Deixo aqui a minha visão acerca da Con realizada na Dinamarca – Copenhaga. É sempre difícil escolher entra tantas propostas e fazer uma súmula que acrescente algo. Destaquei os temas em que apostei e que me chamaram mais a atenção.
Entusiasmo e expectativas elevadas da comunidade em torno do D7 que aposta forte na mudança de imagem, mais cuidada, e na incorporação de mais módulos no core. Assisti à apresentação da Angie Byron e ela é de facto espectacular no contágio e apoio à causa Drupal. Colocou a ênfase na mudança de nome dos content types por defeito (article, basic page), no suporte à imagem, no uso directo de tags sem ter de criar vocabulário na taxonomia, vertical tabs por toda a interface, alargamento dos campos cck, a passagem de taxonomia, users e content a entidades. Houve muitas outras apresentações ligadas à mudança de terminologia – entidades.
Durante o evento, uma equipa esteve sempre a trabalhar para reduzir os inicialmente 23 critical issues. Mas no final, o número aumentou e está actualmente em 29.
Tema preponderante, estando a ser feito um esforço no sentido de alavancar o processo do theming e aumentar a qualidade dos resultados. Empresas como a Four Kitchen, Chapter Three, ou vedetas do theming, como Mark Boulton e Jen Simmons, marcaram presença. Assisti à sessão de Boulton que agrada sempre pelos exemplos escolhidos, pela teoria à volta do theming, pelos conceitos defendidos e explicados. Achei a Simmons, tanto na sessão com o Morten como na sua, com dificuldade em ser objectiva. Disse que usava um tema parent, baseado na grid 960, e falou muito de como coordenar equipas e trabalho. Mais prática foi a proposta de Nica Lorber que explicou que usam o Fireworks e uma template modelo que acelera o processo. Mas a abordagem dada pela Four Kitchens foi a mais estruturada e completa, veja-se o guia que disponibilizam.
O Drupal Commons da Acquia estava a ser divulgado com 3 semanas de vida. Também o Drupal Gardens (SaaS para websites drupal com base D7) fez um brilharete ao criar um website para um museu em três penadas. Managing news, Openpublish são outras distribuições que estiveram em foco. Neste momento, o Openpublish precisa de traduções. É um projecto muito bem organizado e apoiado pela Acquia.
Features, Drush, são alguns dos módulos badalados que permitem criar rapidamente e cada vez mais com qualidade distribuições para fins específicos.
Aegir e a sua equipa pontuaram bem. A discussão a que assisti foi muito animada e curiosamente, quando criticavam a Microsoft, o elemento afirmou estar interessado em fazer parte da solução!
Neste capítulo, houve insistência ainda no uso de rules, do make file, do GIT, do simple test.
A dupla Stéphane Corlosquet e Lin Clark fizeram uma esclarecedora introdução aos conceitos e realizaram duas BOFs, tendo eu participado numa. Este grupo está muito receptivo a propostas e case studies, pelo que solicitou aos presentes a exposição dos seus projectos, dificuldades e necessidades.
Foram apresentados vários, sobretudo ligados aos media, mas assisti apenas ao do Information, projecto dinamarquês que avançou, mesmo sem OpenCalais. Johannes Wehner expôs obstáculos, apresentou a sua metologia e formas de contornar problemas e apresentou resultados, ciente de que é preciso melhorar. Gostei do projecto e da atitude.

Infelizmente não assisti à sessão Group (OG) Building Social Networks in Drupal 7 que parece ter sido uma animação do primeiro ao último minuto e foi mencionada como a melhor de todas pelo público. A abordagem de Amitai Burstein é bem humorada enquanto explica os meandros do novo módulo Group para o qual contribui.
O Dries projecta o Drupal a 10 anos, Jeremy explica o HTML5 e standards, o Rasmus faz uma análise do uso do PHP pelo Drupal e deixa recomendações. Qualquer uma delas tem muito conteúdo e requer visualização obrigatória.
Vídeos – Keynotes, e algumas sessões – http://vimeo.com/14406353
Apresentações e/ou vídeos – http://www.drupalcenter.de/node/29928
Vídeos – http://www.archive.org/search.php?query=drupalcon%20AND%20subject%3A%22DrupalCon%20Copenhagen%22
Vídeos extra – http://drupalradar.com

Ontem decorreu o 3º DebianDay em Portugal, dedicado à distribuição GNU/Linux Debian. Infelizmente não seguíamos a comunidade Linux em Portugal de uma forma regular para saber das 2 edições anteriores, mas mais vale tarde que nunca.
A Universidade de Aveiro cedeu uma das suas salas, com excelentes condições para este tipo de eventos. O dia esteve impecável, o almoço no Autocarro Bar muito bom e a organização merece um louvor.
A audiência, apesar de reduzida em número (seriamos entre 30 a 40) demonstrou bastante interesse nos temas tendo-se gerado um excelente ambiente. Eventos destes fazem falta, não só pelo aspecto técnico, mas principalmente pelo networking e dinamização de um sentido de comunidade cívica cada vez mais difícil de encontrar.
O orador principal foi Martin Michlmayr que exerceu o cargo de DPL (Debian Project Leader) e actualmente estuda o controlo de qualidade de software livre e nos ports para MIPS e ARM. Está também envolvido no desenvolvimento do instalador Debian, especialmente para dispositivos de armazenamento de rede (NAS).
O programa contou com as seguintes apresentações:
Gravei algumas das apresentações em áudio e colocá-las-ei em entradas posteriores.
Esta é a última parte da minha odisseia em torno das fontes para web com experiências à mistura. Espero que gostem e dêem feedback da vossa perspectiva e uso deste novo meio.
Alguns conselhos são do bom senso e funcionam para a tipografia em geral, mas outros são específicos da web. Há quem defenda até que a tradição deve ser esquecida, porque há cânones não aplicáveis ao ambiente www.
Usar com moderação as fontes numa mesma página ou site, caso contrário obtém-se uma salada russa sem qualquer interesse ou função.
Não ir com ideias feitas acerca das fontes serifadas e não serifadas. Esta chamada de atenção vem de John Boardley neste artigo em que afirma que é comum ver-se tipos com um efeito espectacular na web e muito maus no papel e vice-versa. Aconselha a ler o texto, a experienciar a leitura e a usabilidade dos tipos escolhidos e a realizar testes, inclusive em vários monitores.
Ser criterioso na escolha da fonte, porque a fonte não é mero veículo de sentido. Ela tem também uma carga e pode tornar-se mais facilmente memorável, reconhecível, familiar. Por exemplo a helvetica perdura na memória.
Procurar a expressão máxima da fonte: bom controlo do contraste; tamanho não inferior a 10/12px, de preferência deve ser maior; uso de caixas e hierarquia de fontes; ceder espaço para o texto respirar; usar a largura entre as letras adequada (line-height), são ainda outros pontos sublinhados.
Com a solução @font-face são os navegadores que processam a fonte. O formato WOFF será no futuro usado por quase todos os navegadores, mas para já o cenário é o seguinte:
A forma de processar de cada navegador é diferente. Enquanto uma página com fontes @font-face é carregada, há dois comportamentos típicos: no caso do Chrome, Safari, IE, o espaço onde as fontes vão aparecer mostra-se em branco até ficarem totalmente carregadas e disponíveis. No caso do Firefox, é carregado um formato de fonte por defeito que é substituído pela fonte seleccionada assim que ela fica disponível.
À pergunta se o processamento das fontes pelos navegadores torna as páginas mais difícies de carregar, há para já algum risco disso, sobretudo se é necessário carregar muitas fontes. Por isso é tão importante a plataforma que disponibiliza as fontes e o uso comedido e responsável das mesmas. Porém, há um truque para minimizar efeitos que consiste em colocar a tag <link> refernte à fonte em primeiro lugar. O Web Font Loader do Google/ Typekit é um aplicativo em java que optimiza e parametriza este processo.
A tipografia é uma paixão e os seus profissionais levam-na muito a sério. Os blogues transpiram conteúdos muito pertinentes, além de serem eles próprios um exemplo do bom uso das fontes. Quem achava que a tipografia estaria condenada, que se desengane, porque o fôlego é maior e a força dos tipos é imparável. São muito profissionais envolvidos e com muita experiência (tipógrafos, webdesigners, editores, criativos, comunicadores…)
A list apart tem bons artigos e dá perspectiva histórica
I Love typography tem também muitos tópicos sumarentos e bom gosto.
O procedimento é muito simples, como se pode ver nesta sequência de passos. Fiz a experiência neste mesmo blog do Wordpress, que dá acesso aos ficheiros css ou php através da interface. Mas qualquer tipo de blog ou website permitem com mais ou menos facilidade realizar isto mesmo.
Nota: é preciso ter em atenção na definição do URl que é preciso dizer onde está a pasta com os ficheiros da fonte. O path deve ter /.
Abrem-se muitas possibilidades com esta forma tão simples e rápida de obter fontes. Relativamente às plataformas, inclino-me para a Font Squirrel já que tem muito mais fontes que o Google e é 100% free. Devemos contudo ter o cuidado de seguir escrupulosamente as indicações de licença dos respectivos autores e actuar em conformidade. Na maior parte dos casos, o que é determinantemente proibido é comercializar e vender/ redistribuir a fonte.
Boas experiências com estes novos serviços.
Dediquei algum tempo a sondar as plataformas que oferecem alojamento, pesquisa, download, licenciamento e serviços acrescentados na área das fontes para a web. Apesar da variedade, impõe-se uma linha, por um lado a de facilitar ao máximo a vida aos webdesigners, por outro a oferta de produtos/ serviços freebies, ou seja, gratuitos ou parcialmente gratuitos.
A onda começou com projectos como o Typekit e Kernest, mas seguiram-se muitos outros. O curioso é que as plataformas open source estão ao nível e até acima das plataformas comerciais.
Muitas consiuderações vão sendo feitas a propósito dos vários modelos de negócio. Muitos defendem que a qualidade e grande quantidade de fontes livres existentes não faz crer que as plataforma scomerciais venham a ter muito sucesso. Outros acham ridículo o zelo excessivo em criar e controlar licenças de fontes para a web de usos em PC, numa época em que a publicação é sobretudo no ambiente web. Enfim, é sem dúvida um tema quente e em que tudo é questionado, inclusive os cânones do uso convencional dos tipos.
O projecto é ambicioso e organiza-se em três frentes, que concorrem para o mesmo fim, impulsionar e viabilizar o uso generalizado de fontes na web.
O lado mais visível e menos técnico é o Google Font Directory que reúne num repositório aberto 18 fontes totalmente licenciadas para uso por qualquer um, com informação das fontes e autores. São poucas, mas é o pontapé de saída para uma colecção que aumentará sem dúvida, à custa de parcerias e de uploads dos utilizadores. Por enquanto esta funcionalidade não é possível, mas olhando as práticas da empresa noutros projectos, como o Android, por exemplo, tudo aponta para aí. Este directório é meramente informativo e de consulta/ pesquisa.
Outra face do mesmo projecto é o Google Font API, a aplicação que permite embeber as fontes do repositório numa página/ sítio web, estabelecendo a comunicação entre o website destino e os serviços do Google de fornecimento das fontes disponibilizadas. A operação é muito simples e darei dela conta no próximo post.
O terceiro elemento do projecto, na realidade fruto de uma parceria com a Typekit, chama-se WebFont Loader que faz o upload de fontes e controla a forma como é visualizada a fonte, sejam fontes com origem no repositório do Google, do Typekit ou do servidor da pessoa.
Esta plataforma open source para fontes tem a virtude de ter sido pioneira, mas face aos seus comparsas, é tida como tendo um desempenho mais fraco, sobretudo quando comparada com o Typekit e mesmo o Typopheque.
Tal como todas, funciona como repositório, com pesquisa por vários critérios e um processo simplificado de 4 passos para a instalação de qualquer fonte no website desejado. Nos termos de uso, é claramente dito que o uso se limita exclusivamente aos browsers. Apesar de ser possível comprar fontes, a percentagem é residual e a preços acessíveis (máximo $15), porque o padrão são fontes gratuitas.
O responsável e mentor desta iniciativa, Garrick Van Buren, considera que é preferível disponibilizar fontes web nativas e licenças abertas, primeiro porque muita fontes de impressão não se adequam à web e são ficheiros pesados, por outro lado têm um passado de restrições que não se enquadra no novo ambiente. Na mesma linha posiciona-se Chank Diesel no texto “The Sad State of Today’s Web Typography – Fertile Ground for Font License Revolution”, que entra no projecto.O uso pode ser materializado de duas formas: usando a @font-face ou fazendo download para instalação dos ficheiros da fonte no servidor do website.
A fonte é exibida sem qualquer necessidade de ficheiros javaScript, Flash ou utra tecnologia. O trabalho é feito inteiramente pelos navegadores, não importa quais.
Na origem do Typekit estão Jeffrey Veen e Jason Santa Maria que projectaram uma plataforma tecnológica de alojamento de fontes gratuitas e comerciais com implementação rápida, simples e excelente performance ao nível dos resultados de publicação nos websites. É aliás uma das bandeiras do Typekit, a qualidade dos seus servidores para lidar com os pedidos e satisfazer com profissionalismo os pedidos à plataforma orieundos de todo o mundo. Garantem também a protecção dos direitos de autor das fontes que aí são publicadas com restrições.
O funcionamento é simples: registo prévio, criação de kit (lista de websites we fontes a usar), com adição de linha de código de JavaScript ao ficheiro HTML de cada website. O CSS é editável no interface do Typekit.
São três os planos: personal, professional, performance, desde os $24,99 aos $99,9 variando o leque de fontes acessíveis, a quantidade de fontes a usar num website e o nº máximo de websites. Por $50/ano é possível ter acesso a todas as fontes e usar aplicá-las sem limite de nº de fontes e nº de sites. A BD da autoria de Brad Colbow explica o funcionamento.
Projecto que tem a Monotype Imaging por trás, sendo a versão web fonts do site fonts.com O que impressiona neste projecto é a quantidade de recursos: 2000 fontes gratuitas (na versão beta do lançamento da plataforma) e aguardam-se 7000 comerciais. O suporte multi-língua é outro ponto forte, o que não é de subestimar, quando o tema são fontes. Nesta fase, o registo é gratuito, mas depende de convites que são limitados, sendo que para tal se cria um projecto a que se associam determinadas fontes.
Como já esboçado, é preciso criar projectos ou um projecto em quatro etapas, depois de já estar provido de código de subscritor. Primeiro; escolher as fontes que deseja usar; listar os websites ou website em que deseja intervir; definir o CSS para as etiquetas do HTML (h1, h2, body, nav, etc.); adicionar uma linha de código no ficheiro HTML. Este sistema tem a vantagem de permitir gerir as fontes usadas em cada website, permitindo as alterações a partir do interface da plataforma sem ter de mexer de novo nos ficheiros do website em questão. Estes serviços de valor acrescentado é que acabam por marcar a diferença.
The League of Movable Type é um movimento interiramente open source. Os mentores, Caroline and Micah, sublinham a importância do projecto que não é contra as tipografias nem criadores de tipos, antes pelo contrário. Explicam que é uma forma de promoverem e aprenderem a estar na web. Defendem que um bom criador só ganha em disponibilizar um tipo criado por si para uso gratuito, tanto para fins comerciais como não. Porém, esclarecem que qualquer fonte modificada requererá uma licença open como a sua antecedente – SIL Open Font License.
É um projecto original que reúne para já 11 fontes de muito boa qualidade, já que a aceitação de fontes propostas para a colecção exige critérios elevados de qualidade.
As fontes estão prontas para download e uso por qualquer utilizador e são efectivamente bonitas e elegantes. Nos 11 tipos, é possível encontrar um leque variado.
Reúne centenas de fontes, podendo ser descarregadas em ficheiro ttf simples ou em kit @font-face. Este kit traz a fonte em ficheiros de vários formatos formatos (ttf, eot, svg, woff), o texto da licença, uma demo e ainda o ficheiro css para ser colado no style.css do website.
Este repoistório oferece ainda a possibilidade de testar fontes com texto próprio, de submeter fontes através do seu @Font-Face Generator.
Relativamente às licenças aplicadas às fontes, é preciso ter em atenção e ler com cuidado a secção license em cada fonte, porque há licenças para todos os gostos. EM princípio, são os próprios autores que definem como querem que seja usada a fonte, se há restrições de uso, etc. Existe também disponível o contacto. No entanto, há muitas fontes que foram recolhidas na web e cuja autoria não foi reclamada (fontes “órfãs”). A Font Squirrel descarta responsabilidades relativamente a má interpretação e incorrecto uso das fontes. As licenças sem restrições são: End User License Agreement (EULA), SIL Open Font License.
OUTRAS
No Typotheque é possível comprar licenças de uso do software, havendo várias modalidades de uso: licença básica (utilizador único), multi-utilizador; @font-face com código para embeber; licença global, etc. Esta última não impõe qualquer restrição, como por exemplo o tráfego por mês.
Em FontSpring paga-se uma vez e tem-se acesso por subscrição anual a fonte para uso num website.
No FontDeck a licença é paga à unidade e começa nos $6.49/ano, defendendo-se o custo à medida do uso.
Finalmente, em Just Another Foundry o preço de uma família começa nos $19/ano.
Até aqui, o uso de fontes na web esteve bastante condicionado e limitado a peritos. Os condicionamentos eram múltiplos: o comportamento dos browsers, já que uns suportavam, outros não, e ainda as licenças e a questões de segurança. Outra complicação era o conhecimento técnico necessário para embeber fontes. E assim durante vários anos, na web só encontrávamos as fontes Arial, Georgia, Helvetica, Times, Verdana, e pouco mais. Um cenário decepcionante, pois o uso intensivo da dúzia de fontes contrastava com as dezenas de milhar existentes, não todas adequadas à web, mas que poderiam ser adaptadas.
Neste post, quis abordar com algum detalhe o tema, por isso resolvi publicar por partes. Nesta primeira parte, faço uma pequena introdução, na segunda parte analiso o mercado e, na terceira e última, realizo uma experiência com @font-face.
Nos dois últimos anos, produziram-se movimentações rápidas e deram-se passos consideráveis, depois de mais de uma década de impasses e soluções que não convenciam nem mobilizavam os actores.
Para os três problemas enunciados, arranjaram-se soluções. Actualmente, a maioria dos browsers adoptou na sua base um @font-face para lidar com pedidos de fontes.
Paralelamente, assistiu-se à criação de licenças mais adequadas ao ambiente web. Isto porque os direitos de uso de fonte em meio gráfico não são extensíveis à web. Alguns exemplos mais frequentes de licenças usadas para fontes na web são: SIL Open Font License, Creative Commons, GNU Public License, EULA.
O terceiro problema, decorrente do modo anterior de embeber fontes, dificultava o controlo do uso da fonte, pois ela ficava disponível para download e uso não autorizado. Neste momento, isso não representa problema, porque a fonte é, digamos, requisitada a cada momento à plataforma, não existindo um download directo ao utilizador.
No distante ano de 1997, a Microsoft tomou a iniciativa de criar um formato para embeber fontes que consistia em transformar o tff em eot comprimido. Começou por ser um formato inteiramente proprietário, que em 2007 a empresa tentou submeter ao consórcio W3C para integrar as normas do CSS3. A rejeição por falta de segurança liquidou a iniciativa a que se juntou pouca receptividade, embora a Apple viesse em defesa do eot. Moribundo enquanto solução, ainda é usado para o IE, tendo como vantagens a compressão, encriptação, protecção, mas como grande desvantagem o facto de só funcionar no IE. O IE9 já vai suportar o formato normalizado WOFF.
Em 2008 surge a ideia de disponibilizar as fontes num ficheiro .zip, contendo no seu interior o ficheiro da fonte propriamente dito e um ficheiro .xml com as permissões. Mas esta proposta também não colheu candidatos, porque requeria a edição do ficheiro .xml caso a caso.
Entretanto as alternativas open (TrueType and OpenType fonts) estavam em curso desde há algum tempo e como não tinham o engulho do controlo das licenças, tornava-se um problema de mais fácil solução.
Daqui deriva o formato de fonte WOFF que se baseia nos já existentes (funde-os) e incorpora a declaração normalizada para fontes – @font-face para o CSS. As figuras que estiveram na sua origem foram: Jonathan Kew (Mozilla Corporation), Tal Leming (Type Supply) Erik van Blokland (LettError) e as empresas que submeteram o formato à aprovação em Abril deste ano foram Mozilla, Opera e Microsoft.
Esta declaração estabeleceu-se como norma para fontes na web, estando ligada ao ficheiro do estilo (CSS) que está separado do ficheiro de estrutura (HTML). Sejam plataformas de fontes de licença livre, comercial ou mista, todas usam-na, viabilizando o uso generalizado de fontes na web.
Na prática, os navegadores e dispositivos móveis lêem uma linha de código que declara a fonte ou fontes a usar no ficheiro HTML, sendo o estilo editado no ficheiro CSS.
Proponho dois links interessantes que me permitiram traçar o percurso um pouco sinuoso das fontes web. Em Web fonts — where are we?, John Boardley descreve a situação insustentável para os webdesigners e faz o ponto da situação.
Num outro artigo – Fonts at the crossing, Richard Fink detalha a evolução e os principais players.

Nos tempos que correm a desinformação é a palavra de ordem, mais concretamente no que toca aos aspectos políticos, económicos e sociais que regem a nossa vida em sociedade. Os políticos manipulam a realidade como mais lhes apraz fazendo das intervenções/reacções às actividades dos grupos parlamentares opositores (independentemente do lado da barricada que ocupam) verdadeiras sessões de demagogia deprimente e embaraçosa para o intelecto do comum dos mortais.
Contudo ainda existe esperança! A tecnologia e as leis da “transparência democrática” permitem-nos hoje aceder por exemplo aos meandros da actividade parlamentar ou às listagens das adjudicações efectuadas por entidades públicas. Em vários locais encontrámos a informação que nos pode retirar do nevoeiro. De falta de informação não nos podemos queixar! Podemos sim é questionar o porquê desta informação estar apresentada de modo tão pouco information friendly ou machine processable.
Para efectuar a análise de um tópico, ou retirar alguma conclusão é necessário vasculhar bem, com paciência e método. Os dados apresentam-se muitas das vezes em formatos proprietários, como o PDF, DOC ou XLS, e com uma organização muito própria que dificulta imenso o tratamento informático e estatístico dos mesmos. Para um acesso verdadeiramente democrático a informação deveria começar por estar disponível em formatos livres, associando-se a isso uma estrutura que permita a fácil manipulação e eventual visualização segundo critérios definidos pelo utilizador.
Algumas experiências já decorrem por esse mundo fora. Um exemplo paradigmático é o espanhol gastopublico.es que permite o acompanhamento dos investimentos realizados com os fundos públicos. Através de técnicas de information extraction e data scraping sobre os dados disponíveis nos web-sites dos vários órgãos do estado a informação é organizada para posteriormente ser apresentada de um modo relevante para o utilizador. Neste caso qualquer habitante de Espanha pode manter uma vigilância informada e lúcida numa perspectiva local e logo mais interventiva. Uma interessante entrevista com um dos criadores deste projecto pode ser escutada n’O Porto em Conversa de Vítor Silva.
Outros casos de sucesso nesta nova filosofia OpenData são Data.gov e o Data.gov.uk. Os cidadãos estão cada vez mais exigentes, uma atitude que força o poder central a libertar a informação de um modo transparente.
Esta entrada não é mais que um teaser para outros que se seguirão mais sobre o tema e questões satélite. Nos próximos meses estaremos empenhados em aprofundar as abordagem e ferramentas, bem como os resultados esperados com a aplicação da tecnologia da informação ao incremento de uma postura cívica mais interventiva.
Numa altura em que o 3D está a chegar ao cinema e às casas das pessoas, questionamo-nos acerca do que é o 4D.
Este surge geralmente associado a eventos e a campanhas de marketing e o objectivo consiste em criar efeitos ao nível sensorial para envolver ainda mais os participantes na experiência. Um ou dois sentidos são convidados a participar, como o tacto, o nariz, pois os estímulos são normalmente odores, salpicos de água, etc.
Quando falamos de dimensões consideramos a largura, altura e profundidade, conseguida agora com o avanço da tecnologia e a construção de imagem capturada por múltiplas câmaras em simultâneo. A quarta dimensão, que corresponde ao decurso do tempo, é activada pelos 5 sentidos, pela experiência.
O Downloader do Sapo no Rock in Rio Lisboa permitia aos participantes entrar numa espécie de caixa elevatória. Durante a subida, as pessoas eram convidadas a assistir a um vídeo a 3D a que se juntava a queda de salpicos de água.
Uma cadeia de cinemas na Coreia do Sul juntou à experiência 3D do Avatar de James Cameron sensações e efeitos ao longo da exibição. Narram as notícias que os espectadores foram sujeitos a mais de 30 efeitos ao longo do filme, tais como cheiro de explosivos, salpicos de água, vento, luzes de laser, vibrações das cadeiras. Recordando o filme, de facto estes efeitos estão na linha de desenvolvimento da narrativa cinematográfica e imagino que intensifiquem bastante as emoções do público.
A Kraft Foods Brasil desafiou a agência publicitária brasileira Ogilvy a promover a marca Lacta de chocolate em tablete. O projecto materializou-se numa campanha para as salas de cinema, sendo distribuído o chocolate gratuitamente à entrada. Antes do filme, um vídeo que explica o fabrico do chocolate passa no écrã enquanto o aroma a chocolate é libertado na sala.
Se é certo que o cinema e a publicidade estão a alimentar-se das 3D, mais certo é que essa ligação ocorra com os jogos, quase sempre a génese e área de testes das tecnologias de ponta.
Depois das experiências dos jogos online, seguem-se os chamados jogos de massas, ou também chamados jogos de audiências, como os concebidos pela Audience Entertainment, uma empresa criada pela YDreams e pela sua parceira americana a Brand Experience Lab. Criam jogos para espaços amplos e grupos grandes de pessoas, como é o caso de concertos. Câmaras 3D seguem os movimentos das pessoas e reproduzem em tempo real os movimentos produzidos pela multidão no filme/ imagem projectada. Parecendo que não, a exploração deste tipo de experiência em grupo amplia a emoção e cria experiências memoráveis. E isto não é pouco, se pensarmos que o Santo Graal da publicidade é a busca da emoção agradável que se prolongue na memória.
Comento aqui o slogan da empresa Coming soon to a theatre or stadium near you! que traduz fielmente o espírito deste trabalho que se orienta para open space e promete surpreender e tomar de assalto a pessoa.
Os jogos de massas estão a ser utilizados por empresas de telecomunicações, bebidas, automóveis, que vivem muito de criar sensações fortes e paixões.
Um dos jogos do portefólio da Audience Entertainment é o namorado que segue desaustinado pela estrada depois de receber um telefonema da namorada aborrecida e esquecida em casa. O jogo consiste em fugir de obstáculos e recolher as flores e bombons para chegar às pazes com a amada.
Uma realidade que vai ditando as modas noutros sectores é a dos videojogos, cada vez mais na forma online e na forma de jogos sociais nas redes. Na edição do E3 (Electronic Entertainment Expo), exposição de videojogos de Los Angeles, ficou claro que a indústria está a dar na medida do que o utilizador pede. As linhas de acção são:
Não há dúvida nenhuma que a sincronização cada vez mais perfeita e imediata entre o pensamento e a reacção da máquina se terá de estender a áreas que não são tão fortes, como a do software e das aplicações empresariais.
Em todos os grandes canais de notícias de tecnologia – Read&WriteWeb, Techcrunch, discute-se a guerra aberta entre os formatos Flash ou HTML5 para o vídeo, em outros termos, a guerra entre a Adobe e a Apple.
Desde o lançamento no mercado do iPad que a empresa não permite Flash em nenhum dos seus dispositivos. Esta recusa apanhou o mercado de surpresa. Primeiro, foi a chuva de críticas pelo facto de não permitir ver conteúdos em Flash. Seguiram-se as explicações do CEO Jobs, o contra-ataque da Adobe, o destaque dado ao HTML5. Sobre tudo isto e muito mais daremos conta em seguida.
Desde há uns bons pares de anos e perspectivando outros tantos, a Adobe preparava-se para reeditar a proeza do PDF com o Flash. Impor-se como formato universalmente aceite e adoptado pelos consumidores e programadores e indústria. Seguindo a mesma táctica, disponibiliza plug-in para os navegadores lerem Flash, ou o Flash Player, e facilita especificações para que seja possível desenvolver ferramentas de criação, edição. Banalização, adopção em massa e uso generalizado em banners (publicidade), páginas web, jogos, apresentações, sítios inteiros, têm caracterizado a forma de estar da empresa no mercado.
A interactividade e animação conseguidas com criações Flash seduziram os públicos e anunciantes desde logo e a empresa esmerou-se para tornar o Flash presente e interessante em todas as plataformas, sistemas operativos e navegadores.
O uso de Flash na plataforma Youtube mostra bem a aceitação no mercado.
Apesar do mundo parecer perfeito, alguém levantou a voz e disse que havia melhor. Esse alguém foi Steve Jobs da Apple num texto denominado Thoughts on Flash. Foi logo secundado por outros, uns mais acérrimos e azedos que outros, mas os sectarismos surgiram logo e a paisagem paradisíaca virou campo de batalha.
Numa linguagem sem papas na língua, Jobs expõe os motivos para recusar o Flash nos dispositivos iPhone, iPod e iPad. Diz que o faz por transparência e para contestar a ideia avançada pela Adobe que é por temor à concorrência. As razões, garante Jobs, são puramente tecnológicas.
O desenvolvimento e aperfeiçoamento da tecnologia Flash para iPhone foi abandonado depois da troca azeda de galhardetes durante 3 meses entre as duas empresas. Adobe virou-se a 100% para o Android, festeja sempre que programadores de aplicações iPhone migram para Android e responde à argumentação de Steve Jobs:
E é caso para questionar se os motivos são tecnológicos ou se se trata de uma estratégia comercial e de procura da liderança no mercado do vídeo e da publicidade.
Até agora, a Adobe detém a liderança da descodificação do vídeo com 75% de todos os vídeos, pelo que é legítimo saber que razões terão levado Jobs a atacr o parceiro de negócios e desenvolvimento até aqui. Se analisarmos os argumentos de um lado e de outro, vemos algumas movimentações.
Jobs tem motivos suficientes para criticar o Flash e parece não estar só nesse golpe:
Jobs não diz toda a verdade, porque a Apple, que tem a maior loja de aplicações e a maior plataforma de desenvolvimento, alterou as regras de licenciamento e impõe uma série de regras e proibições, entre as quais o uso de Flash, aos programadores que queiram criar aplicativos para iPhone, iPad e iPod. Além disso, só autoriza tecnologia Apple ou tecnologia por si aprovada, limita o acesso de dados dos utilizadores a terceiros, ficando com eles para potenciar o seu negócio de publicidade, e obriga ao uso da sua plataforma de publicidade iAd para todos aqueles que queiram ganhar dinheiro pela publicidade com as suas criações.
Sucessor do HTML4 de 1997, com desenvolvimentos em XML e XHTML, o HTML5 não podia receber melhor publicidade que a proporcionada pela recente polémica. Todos passaram a falar e põem os olhos aí. A este propósito, veja-se o gráfico do Google Insights Search que revela nos últimos meses um pico de procura na pesquisa.

Nesta matéria como noutras, surgem as fileiras de um e outro lado, ocorrem escaramuças aqui, batalhas mais sangrentas ali, mas numa coisa parece haver consenso. O HTML5, o markup por excelência da Web, vem para ficar e tudo é uma questão de tempo. A própria Adobe não se cansa de repetir que não será destronada do dia para a noite e que o convívio será inevitável. Por sua vez, a W3C prevê o salto em 2011/ 2012. O que significa na prática que vão ainda ser necessários 2 anos para generalizar, mas a maioria dos navegadores já suporta HTML5 – Firefox, Safari, Chrome, e brevemente Explorer, o IE9.
Tanto Flash como HTML5 permitem criar aplicações ricas em conteúdo para ambientes Internet, mas com uma diferença substancial. Enquanto o HTML5 permite inserir vídeo e áudio de forma nativa sem plugins, o Flash, que é uma aplicação RIA Rich Internet Applications é chamado para que o navegador apresente o vídeo e áudio. Um comparativo detalhado está disponível no Guia da Ludamix e testes ao desempenho estão aqui.
Outras características muito positivas do HTML5:
Apesar do bom avanço, uma nuvem paira no ar – a guerra dos codecs que são necessários para descodificar o vídeo. O Google e a Apple apoiam o formato proprietário H.264, a Mozilla e o Opera o formato livre Ogg Theora, defendido pelo consórcio W3C. Mais recentemente, o Google anunciou o lançamento do VP8, cujo código quer abrir com a ajuda da Mozilla.
A adopção de qualquer destes adia a introdução do HTML5, sendo aliás um dos argumentos fortes dos adeptos do Flash: para quê estar a reescrever numa nova linguagem e aumentar a entropia com a escolha de codecs, se o Flash já é uma realidade, é conhecido tanto pelas equipas de desenvolvimento como pelos consumidores que possuem ferramentas adequadas que ainda podem ser mais aperfeiçoadas com o empenho da Adobe?
A Adobe já provou que tem garra e segue estratégias fortes de habituação do mercado. Não tenho dúvidas acerca do seu plano de tornar o Flash mais eficiente e extensível a qualquer plataforma e projecto. Já acho mais obscuros os desígnios da Apple. Todavia, o Flash nunca foi nem nada leva a crer que venha a mudar substancialmente os seus índices de baixa acessibilidade. Com acessibilidade refiro-me àquela característica de aceder ao conteúdo sem barreiras e de forma transparente. Não existe nada pior que um sítio construído em Flash para pessoas portadoras de deficiência, que o diga Katherine Lynch, uma especialista em acessibilidade e usabilidade da Drexel Libraries em Filadélfia.