Imagine que um vírus infecta o seu computador, ou a sua rede completa, tornando inacessíveis ou mesmo limpando todos os ficheiros que produziu. Ou então que, numa operação aparentemente inocente e rotineira, um utilizador apaga uma pasta ou mesmo um disco completo. Se a máquina for pessoal sentir-se -á, no mínimo frustrado e com raiva pelo que aconteceu. Mas se estivermos a falar de um ambiente de negócio, dependendo da profundidade do “ataque ou acidente”, pode estar em causa a sobrevivência da actividade.
Pois, era daquelas coisas que “só acontecem aos outros” e que, apesar de estar consciente dos riscos, não merecia muita atenção da minha parte. Até que recentemente um “acidente”, vulgo “clicar onde não devia”, apagou-me toda a pasta documentos onde está alojado todo o meu trabalho! Tenho por hábito fazer ocasionalmente cópias de segurança dos dados que considero críticos. Contudo a última cópia datava de há 4 semanas pelo que era esse o custo que teria que pagar – e tinham sido 4 semanas bem duras. Recorrendo à comunidade Linux – sempre pronta a ajudar e a partilhar as suas experiências – consegui recuperar os ficheiros e livrei-me de umas jornadas de trabalho forçado para conseguir cumprir os compromissos.
Sentir os efeitos na primeira pessoa fez-me reflectir sobre os procedimentos que tinha instalado e como os melhorar para minimizar os riscos.
Estes termos, universalmente associados à segurança de dados, têm os respectivos pares em Português e cujas definições sintetizo de seguida.
Data backup, ou cópia de segurança de dados, é o procedimento de transferir ou salvaguardar os dados de um sistema (que pode ser constituído por um computador único ou conjunto de computadores ligados em rede) para um sistema de armazenamento externo. Este sistema pode ser uma fita magnética (tape drive), um disco externo, um servidor de backup ou um data center remoto.
Na eventualidade de ocorrer a perda de informação, a cópia de segurança será utilizada para repor – Restore – o sistema no estado anterior ao incidente, permitindo retomar a actividade de forma normal.
Um arquivo – Archive – é, tal como se deduz, um repositório a médio/longo prazo de cariz mais ou menos permanente, onde se depositam as cópias de segurança. De forma geral, os arquivos encontram-se fora das instalações onde se aloja o sistema e em condições que permitam garantir a sua segurança contra eventuais intempéries ou cataclismos. A sua utilização é vital para negócios onde a manipulação de informação está no core da actividade (uma instituição financeira por exemplo).
A tentação é querer salvaguardar tudo, particularmente nestes tempos em que o armazenamento em massa começa a ficar muito acessível. Mas, por outro lado, o volume de informação que transaccionamos cresce exponencialmente. Por questões de eficiência na utilização dos recursos e utilidade do próprio processo de backup, devemos somente guardar os ficheiros que realmente o justifiquem.
Na linha da frente estão os ficheiros de dados que são alterados/utilizados frequentemente e que verdadeiramente “pertencem” ao utilizador. Com uma periodicidade menor deverão ser salvaguardados os ficheiros do sistema que, apesar de poderem ser restaurados a partir das fontes disponíveis em suporte físico ou em repositórios virtuais, abreviam o restauro do mesmo sistema em caso de calamidade.
A frequência da execução das cópias de segurança poderá variar em função do tipo de ficheiro e da taxa de actualização da informação. Por exemplo, é habitual efectuar um backup diário dos ficheiros de dados e um semanal do sistema. Ficheiros críticos para a actividade podem ter várias cópias por dia. Existem ainda outras soluções em que é mantida uma réplica dos ficheiros seleccionados quase em tempo real.
Além do backup total – cópia de segurança integral dos ficheiros seleccionados, existem outras formas de realizar as cópias de segurança de um modo mais expedito e optimizado.
As cópias de segurança parciais incidem sobre todos os ficheiros adicionados ou alterados desde o último backup. Estas podem ser do tipo diferencial (tomam como base a última cópia total) ou incremental (tomam como base a última cópia total ou parcial).
O backup diferencial, em conjunção com o total, deve ser utilizado quando se pretende um restauro rápido e sem problemas. Um procedimento habitual passa por realizar uma cópia de segurança total semanal ou quinzenalmente em paralelo com cópias diferenciais diárias. Com este método o processo de restauro é mais eficiente porque só se recorre a duas cópias (uma total e uma diferencial). Contudo o processo de backup é mais lento, pois são guardados mais ficheiros em cada operação.
O backup incremental, por oposição ao diferencial, tem um processo de backup mais rápido, já que toma como base um estado mais próximo, e um restauro mais lento pois pode exigir o recurso a várias cópias de segurança, realizadas desde a cópia total.
Como é vulgar neste tipo de situações, tudo depende do que é mais importante para si ou para a organização. Se o tempo disponível para realizar as cópias de segurança é vital, então é aconselhável optar pelas incrementais. Deste modo, as interrupções na normal operação do sistema são minimizadas. Mas, se por outro lado, a rapidez e simplicidade no processo de restauro é valorizada, dever-se-á abraçar um esquema de cópias de segurança diferenciais.
Na parte 2 apresentarei algumas soluções com as quais me cruzei no decurso da pesquisa para encontrar o sistema adequado às minhas necessidades.
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[...] artigo anterior fiz uma abordagem algo teórica ao tema das cópias de segurança. Agora, apresento algumas das [...]