Dediquei algum tempo a sondar as plataformas que oferecem alojamento, pesquisa, download, licenciamento e serviços acrescentados na área das fontes para a web. Apesar da variedade, impõe-se uma linha, por um lado a de facilitar ao máximo a vida aos webdesigners, por outro a oferta de produtos/ serviços freebies, ou seja, gratuitos ou parcialmente gratuitos.
A onda começou com projectos como o Typekit e Kernest, mas seguiram-se muitos outros. O curioso é que as plataformas open source estão ao nível e até acima das plataformas comerciais.
Muitas considerações vão sendo feitas a propósito dos vários modelos de negócio. Muitos defendem que a qualidade e grande quantidade de fontes livres existentes não faz crer que as plataformas comerciais venham a ter muito sucesso. Outros acham ridículo o zelo excessivo em criar e controlar licenças de fontes para a web de usos em PC, numa época em que a publicação é sobretudo no ambiente web. Enfim, é sem dúvida um tema quente e em que tudo é questionado, inclusive os cânones do uso convencional dos tipos.
O projecto é ambicioso e organiza-se em três frentes, que concorrem para o mesmo fim, impulsionar e viabilizar o uso generalizado de fontes na web.
O lado mais visível e menos técnico é o Google Font Directory que reúne num repositório aberto 18 fontes totalmente licenciadas para uso por qualquer um, com informação das fontes e autores. São poucas, mas é o pontapé de saída para uma colecção que aumentará sem dúvida, à custa de parcerias e de uploads dos utilizadores. Por enquanto esta funcionalidade não é possível, mas olhando as práticas da empresa noutros projectos, como o Android, por exemplo, tudo aponta para aí. Este directório é meramente informativo e de consulta/ pesquisa.
Outra face do mesmo projecto é o Google Font API, a aplicação que permite embeber as fontes do repositório numa página/ sítio web, estabelecendo a comunicação entre o website destino e os serviços do Google de fornecimento das fontes disponibilizadas. A operação é muito simples e darei dela conta no próximo post.
O terceiro elemento do projecto, na realidade fruto de uma parceria com a Typekit, chama-se WebFont Loader que faz o upload de fontes e controla a forma como é visualizada a fonte, sejam fontes com origem no repositório do Google, do Typekit ou do servidor da pessoa.
Esta plataforma open source para fontes tem a virtude de ter sido pioneira, mas face aos seus comparsas, é tida como tendo um desempenho mais fraco, sobretudo quando comparada com o Typekit e mesmo o Typopheque.
Tal como todas, funciona como repositório, com pesquisa por vários critérios e um processo simplificado de 4 passos para a instalação de qualquer fonte no website desejado. Nos termos de uso, é claramente dito que o uso se limita exclusivamente aos browsers. Apesar de ser possível comprar fontes, a percentagem é residual e a preços acessíveis (máximo $15), porque o padrão são fontes gratuitas.
O responsável e mentor desta iniciativa, Garrick Van Buren, considera que é preferível disponibilizar fontes web nativas e licenças abertas, primeiro porque muita fontes de impressão não se adequam à web e são ficheiros pesados, por outro lado têm um passado de restrições que não se enquadra no novo ambiente. Na mesma linha posiciona-se Chank Diesel no texto “The Sad State of Today’s Web Typography – Fertile Ground for Font License Revolution”, que entra no projecto.O uso pode ser materializado de duas formas: usando a @font-face ou fazendo download para instalação dos ficheiros da fonte no servidor do website.
A fonte é exibida sem qualquer necessidade de ficheiros javaScript, Flash ou outra tecnologia. O trabalho é feito inteiramente pelos navegadores, não importa quais.
Na origem do Typekit estão Jeffrey Veen e Jason Santa Maria que projectaram uma plataforma tecnológica de alojamento de fontes gratuitas e comerciais com implementação rápida, simples e excelente performance ao nível dos resultados de publicação nos websites. É aliás uma das bandeiras do Typekit, a qualidade dos seus servidores para lidar com os pedidos e satisfazer com profissionalismo os pedidos à plataforma oriundos de todo o mundo. Garantem também a protecção dos direitos de autor das fontes que aí são publicadas com restrições.
O funcionamento é simples: registo prévio, criação de kit (lista de websites we fontes a usar), com adição de linha de código de JavaScript ao ficheiro HTML de cada website. O CSS é editável no interface do Typekit.
São três os planos: personal, professional, performance, desde os $24,99 aos $99,9 variando o leque de fontes acessíveis, a quantidade de fontes a usar num website e o nº máximo de websites. Por $50/ano é possível ter acesso a todas as fontes e usar aplicá-las sem limite de nº de fontes e nº de sites. A BD da autoria de Brad Colbow explica o funcionamento.
Projecto que tem a Monotype Imaging por trás, sendo a versão web fonts do site fonts.com O que impressiona neste projecto é a quantidade de recursos: 2000 fontes gratuitas (na versão beta do lançamento da plataforma) e aguardam-se 7000 comerciais. O suporte multi-língua é outro ponto forte, o que não é de subestimar, quando o tema são fontes. Nesta fase, o registo é gratuito, mas depende de convites que são limitados, sendo que para tal se cria um projecto a que se associam determinadas fontes.
Como já esboçado, é preciso criar projectos ou um projecto em quatro etapas, depois de já estar provido de código de subscritor. Primeiro; escolher as fontes que deseja usar; listar os websites ou website em que deseja intervir; definir o CSS para as etiquetas do HTML (h1, h2, body, nav, etc.); adicionar uma linha de código no ficheiro HTML. Este sistema tem a vantagem de permitir gerir as fontes usadas em cada website, permitindo as alterações a partir do interface da plataforma sem ter de mexer de novo nos ficheiros do website em questão. Estes serviços de valor acrescentado é que acabam por marcar a diferença.
The League of Movable Type é um movimento interiramente open source. Os mentores, Caroline and Micah, sublinham a importância do projecto que não é contra as tipografias nem criadores de tipos, antes pelo contrário. Explicam que é uma forma de promoverem e aprenderem a estar na web. Defendem que um bom criador só ganha em disponibilizar um tipo criado por si para uso gratuito, tanto para fins comerciais como não. Porém, esclarecem que qualquer fonte modificada requererá uma licença open como a sua antecedente – SIL Open Font License.
É um projecto original que reúne para já 11 fontes de muito boa qualidade, já que a aceitação de fontes propostas para a colecção exige critérios elevados de qualidade.
As fontes estão prontas para download e uso por qualquer utilizador e são efectivamente bonitas e elegantes. Nos 11 tipos, é possível encontrar um leque variado.
Reúne centenas de fontes, podendo ser descarregadas em ficheiro ttf simples ou em kit @font-face. Este kit traz a fonte em ficheiros de vários formatos formatos (ttf, eot, svg, woff), o texto da licença, uma demo e ainda o ficheiro css para ser colado no style.css do website.
Este repositório oferece ainda a possibilidade de testar fontes com texto próprio, de submeter fontes através do seu @Font-Face Generator.
Relativamente às licenças aplicadas às fontes, é preciso ter em atenção e ler com cuidado a secção license em cada fonte, porque há licenças para todos os gostos. EM princípio, são os próprios autores que definem como querem que seja usada a fonte, se há restrições de uso, etc. Existe também disponível o contacto. No entanto, há muitas fontes que foram recolhidas na web e cuja autoria não foi reclamada (fontes “órfãs”). A Font Squirrel descarta responsabilidades relativamente a má interpretação e incorrecto uso das fontes. As licenças sem restrições são: End User License Agreement (EULA), SIL Open Font License.
OUTRAS
No Typotheque é possível comprar licenças de uso do software, havendo várias modalidades de uso: licença básica (utilizador único), multi-utilizador; @font-face com código para embeber; licença global, etc. Esta última não impõe qualquer restrição, como por exemplo o tráfego por mês.
Em FontSpring paga-se uma vez e tem-se acesso por subscrição anual a fonte para uso num website.
No FontDeck a licença é paga à unidade e começa nos $6.49/ano, defendendo-se o custo à medida do uso.
Finalmente, em Just Another Foundry o preço de uma família começa nos $19/ano.
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