Repassando o seu percurso e a origem do GGD, Sarah falou da instalação precoce dos estereótipos e da necessidade de estimular as meninas para as áreas tecnológicas. Contou que desde cedo se interessou por gadgets e sempre adorou resolver problemas, mas que foi um professor que aos 18 anos a influenciou no sentido da escolha das TI e não do Direito, como definira inicialmente.

Portanto a imersão desde cedo a a escola são fundamentais para que homens e mulheres dêem o seu contributo a áreas tão essenciais como as tecnologias.
Da sua experiência, referiu que os homens gostam de mulheres no local de trabalho, e que o IT ajuda a partilhar, encoraja a experimentar, desafia estereótipos, inspira professores e pais. Actuar nas escolas é muito importante para ter impactos.
Deixou uma mensagem forte e suficientemente clara de actuação de todos nós:
Registo áudio:
Esta intervenção no 5º Girl Geek Dinners de 19 de Fevereiro procurou dar a conhecer o panorama do empreendedorismo de raiz feminina no país. Mas, como é apanágio em Portugal, faltam estatísticas e o estudo mostrou ter uma base de trabalho muito pequena e nada representativa da realidade.
Uma das fontes utilizadas foram inquéritos às mulheres inscritas na APME (Associação Portuguesa das Mulheres Empresárias), tendo-se obtido uma trintena de respostas num universo de 300 associadas. Outra fonte foi a análise dos Conselhos de Administração das empresas do PSI20 (11 mulheres, mas 3 com funções executivas).
Há alguns dados curiosos, mas muitas perguntas ficam em aberto. O self-employement feminino é negativo. Representa 20% do total do emprego feminino. Regista-se que 84% tem emprego próprio com altos e baixos, mas as que empregam, fazem-no de forma muito estável.
Seria muito útil saber em que áreas as mulheres estão a apostar, de que idades e em que circunstâncias.
O micro-crédito representa nos tempos mais recentes uma oportunidade para muitas pessoas de avançarem com o seu próprio negócio. Parece-me que a informação desses organismos não foi considerada no estudo e, diga-se em abono da verdade, que a análise do PSI20 não dá propriamente um retrato nacional. Na relação instituição-instituição não creio que fosse complicado obter estes dados. Embora defenda preferencialmente que qualquer organismo púbico deva ter os seus datasets acessíveis e prontos para consulta e análise por parte de quem deseje. Por estas e por outras, o Datamasher (feito em Drupal) e os OpenData são tão expressivos nalguns países. Disponibilizar os dados do trabalho dos organismos não é opção, antes obrigação e um serviço público.
Registo áudio:
Na 5ª edição dos encontros PGGD (Portugal Girl Geek Dinners) foi tema o Face in Motion: interactive solutions for real life solutions por Verónica Costa Orvalho.

Verónica Costa Orvalho tem o doutoramento pela Universidade Politécnica da Catalunha em Desenvolvimento de Software (Computação Gráfica), centrando a sua investigação em “Facial Animation for CG Films and Videogames”.
Desde pequena que gosta da animação e realização de filmes e já trabalhou com empresas como a IBM e Ericsson, e produtoras de filmes. Recebeu vários prémios no contexto dos projectos “Photorealistic facial animation and recognition”, “Face Puppet” e “Face In Motion”.
É actualmente professora da Universidade do Porto, directora de Porto Interactive Center e co-fundadora da empresa Face In Motion. Colabora com diversas empresas de filmes e jogos, nomeadamente, Blur Studios, Electronic Arts, Microsoft Portugal, Dygra Films, e grupos de investigação das universidade de Stanford e Politécnica da Catalunha.
Apresentou entusiasticamente o seu trabalho que, de forma muito simplista, consiste em captar expressões da face e do corpo. Ora, realizar investigação para o mercado nesta área fica extremamente caro, por isso concorre a projetos para arranjar financiamentos: Golem, Vere, LifeisGame. O Vere, por exemplo, embebe a pessoa num mundo virtual de estímulos. O LifeisGame reconhece e analisa expressões e cria corpora para referência das emoções humanas.
O alvo direto do produto do seu trabalho é a indústria dos jogos e animação, mas também a reabilitação por exemplo e a área da saúde em geral.
A criação da empresa Face In Motion tem os seguintes objectivos: automatizar o que é “conceptual art” via scanning 3D (implica modeling, rigging – control); dar qualidade cinematográfica ao produto; democratizar o acesso e custo à tecnologia de ponta nesta área; proceder à validação do trabalho por modelo, o que representa redução de 90 a 99% do tempo e esforço na elaboração dos personagens, pois obras que tomavam meses e não eram reutilizáveis são o target desta solução Esta solução ainda visa a eliminação de erros decorrentes da execução de tarefas repetitivas.
O objectivo não é evitar artistas, apenas dar mais controlo e acesso à qualidade, usando as possibilidades tecnológicas. O conceito por detrás é: “create once, use many”, o que implica a abstração do modelo: 3 personagens animadas diferentes apresentam expressões faciais semelhantes, sem que isso tenha representado um trabalho triplicado, como exemplificado com um curto vídeo.
O Face in Motion tem estado a colaborar em muitos filmes de animação e 3D. A estratégia inicial foi a de contactar empresas (Filmax, Sony, Blur, Weta, Pixar) para identificar problemas, todas eles a apontar para as caras/ expressões.
O trabalho com empresas do setor dura há mais de 7 anos e Verónica explicou que recebe o material sob cláusulas apertadas de confidencialidade e entrega de resultados. Criou uma relação de confiança e tem tido muitas oportunidades de investigar nestas empresas.
Na parte das questões, o público interessou-se por saber detalhes e colocou um par de questões muito oportunas que ajudaram a aprofundar o tema.
A Verónica disse que usavam OpenGL, Mathlab e álgebra linear para calcular os pontos no rosto de um personagem que são transpostos para outro rosto distinto automaticamente sem qualquer esforço adicional. Ainda explicou que não eram necessários conhecimentos de anatomia, porque a ferramenta trata de transpor/converter a partir de 6 pontos fulcrais de referência.
Uma questão colocada foi a de que se achava que fazia sentido apresentar uma watermark a assinalar uma produção ficcional para alertar as pessoas do facto, tal é a semelhança com a realidade. Confessou que nunca tinha pensado no assunto, embora reconhecesse fazer sentido. Outras opiniões lembraram que a diferenciação realidade/ ficção já se coloca noutras situações, caso da manipulação da fotografia, mas pessoalmente considero que esta questão se vai colocar cada vez mais com acuidade, até porque não será mera manipulação, mas pura imersão em mundos virtuais.
Registo áudio:
Apesar dos vários meses que nos separam deste evento a qualidade dos conteúdos discutidos e das apresentações não o deixam caducar!
Apresento agora mais uma das sessões do DebianDayPT 2010, que decorreu na Universidade de Aveiro a 04 de Setembro de 2010. O orador foi Luís Miguel Picciochi de Oliveira (mais conhecido por Pitxyoki) e apresentou o seu projecto de Computação Científica Distribuída com Recurso a GPUs.
Trata-se de uma abordagem à utilização de GPUs, cada vez mais acessíveis e com mais capacidade de processamento, na computação científica. O conceito gira em torno do desenvolvimento de uma framework para escalonamento de trabalhos em ambientes heterogéneos e distribuídos, e com suporte para diferentes configurações. Isto passa pela utilização de diversos componentes independentes e potencialmente distribuídos por várias máquinas como o Job Scheduler, o Job Manager e o PU-Manager.
Abaixo os slides da apresentação:
E o registo vídeo efectuado (gravação original gentilemente cedida por elmig):
O 1º aniversário de Girl Geek Dinners Portugal foi assinalado com uma sessão de luxo em termos de conteúdo e convívio.
O formato foi iniciado por Sarah Blow há cinco anos em Londres e pauta-se por ideias simples que funcionam: juntar num espaço experiências no feminino na área da tecnologia, favorecer o networking e o passa palavra num ambiente descontraído, de partilha de projectos e de ideias.

O anfitrião foi o Clube Literário do Porto, cujas instalações são muito bonitas, cómodas e com vistas fabulosas para o Douro, pois fica na Rua Nova da Alfândega. O excelente programa cultural e as estantes carregadas de livros deliciosos foram inspiradores. Mas os encontros Girl Geek Dinners não têm um local exacto. A filosofia inerente ao projecto é o nomadismo, deslocando-se para onde houver ideias a apresentar e projectos a dar a conhecer.
Quatro sessões preencheram a tarde com novidades e projectos muitos diferentes, mas com uma característica comum – recusa em ficar na gaveta a aguardar melhores dias. Tratamento gráfico automático da expressão das personagens dos filmes de animação, empreendedorismo feminino português, empreendedorismo social e origem e motivações do programa e missão de Girl Geek Dinners, marcaram a agenda deste 5º encontro de PGGD num ano.
A Vânia Gonçalves criou o grupo há um ano e é ela própria bastante empreendedora e dinâmica, não se cansando de passar a mensagem que faz o sucesso das GGD em todo o mundo: spread the word, tell us your ideas and suggestions. A cada encontro tem conseguido abordar temas interessantes, convidando empresas e empreendedores individuais: jogos online, empreendedorismo feminino, mobile, software as a service.
Este trabalho não é de todo fácil, porque implica procurar temas actuais, projectos que comuniquem bem, patrocinadores. Os patrocínios não são obrigatórios, mas bem-vindos, porque permitem brindes aos participantes, lanche, cedência de espaço ou jantar. Os patrocinadores neste aniversário foram a Universidade do Porto, ELO e Clube Literário do Porto
Este encontro reuniu cerca de 40 pessoas, tendo sido o mais generoso em participação dos 5 realizados até à data.
A língua franca do encontro foi o inglês, até porque a fundadora esteve presente.
Os participantes têm, regra geral, percursos muito interessantes com formações em universidades estrangeiras. Ninguém se coíbe de chegar ao conhecimento e enriquecer a sua visão e/ou experiência esteja a oportunidade onde estiver. Londres e Barcelona são centros activos para realização de projectos de cariz tecnológico.
Ao contrário do que se possa pensar, Girl Geek Dinners não é elistista nem feminista. O objectivo e prática são o de dar visibilidade e expressão a uma realidade ainda pouco expressiva, mas necessária. Mulheres com carreira tecnológica ainda não é corrente, mas não é um problema exclusivamente português. A Sarah testemunhou haver poucas adolescentes que seguem a carreira das tecnologias e ciência. Um cenário a mudar, para um futuro com mais oportunidades e profissionais mais felizes. A paixão das pessoas que laboram nestas áreas é indubitavelmente mais marcada e vívida.
Por tudo isto os Girl Geek Dinners são acontecimentos a não perder.


Ontem Manu Sporny criou um repositório com os seus dados genéticos no Github, permitindo a análise e tratamento dos mesmos por qualquer indivíduo, instituição ou empresa. Os dados estão disponíveis sob uma licença CCO – Creative Commons Public Domain License.
Convém esclarecer desde já que não se trata do genoma completo, mas sim dos dados genéticos que se podem obter a partir do serviço 23andme. O genoma humano possui cerca de 10 milhões de marcadores genéticos, sendo disponibilizados por este serviço a “somente” identificação de perto de 1 milhão e a análise de 160. Esta análise estatística elabora sobre a probabilidade de desenvolver no futuro determinada patologia com fundamento no código genético. Esta iniciativa levanta mais uma vez questões relativas à privacidade, protecção de dados e à acessibilidade ao que somos na essência. Esses temas e como o “autor” do código genético os equaciona são discutidos no seu blog, em particular nos comentários que surgiram de imediato. Sobre isso não farei comentários pois sai do objectivo deste artigo.
Não se pense contudo que esta atitude é inédita, pois já existem vários projectos similares que vieram à luz recentemente. Por exemplo o genomes unzipped, o Personal Genome Project, o Harappa Ancestry Project, e o Download my Genome de Sam Snyder. Os objectivos destes projectos variam na forma, mas orbitam a criação de ferramentas de análise e visualização da sequência genética. Deste modo procura-se acelerar o desenvolvimento de soluções de auxílio à investigação de doenças de origem genética. Uma base de conhecimento sobre a análise do código genético é a SMPedia, uma wiki onde se regista o significado de cada marcador genético e onde se alojam algumas ferramentas de análise do mesmo. Neste caso concreto o autor pretende gerar uma dinâmica de comunidade em torno de projecto de software livre que resulte em ferramentas web para melhorar os outputs actualmente disponíveis para tratar este tipo de dados. Em paralelo está a desenvolver uma startup em torno de uma aplicação com este mesmo objectivo. Outro projecto que já tem código utilizável é o que Nikhil Gopal apresenta. Tratam-se de ferramentas em Python para analisar os dados disponibilizados pela 23andMe. Também estão acessíveis num repositório Github.
Mas, não fosse o Github uma plataforma comunitária onde não há limites à imaginação, entre os vários forks que já se fizeram do código genético de Manu Sporny (14 no primeiro dia!), já existem patches que resolvem “bugs” e melhoram as capacidades do ser “original”. É o caso do TeMPOraL ou do cariaso, que resolveram um problema com o fechar da pálpebras e removeram o risco de doenças coronárias.


Sem deixar de ter o seu humor, é uma perspectiva verdadeiramente assustadora, este tunning do ser humano. Daqui a quanto tempo não se passará dos testes em software com a diminuição das “issue cues” aos protótipos de carne e osso?
Muito se tem falado ultimamente sobre os sistemas operativos a propósito do Chrome OS, “Noting but the web”, não o navegador, mas o novíssimo sistema operativo do Google com estreia marcada para 2011.
A razão dos zuns-zuns prende-se com o facto de ser um sistema sem instalação local, inteiramente operacional na cloud. Não se pense que o Google está sozinho nisto, porque outras empresas estão a desenvolver o mesmo, ex. Jolicoud. Mas um outro motivo forte para os zuns-zuns é a alteração do actual quadro de líderes dos sistemas operativos tradicionais – Microsoft e Apple. E como não se pode dizer que estes estejam propriamente a dormir, de que forma estão a marcar a sua posição neste novo cenário?
Há cerca de três anos, a cloud era certamente um bicho muito assustador para empresas e utilizadores individuais. Todavia, lentamente, as pessoas passaram a usar pequenas aplicações, periféricas em relação às suas necessidades, alojadas na cloud. Começaram por guardar as suas fotos no servidor do Flickr ou Picasa, entretanto, descobriram a comodidade do Gmail e sincronizaram todos os seus dispositivos pelo repositório de email nos servidores do Google. Passaram a guardar algures os seus vídeos, caseiros ou profissionais, entretanto os projectos e outros documentos para mais facilmente poderem partilhar e trabalhar colaborativamente, bem como o seu portefólio, currículo, etc.
Com tantas aplicações na cloud usadas diariamente, passar a ter aí todo o sistema operativo não parece nada de outro mundo. Basicamente o PC, netbook ou smartphone, são meros terminais ou clientes de um mega-servidor onde ficam alojadas as aplicações para trabalhar e gerir todo o sistema, bem como os dados.
Não faltam vozes a levantarem-se contra esta tendência, sendo uma das mais ásperas a de Richard Stallman da Free Software Foundation que advoga que o SO (sistema operativo) na cloud representa a perda do controlo dos ficheiros, mas também a perda de controlo do sistema, dados, os ficheiros, porque tudo passará a estar nas mãos de empresas. Em várias intervenções, deixou claro que sistemas como o Chrome OS enganam os utilizadores. Apresentam a necessidade de armazenar menos no local como uma vantagem, pois os servidores Google tomam conta desse processo, mas que na verdade isso é um perigo.
Apesar do alerta ser legítimo, não se vislumbra que a tendência desacelere dados os benefícios imediatos. Quem ainda não experimentou o gozo de poder usar uma Dropbox, o iTunes, o UbuntuOne para aceder aos seus dados em qualquer momento, de qualquer parte do mundo, desde que tenha conexão à rede?
Para já, o sistema operativo mais famoso é o Chrome OS, mas há e surgirão muitos mais. Jolicloud, uma solução da empresa francesa Vye, está pensada para netbooks e tem por base o Ubuntu, um interface atraente, e ainda mistura aplicações locais (por ex. GIMP para edição gráfica) e web apps.
O que distingue estes sistemas operativos dos convencionais é o uso exclusivo ou quase exclusivo de aplicações para web, a passagem do desktop para a web, a rapidez, a facilidade de sincronização com qualquer dispositivo que se ligue à conta, e o único requisito para funcionar ser a conexão. Já não são precisos conhecimentos ou tempo dedicado à instalação, actualização do sistema. Qualquer aplicação não disponível que se deseje, basta um simples clique para a activar, funcionando o mesmo para desligar. Um sistema intuitivo de switch on e off e uma imersão completa no mundo web e nas aplicações sociais, de produtividade, e outras que venham a surgir.
Na CES de Las Vegas, Feira das novidades em tecnologia, passa a ideia de que no futuro já imediato, os sistemas operativos vão também estar presentes nos electrodomésticos e toda a gama de dispositivos, porque a tendência que começa a ganhar contornos visíveis é a de soluções hardware+software+serviços num único acto. Isto significa que nos bastidores, as empresas dos vários sectores, que têm trabalhado separadamente, terão agora que coordenar esforços e pensar produtos e serviços conjugando tudo num só.
A Apple é a empresa com maior experiência nesta área, porque sempre pensou o hardware em função do software e vice-versa, controlando o processo. Há também alguns anos, passou a controlar o 3º elemento, o dos serviços, ao lançar as suas plataformas, a App Store, o iTunes.
Esta perfeita sintonia entre as peças chave na construção do produto/ serviço final vai ser cada vez mais decisiva e fundamental para o sucesso.
Extrapolando o dito para um exemplo prático, os fabricantes dos frigoríficos terão de aproximar-se de empresas que desenvolvam aplicações e software a incorporar no frigorífico, e os dois terão de atrair um outro parceiro que se encarrega da oferta do serviço de entregas e encomendas ao domicílio – um hipermercado/ distribuidor.
Um outro exemplo, este já um produto no mercado, o Withings Smart Baby vigia o bebé, transmitindo imagens e sons através do sistema operativo Android e do iPhone. Portanto, o campo de aplicação é vasto.
Neste cenário, os sistemas operativos mais abertos, flexíveis e com mais massa crítica e programadores associados, vingarão por certo. E o sistema Android, agora utilizado para smartphones, poderá vir a ser estendido a outros dispositivos. Ou mesmo o Chrome OS ou qualquer outros sistema que reúna as vantagens referidas.
Com a chegada da cloud, os sistemas opertivos não perigam, pelo contrário, alarga-se o âmbito de aplicação (da informática aos electrodomésticos). Eles estarão por todo o lado, simplesmente poderão estar alojados localmente ou num qualquer servidor na Internet.
O ano de 2010 ficou marcado por várias movimentações, avanços, mas também recuos no mundo da tecnologia open-source.
Cada vez é mais real a presença do open-source no dia a dia das empresas e pessoas, sobretudo se considerarmos o móvel e a cloud computing, onde o Linux tem forte presença.
Destaco alguns episódios associados a marcas conhecidas do mundo do open-source.
O Linux conheceu ao longo dos anos centenas de distribuições, e a SUSE acaba de lançar um serviço que permite a qualquer pessoa criar a sua própria distribuição, o SUSE Studio.
Todavia, o Ubuntu é a mais bem sucedida, a que aposta numa adopção generalizada e trabalha a usabilidade com profissionalismo.
A estratégia da Canonical está claramente definida e não se cinge aos PC, porque o futuro está na série de dispositivos móveis, sejam tablets ou smartphones com que a empresa e a comunidade Ubuntu vai querer cruzar em 2011.
A casa-mãe de uma outra distribuição Linux, SUSE e OpenSUSE, está a ser alvo de um negóciod e contornos pouco claros entre a Attachmate e a Microsoft. É a tentativa da Microsoft impedir a VMWare de adquirir a Novell e de dar mais um passos no mundo do Linux.
As posições ambíguas e desconcertantes deste gigante têm sempre efeitos perversos no open source. O Drupal foi um dos casos. Depois da Microsoft ter a colaboração da comunidade para criar código, queria cobrar pelo produto. Os utilizadores e a comunidade SUSE e OpenSuse têm bem razões para estar apreensivos.
Um thriller e uma machadada forte na comunidade open-source com a compra e desmantelamento da Sun Microsystem que era um viveiro de projectos e inovação – BD MySQL, sistema operativo Solaris e OpenSolaris, OpenOffice, Java.
A Oracle sempre liderou e marcou posições no campo empresarial. Se aquando da compra da Sun, não se sabia exactamente o que pretendia fazer com os produtos e desenvolvimentos herdados, ao longo deste ano isso ficou claro. Os planos eram comprar para eliminar a concorrência. Temendo o pior, a Apache pegou no projecto Java da Sun e fez um fork. O mesmo aconteceu ao nível das BD, a MariaDB é já um fork do MySQL por se recear o abandono do projecto.
Acerca do OpenOffice, declarado morto por muitos, revitaliza agora com o nome LibreOffice. É verdade que a concorrência das aplicações web Office (Google Apps e Zoho) marcam pontos e estão ambientadas ao meio web onde nasceram e se desnvolveram, mas por outro lado, em países onde a ligação à Internet não é um dado adquirido, aplicações office locais fazem sentido. Além disso, a comunidade do LibreOffice acha que terá agora condições para crescer e desenvolver o código que durante muito tempo esteve impedida de fazer debaixo da Oracle.
A maior parte das pessoas desconhece que muitas das aplicações que usa têm tecnologia open-source na base. Se pensarmos nos milhões de sites com bases de dados, servidores, etc. Mas também é usual nalgumas empresas usar código aberto, como o faz o Google.
O seu sistema operativo Chrome OS, tal como o Android para os smartphones, tem n