuras públicas. Com tecnologia e dados abertos, é possível criar grafos (ligações entre nós) que potenciam negócios e serviços, pois acedem aos dados públicos das pessoas sem haver necessidade de registo. Por exemplo, o serviço Yelp que sugere restaurantes e eventos, usa o perfil do Pandora, música escolhida pela pessoa, para sugerir eventos coincidentes com o perfil musical.

Esta lógica de tudo ligar, partilhar e avaliar, tornou a rede desde cedo muito apetecível para os investidores. O Pay Pal foi o investidor inicial, mas uma vez valorizada, foram já muitas as empresas a querer comprar acções: Digital Sky Technologies, Microsoft, Bono Vox.
Um post do Royal Pingdom revela o software que sustenta o actual maior website do mundo – a plataforma FB. E a robustez do software e infraestrutura é de facto impressionante se atendermos ao tráfego:
Em Fevereiro, preenchidos 6 anos, FB chega aos 400 milhões de utilizadores.
As linhas fortes: conectividade, lado pragmático, reunir tudo numa plataforma, excelência dos aplicativos, jogos e boa integração com outras redes e serviços como Twitter, parecem compensar um lado mais negro: intrusão, privacidade.
O sonho do FB (e de qualquer empresa) é chegar à expressão “Internet=Facebook”, isto é, ser a porta de entrada e “prender” aí os utilizadores quando se ligam sem que saltem para outros sites. Contudo, à pergunta “What Do You Check First: E-mail or Facebook?” a empresa de estudo ExactTarget revelou que o email ainda é a primeira paragem, como se pode ver nesta criativa infografia de início do dia.

Muito curiosa é também a proposta do Visual Economics que realizou uma infografia sobre a economia do Facebook. Se fosse um país seria o 3º mais populoso (e ficaria no Atlântico). Os estados ou regiões economicamente mais significativos são Zynga (autor de jogos, inclusive o Farmville), em termos de páginas Michael Jackson, Lady Gaga e Obama. A média de tempo despendido diariamente por 200 milhões é de 55 minutos, tempo esse avaliado em 916 milhões de dólares.

Os contornos da guerra são cada vez mais claros e sinais não faltam.
O Facebook iniciou, desde há uns tempos, caça aos talentos das rivais. Recentemente “roubou” ao Google Matt Papakipos, o líder do Google Chrome OS. Mas também Sheryl Sandberg já tinha saltado para o FB antes, verdadeiros rombos nos RH.
O que me faz pensar que o projecto FB seja bastante aliciante e visionário é o facto de cativar pessoas que já não mudam de emprego por dinheiro, mas por ideias. Está o Google a perder o barco? Tem o FB uma estratégia nova para mobilizar as pessoas? São tudo segredos bem guardados, mas que virão a lume proximamente. Será interessante saber o que cada um esconde debaixo da manga. Das experiências e destas empresas saem perfeitos manuais de motivação e gestão de projectos!
Outro factor é o cada vez mais expressivo peso das redes face aos motores de pesquisa. A pergunta “Is Facebook Getting Bigger Than Google?” começa a circular nos corredores, até porque pela primeira vez as redes ultrapassam em tráfego os motores de pesquisa, traduzindo em nome, o FB ultrapassou o Google (dados referentes ao Reino Unido).
Nem tudo são rosas no FB e há pessoas desiludidas e furiosas com a perda de dados que as muitas alterações do layout da plataforma acarreta.
Do lado do Google, já não são rumores. A confirmação do projecto Google Me, alternativa ao Facebook, pode alterar as peças no tabuleiro.
Diaspora é outra rede social, open source, que tem um programa anti-Facebook. Prometem lidar com as questões da privacidade, dar mais controlo ao utilizador da sua própria aplicação e dados. Zuckerberg fez donativo para o arranque do projecto e disse estar muito interessado em seguir esta rede.
Não há dúvida nenhuma que a existência de alternativas são sempre saudáveis para o mercado e até para a empresa que lidera, até porque quando assim é, deixa de estar tão debaixo de fogo. O Google Me será para luta corpo a corpo, mas o Diaspora será sempre um nicho que pode vir a ganhar uma expressão interessante, numa altura em que várias pessoas começam a ficar irritadas com os abusos e a suspirar por algo que controlem elas próprias.
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