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Nos tempos que correm a desinformação é a palavra de ordem, mais concretamente no que toca aos aspectos políticos, económicos e sociais que regem a nossa vida em sociedade. Os políticos manipulam a realidade como mais lhes apraz fazendo das intervenções/reacções às actividades dos grupos parlamentares opositores (independentemente do lado da barricada que ocupam) verdadeiras sessões de demagogia deprimente e embaraçosa para o intelecto do comum dos mortais.
Contudo ainda existe esperança! A tecnologia e as leis da “transparência democrática” permitem-nos hoje aceder por exemplo aos meandros da actividade parlamentar ou às listagens das adjudicações efectuadas por entidades públicas. Em vários locais encontrámos a informação que nos pode retirar do nevoeiro. De falta de informação não nos podemos queixar! Podemos sim é questionar o porquê desta informação estar apresentada de modo tão pouco information friendly ou machine processable.
Para efectuar a análise de um tópico, ou retirar alguma conclusão é necessário vasculhar bem, com paciência e método. Os dados apresentam-se muitas das vezes em formatos proprietários, como o PDF, DOC ou XLS, e com uma organização muito própria que dificulta imenso o tratamento informático e estatístico dos mesmos. Para um acesso verdadeiramente democrático a informação deveria começar por estar disponível em formatos livres, associando-se a isso uma estrutura que permita a fácil manipulação e eventual visualização segundo critérios definidos pelo utilizador.
Algumas experiências já decorrem por esse mundo fora. Um exemplo paradigmático é o espanhol gastopublico.es que permite o acompanhamento dos investimentos realizados com os fundos públicos. Através de técnicas de information extraction e data scraping sobre os dados disponíveis nos web-sites dos vários órgãos do estado a informação é organizada para posteriormente ser apresentada de um modo relevante para o utilizador. Neste caso qualquer habitante de Espanha pode manter uma vigilância informada e lúcida numa perspectiva local e logo mais interventiva. Uma interessante entrevista com um dos criadores deste projecto pode ser escutada n’O Porto em Conversa de Vítor Silva.
Outros casos de sucesso nesta nova filosofia OpenData são Data.gov e o Data.gov.uk. Os cidadãos estão cada vez mais exigentes, uma atitude que força o poder central a libertar a informação de um modo transparente.
Esta entrada não é mais que um teaser para outros que se seguirão mais sobre o tema e questões satélite. Nos próximos meses estaremos empenhados em aprofundar as abordagem e ferramentas, bem como os resultados esperados com a aplicação da tecnologia da informação ao incremento de uma postura cívica mais interventiva.

No artigo anterior fiz uma abordagem algo teórica ao tema das cópias de segurança. Agora, apresento algumas das soluções disponíveis (que está longe de ser exaustiva) para um utilizador singular ou para uma pequena rede e qual o procedimento que adoptei para evitar que novos “acidentes” deixem marcas permanentes. Como o sistema que utilizo é essencialmente Ubuntu (1 desktop e 2 portáteis) os exemplos basear-se-ão na plataforma GNU/Linux e mais concretamente no ambiente Gnome.
As soluções para backup podem classificar-se segundo duas perspectivas: a tipologia (método e formato utilizado) e o suporte (onde é alojada a cópia de segurança).
Quanto à tipologia podemos ter cópias “espelho” e arquivos. As primeiras consistem em replicar totalmente os ficheiros, pastas, partições ou mesmo discos completos. Esta réplica não se limita aos ficheiros, incorporando também a estrutura das pastas, permissões de acesso e mesmo relações entre os diferentes ficheiros. Já os arquivos agregam os ficheiros que se pretendem salvaguardar num único ficheiro/arquivo que pode ser comprimido e/ou encriptado por questões de segurança.
Quanto ao suporte podemos guardar o nosso backup num repositório local, num suporte externo amovível ou num repositório remoto.
Pode ser ainda utilizada a tecnologia Raid para manter cópias sincronizadas num parque de discos, mas esse método não se enquadra no âmbito deste artigo.
Existem inúmeras aplicações que realizam cópias espelho, sincronização de ficheiros ou file sync. Podemos afirmar que o seu funcionamento é independente do sistema operativo e passa pela definição dos ficheiros, pastas, partições ou discos a salvaguardar; o suporte para onde se pretende criar a cópia e a periodicidade da sua realização são definidos pelo utilizador.
Para ambiente Windows ou Mac existem imensas aplicações, e uma simples pesquisa no Google é um bom ponto de partida. Algumas gratuitas, outras nem por isso. Na perspectiva open source que caracteriza o “Agulha no palheiro” proponho o rsync na sua versão Windows ou Mac. Nas aplicações em versão proprietária, um produto bem conceituado, mas que não conheço em detalhe, é o Acronis.
O rsync é na sua essência uma aplicação de linha de comandos, mas para os sistemas GNU/Linux existe uma grande variedade de soluções gráficas para facilitar a vida aos utilizadores. No ambiente Gnome, e após experimentar uma série de aplicações, seleccionei o Gadmin-Rsync que faz parte de um conjunto mais abrangente de aplicações administrativas – as GadminTools.
A configuração é extremamente simples e resume-se a:
Esta abordagem é provavelmente a mais conhecida e utilizada. Desde o simples ficheiro zip até formatos encriptados proprietários que só podem ser manipulados por aplicações específicas, as soluções são inúmeras.
Das que experimentei, recomendo a Simple Backup Solution, pois possui uma configuração extremamente simples e com algumas soluções predefinidas que cobrem a maior parte das necessidades.
As vantagem evidentes da utilização dos arquivos são a economia na área de armazenamento e a simplicidade no processo de guardar uma cópia desses arquivos em suportes externos. Contudo, não optei por esta solução, pois agrada-me ter uma cópia “sempre fresca” dos ficheiros num formato que posso consultar sem problemas.
Para um acesso rápido às cópias, estas devem estar alojadas numa máquina com acesso directo. Pode ser um servidor de ficheiros ou um segundo disco. O protocolo sob o qual se ligam as máquinas não condiciona o processo, podendo ser uma ligação Samba, SSH, etc.
Com a redução substancial dos custos dos discos rígidos externos, esta solução tornou-se bastante acessível. Alguns fornecedores de hardware já começaram a incluir nos seus produtos soluções integradas de backup, como é o caso da Western Digital com os seus My Book.
Para soluções mais profissionais o recurso a sistemas automáticos de salvaguarda em fita magnética “tape backup” continua a ser uma opção bastante válida. Para uma consulta à gama disponível actualmente sugiro uma visita a sites de empresas que oferecem este tipo de hardware, como por exemplo a Tandberg.

A tendência de aumento da velocidade de transferência de dados nas redes actuais torna cada vez mais ténue a fronteira entre a nossa máquina/repositório local e um repositório remoto. Na prática, um acesso a um repositório remoto é muito idêntico aos procedimentos e possibilidades de utilização do repositório local, variando somente a velocidade de comunicação. Um serviço simples e interessante é o Ubuntu One que oferece 2Gb grátis para sincronização de ficheiros e notas.
Existem contudo serviços integrados que disponibilizam, de uma forma transparente para o utilizador, as ferramentas e processos de backup associados a um espaço de alojamento remoto. Um dos atractivos destes serviços é a salvaguarda contra desastres naturais (ou não tão naturais) como inundações, incêndios ou terramotos. Os datacenters estão em edifícios adequados e, dificilmente sofreremos simultâneamente os efeitos dessas calamidades. A maior parte das empresas desta área oferecem o serviço gratuito para atrair clientes, embora as limitações de espaço sejam óbvias. Há uma grande oferta – uma simples pesquisa devolve dezenas de fornecedores.
Dos que testei, pareceu-me bastante interessante e com uma óptima relação funcionalidade/preço, o CrashPlan. Além da salvaguarda remota dos dados, permite a utilização de outros níveis de arquivo como por exemplo um disco local ou um disco externo. Possui um interface bastante simples e a automatização dos processos é linear.
Outros bastante conhecidos são o Adrive, o Mozy ou o Dropbox.
Sem pretensões de ser a solução ideal, mas somente a título de exemplo, apresento agora as opções que tomei para salvaguardar os dados na minha rede pessoal.
Como já mencionado adoptei a sincronização de ficheiros e pastas utilizando o rsync como tipologia. A aplicação que o executa é o gadmin-rsync. Seleccionei todos os ficheiros/pastas que considerei importantes e agendei o processo para uma cópia diária.
Quanto ao suporte, o gadmin-rsync cria a cópia (arquivo de 1º nível) para um segundo disco que tenho no desktop. Como esse segundo disco é partilhado, via Samba, na minha rede local, os portáteis também o utilizam para armazenar as suas cópias.
Paralelamente, tenho a correr o Crashplan que me arquiva, também numa base diária, os mesmos ficheiros (arquivo de 2º nível). Este processo é mais moroso pelo que a sua utilização para recuperar os dados é utilizada como opção final. É útil também para transferir ficheiros quando estou fora e sem acesso ao desktop, podendo-o considerar como um repositório ftp.
Finalmente faço semanalmente, aqui de forma manual, uma cópia completa do meu “repositório local” para um disco externo (arquivo de 3º nível).
Se não tem uma cópia disponível ou se tudo o resto correu mal a solução final é recorrer a um serviço de recuperação de dados. É bastante oneroso, mas se os dados o justificarem… Como exemplo existe o serviço de recuperação de dados da Iomega.
Imagine que um vírus infecta o seu computador, ou a sua rede completa, tornando inacessíveis ou mesmo limpando todos os ficheiros que produziu. Ou então que, numa operação aparentemente inocente e rotineira, um utilizador apaga uma pasta ou mesmo um disco completo. Se a máquina for pessoal sentir-se -á, no mínimo frustrado e com raiva pelo que aconteceu. Mas se estivermos a falar de um ambiente de negócio, dependendo da profundidade do “ataque ou acidente”, pode estar em causa a sobrevivência da actividade.
Pois, era daquelas coisas que “só acontecem aos outros” e que, apesar de estar consciente dos riscos, não merecia muita atenção da minha parte. Até que recentemente um “acidente”, vulgo “clicar onde não devia”, apagou-me toda a pasta documentos onde está alojado todo o meu trabalho! Tenho por hábito fazer ocasionalmente cópias de segurança dos dados que considero críticos. Contudo a última cópia datava de há 4 semanas pelo que era esse o custo que teria que pagar – e tinham sido 4 semanas bem duras. Recorrendo à comunidade Linux – sempre pronta a ajudar e a partilhar as suas experiências – consegui recuperar os ficheiros e livrei-me de umas jornadas de trabalho forçado para conseguir cumprir os compromissos.
Sentir os efeitos na primeira pessoa fez-me reflectir sobre os procedimentos que tinha instalado e como os melhorar para minimizar os riscos.
Estes termos, universalmente associados à segurança de dados, têm os respectivos pares em Português e cujas definições sintetizo de seguida.
Data backup, ou cópia de segurança de dados, é o procedimento de transferir ou salvaguardar os dados de um sistema (que pode ser constituído por um computador único ou conjunto de computadores ligados em rede) para um sistema de armazenamento externo. Este sistema pode ser uma fita magnética (tape drive), um disco externo, um servidor de backup ou um data center remoto.
Na eventualidade de ocorrer a perda de informação, a cópia de segurança será utilizada para repor – Restore – o sistema no estado anterior ao incidente, permitindo retomar a actividade de forma normal.
Um arquivo – Archive – é, tal como se deduz, um repositório a médio/longo prazo de cariz mais ou menos permanente, onde se depositam as cópias de segurança. De forma geral, os arquivos encontram-se fora das instalações onde se aloja o sistema e em condições que permitam garantir a sua segurança contra eventuais intempéries ou cataclismos. A sua utilização é vital para negócios onde a manipulação de informação está no core da actividade (uma instituição financeira por exemplo).
A tentação é querer salvaguardar tudo, particularmente nestes tempos em que o armazenamento em massa começa a ficar muito acessível. Mas, por outro lado, o volume de informação que transaccionamos cresce exponencialmente. Por questões de eficiência na utilização dos recursos e utilidade do próprio processo de backup, devemos somente guardar os ficheiros que realmente o justifiquem.
Na linha da frente estão os ficheiros de dados que são alterados/utilizados frequentemente e que verdadeiramente “pertencem” ao utilizador. Com uma periodicidade menor deverão ser salvaguardados os ficheiros do sistema que, apesar de poderem ser restaurados a partir das fontes disponíveis em suporte físico ou em repositórios virtuais, abreviam o restauro do mesmo sistema em caso de calamidade.
A frequência da execução das cópias de segurança poderá variar em função do tipo de ficheiro e da taxa de actualização da informação. Por exemplo, é habitual efectuar um backup diário dos ficheiros de dados e um semanal do sistema. Ficheiros críticos para a actividade podem ter várias cópias por dia. Existem ainda outras soluções em que é mantida uma réplica dos ficheiros seleccionados quase em tempo real.
Além do backup total – cópia de segurança integral dos ficheiros seleccionados, existem outras formas de realizar as cópias de segurança de um modo mais expedito e optimizado.
As cópias de segurança parciais incidem sobre todos os ficheiros adicionados ou alterados desde o último backup. Estas podem ser do tipo diferencial (tomam como base a última cópia total) ou incremental (tomam como base a última cópia total ou parcial).
O backup diferencial, em conjunção com o total, deve ser utilizado quando se pretende um restauro rápido e sem problemas. Um procedimento habitual passa por realizar uma cópia de segurança total semanal ou quinzenalmente em paralelo com cópias diferenciais diárias. Com este método o processo de restauro é mais eficiente porque só se recorre a duas cópias (uma total e uma diferencial). Contudo o processo de backup é mais lento, pois são guardados mais ficheiros em cada operação.
O backup incremental, por oposição ao diferencial, tem um processo de backup mais rápido, já que toma como base um estado mais próximo, e um restauro mais lento pois pode exigir o recurso a várias cópias de segurança, realizadas desde a cópia total.
Como é vulgar neste tipo de situações, tudo depende do que é mais importante para si ou para a organização. Se o tempo disponível para realizar as cópias de segurança é vital, então é aconselhável optar pelas incrementais. Deste modo, as interrupções na normal operação do sistema são minimizadas. Mas, se por outro lado, a rapidez e simplicidade no processo de restauro é valorizada, dever-se-á abraçar um esquema de cópias de segurança diferenciais.
Na parte 2 apresentarei algumas soluções com as quais me cruzei no decurso da pesquisa para encontrar o sistema adequado às minhas necessidades.
Goste-se ou não, o que é certo é que o Google já faz parte da vida das pessoas. Isso até se comprova pela rapidez com que o termo e as variantes entraram nos hábitos dos falantes de todas as línguas: googler (francês), googolare, gugolare (italiano), googlar, googlear, guglear (espanhol), googelen (holandês), googlar (português).
Há uns anos atrás, nos idos 2006, a empresa mostrou algum aborrecimento por usarem a marca como verbo, mas o que poderia estar a ser encarado como uma desvantagem revelou-se com o tempo uma mais valia.
Inevitavelmente, perante tal poder, formaram-se opiniões, muitas vezes contrárias. Na iniciativa One Day Without Google sublinha-se o poder crescendo do grupo. Noutros casos, como no inquérito feito pela Pew Internet/ Elon University, os resultados à questão “Google will make people stupid?” fazem sobressair a ideia de que o motor mais famoso não estupidifica, embora possa criar preguiça mental. Também por várias vezes ao longo destes anos, foram lançadas questões às pessoas da rua sobre se conseguiam dispensar o Google das suas vidas. Recentemente colocou-se aos chineses a mesma pergunta, deixando clara a indiferença destes à retirada da Google.
Mas no meio deste caldo de reacções, o que me interessa é perceber os próximos passos da Google numa altura em que a sua agenda está algo agitada. Se por um lado tenta sossegar empresas de telecomunicações e indústria de lazer, por outro ficou debaixo de fogo com o novo produto – o Buzz. É também um momento em que envereda por áreas totalmente novas como a da energia e telecomunicações.
Há dias, li no Cnet News que o Google gosta de ser o menino bonito. Estuda sempre a lição, prepara -se bem para os exames, interessa-se por muitas disciplinas e consegue alcançar bons resultados em todas. Enfim, é bem quisto por todos os pais e comunidade. Provavelmente por causa de cair quase sempre nas boas graças das pessoas, tem dificuldade em lidar com algumas críticas e falhas que vai cometendo. Todos temos assistido a desaires da Microsoft, a ataques directos às intenções do Facebook ao descurar a privacidade. Vir ao terreiro defender a dama é porém uma questão de honra da qual a Google não pensa abrir mão. Ainda recentemente, reagiu de imediato às críticas ao Buzz, corrigindo a falha e tentando repor a calma nas hostes.
Essa espécie de aluno bom comportado mereceu-lhe a simpatia de Washington com quem tem relações privilegiadas e de claro favorecimento.
Mas não há dúvida que a empresa não pára e aposta claramente na diversificação, não só ao nível dos produtos e serviços, como sói tratar-se, mas ao nível mais estratégico – diversificação nos ramos de negócio. Esse crescimento está a despertar em cadeia uma série de obstáculos vindos dos mais variados sectores.
1. Pesquisa
A fama e o poder da Google foi proporcionado pelo seu motor de pesquisa. O famoso algoritmo do cálculo do Page Rank é o Santo Graal da pesquisa que todos desejam obter. É claro que desde os primórdios muito desenvolvimento foi feito pelos técnicos da Google, mas nunca se descobriu a fórmula.
Recentemente, o crescimento do peso das redes sociais na Internet é tal que há já muitas pessoas cuja experiência na Internet se reduz às redes e que fazem todas as consultas desde aí e aí. Tanto assim é que as visitas geradas em muitos websites são já parcialmente oriundas das redes sociais. A juntar-se a esta realidade, assiste-se a um cada vez maior número de utilizadores com telemóvel para aceder à Internet e serviços.
A Google reagiu e para o primeiro caso realizou acordos com Twitter, Facebook e outras redes no sentido de integrar os resultados do universo social nas suas pesquisas; na mesma linha lançou o Buzz que procura integrar o Gmail com as redes. Para o segundo problema, tem adaptado produtos como Earth, Maps, Voice, Search Voice, tradutor, etc., à realidade móvel.
2. Publicidade
Apesar do motor Google ser a coqueluche, o que dá efectivamente dinheiro à empresa é a publicidade via Adsense e AdWords. Também esquemas de micro-pagamento que poderão vir a ser testados na plataforma Youtube que oferece actualmente qualidade HD poderão a ser prática corrente dentro em breve. É com essa aliciante que o Google se tem apresentado, quer no caso do Youtube, quer no do Google News e Google Books, que tanta polémica têm gerado.
Só para dar o exemplo do Youtube, não chegando a receita publicitária para cobrir os 356 milhões de custos pela manutenção da plataforma nem para satisfazer os produtores e distribuidores, Google acaba de criar este ano um serviço de aluguer de filmes (de momento só a funcionar para o público dos EUA). Está igualmente prevista a entrada num negócio “iTunes” com a compra da Catch Media.
Outras tantas iniciativas e batalhas, cada vez mais no plano judicial, estão a ser travadas no campo dos conteúdos, dos direitos de autor, da privacidade. Em sua defesa, a Google insiste na ideia de que não quer concentrar os lucros, que todos ganham no esquema que deseja implementar e que está interessada em matizar o modelo com as necessidades dos outros intervenientes.
3. Software/ Sistemas operativos
Além do desenvolvimento em tempo recorde do sistema operativo para telemóveis – o Android, a Google apostou forte no Chrome OS, quer no sistema de navegação quer no sistema operativo para notebooks.
Curiosamente, o sistema Android, desenhado para telemóveis, está a ser estendido com sucesso a outras plataformas, quer em notebooks quer em tablets. A HP acaba de lançar o seu portátil com o sistema Android, mas também dois tablets foram criados com o mesmo sistema, o Archo, o Compal e o Vega, o que prova a versatilidade do Android. Aliás, posso testemunhar a efervescência desta comunidade, inclusive no nosso país, numa recente formação em que participei.
4. Telefonia
Depois de surpreender tudo e todos com a apresentação do seu próprio telemóvel lançado a 5 de Janeiro, o mercado de telemóveis de tecnologia Android e/ou hardware Google (Nexus One) soma e segue. O sistema operativo Android está em 26 telemóveis diferentes e é vendido por 59 operadoras de telecomunicações em todo o mundo. O HTC Hero com Android foi eleito o melhor telemóvel 2009.
5. Energia
A entrada do pedido da Google para operar no mercado energético ocorreu em Dezembro passado, através da sua subsidiária Google Energy, mas só agora a entidade reguladora americana, a FERC, deu luz verde. Mais uma vez a surpresa foi grande. Mesmo no mercado americano é inédito, porque até agora as 1500 entidades com permissão são serviços públicos ou produtores de electricidade. É a primeira vez que é concedida licença a uma empresa estranha ao ramo, no caso uma empresa tecnológica.
A Google diz que o objectivo é atender às suas necessidades de produção de energia e apostar nas energias verdes, como decidido em 2007, mas nada a impede de se posicionar no mercado como fornecedor desses mesmos serviços e isso inevitavelmente acontecerá para rentabilizar know how e infraestrutura.
Em post anterior, já tinha falado dos consumos abissais de energia dos data center e do registo de patente do sistema de plataformas energéticas em alto mar. Crê-se que a factura energética da Google seja qualquer coisa de assustador, sobretudo tendo em conta os muitos data centers espalhados pelo mundo, porém a empresa nunca revelou dados.
Os objectivos “0 carbono” definidos estrategicamente em 2007 são veiculados no blogue Going green at Google e compreendem a eficiência enegética, o uso de energias limpas e a compra de créditos de carbono para reduzir a pegada ecológica da empresa.
Algumas iniciativas da empresa nesta matéria cobrem a computação eficiente com a optimização de servidores e o uso de água e ar para arrefecimento, o uso de energias alternativas, sobretudo solar, caso da sede em Mountain View, o cuidado na construção dos edifícios, o estímulo às deslocações em bicicleta e partilha de carro para funcionários, e uma série de dispositivos de monitorização e poupança.
A título de exemplo, refiro o PowerMeter que mede e monitoriza o consumo doméstico e ajuda a optimizar uso energético. Sobre o impacto deste aparelho no comportamento do cidadão no RU, recomendo o artigo do The Guardian. Há ainda o Google Transit que usa o maps valorizando uso dos transportes públicos e mais uma série de gadgets para o desktop, como o Blackle, que usa ecrã preto, ou o Save electricity, que poupa cliques nas consultas.
Uma outra vertente que tem estado muito visível ultimamente dada a concentração de catástrofes naturais como as ocorridas no Haiti e Chile é a disponibilização de dados do clima, mapas, para as equipas de ajuda ou para a procura de familiares.
6. Telecomunicações
Para completar o ramalhete, só faltava mesmo ser ISP e fornecedor de banda larga, fazendo concorrência directa às operadores de rede.
Mesmo para um leigo, é compreensível a necessidade de boas ligação à Internet numa empresa como a Google, pois a velocidade da rede é como pão para a boca. Assim, para poder avançar com novos serviços e liderar o sector, sobretudo num momento em que querem estender o recurso à cloud, a empresa anunciou a criação de uma rede de área geográfica restrita, que beneficiará 50 mil pessoas até um máximo de meio milhão. Neste projecto piloto de rede rápida prometem 1Gb de largura de banda e velocidade 100 vezes superior, o que permite conferências 3D, transmissão de imagens médicas 3D, descarga de filmes HD em 5 minutos. A fase de inscrição de comunidades interessadas em participar termina a 26 de Março.
Para que se possa avaliar a importância do marco 100X mais rápido, basta dizer que a média da velocidade nos EUA é de 3,9 Mbps e que apenas 19% de todas as ligações no mundo gozam de uma velocidade superior a 5 Mbps.
A empresa sublinha que se trata de um ensaio, cujos resultados prometem partilhar para que este progresso se dê em vários pontos do mundo, e esclarece que desde há muito tempo investiga formas de melhorar o protocolo da Internet, a gestão dos pedidos aos servidores e o tráfego da rede e que está fortemente empenhada na modernização da rede e generalização da fibra óptica. Garantiu que defende a neutralidade da rede e que a sua rede estará aberta a terceiros.
Apesar dos comunicados, difícil tem sido sossegar as empresas de telecomunicações, que o diga Eric Schmidt, que em Espanha teve de enfrentar uma plateia enfurecida com os discursos inflamados do patrão da Telefónica, César Alierta, que incendiou as mentes ao acusar a Google de enriquecer à custa das empresas de telecomunicações, usando as suas redes, mas pagando-lhes nada, já que da fatia de publicidade gerada fica em território espanhol apenas 5%. O enviado da Google tentou mostrar que o telemóvel reúne vantagens para todos e que devem trabalhar em conjunto.
Existe claramente um entendimento errado desta questão, tendo-se exposto o ridículo da leitura do patrão da Telefónica ao dar-se como exemplo na rede eléctrica o pagamento da luz pelos consumidores finais, mas também pelos fabricantes e vendedores dos electrodomésticos. Ora a Google é intermediária e disponibiliza aplicações e plataformas, usando as redes cuja utilização é paga pelos clientes às operadoras.
Conclui-se facilmente que a empresa é cada vez mais vista como tendo duas faces e que o famoso slogan “Don’t be devil” está a ser cada vez mais contestado. Estar no pódio tem custos enormes, mesmo para uma empresa que cultiva a imagem e sabiamente tem gerido uma relação de simpatia com milhões dos seus clientes. Lá diz o ditado, agradar a gregos e troianos…
Já aqui abordei a questão das App Stores e do protagonismo que estão a gozar juntamente com a onda dos smartphones. Os consumidores de aplicações e programas disponibilizados nas App Stores gastam menos 25% do tempo diário na televisão, jornais ou computadores. E a explicação é lógica: os dispositivos móveis gozam cada vez mais de autonomia e portabilidade, sendo muito valorizados pelo leque de pequenos programas que cobrem a totalidade das actividades humanas do mundo moderno e ainda pelas possibilidades que se abrem na cloud, sem limites de armazenamento e acesso. Para quê andar com o computador se o telefone inteligente responde às necessidades de mobilidade + utilidade + armazenamento?

Em Portugal, esta mania ainda não é clara, mas espera-se que no Natal se sinta um crescendo de procura destas soluções. Contudo, o efeito “viciante” já estudado nos EUA ainda vai demorar a fazer-se sentir em território luso. Ou talvez não… Mas o sucesso que sempre foram as comunicações móveis no nosso país, deixa uma porta aberta a sucessores de nova geração. Tudo vai depender da evolução económica e da oferta do mercado acessível aos bolsos nacionais.
As pessoas são impelidas a usar a tecnologia associada aos telefones inteligentes porque é fortemente personalizada e muito próxima, quase íntima arriscaria. Além disso, é fácil de usar e permite uma efectiva apropriação. A distância é abismal quando comparada à tecnologia da televisão, rádio, e mesmo Internet em geral. A experiência do “eu” utilizador é, nestes casos, menos envolvente e pessoalmente marcante, porque a tecnologia está fora, é manipulada por terceiros, que também editam os conteúdos.
No caso dos telefones inteligentes e aplicações associadas, a experiência pessoal é muito mais rica e muito mais inesquecível. Tudo começa pela proximidade física e portabilidade. O telefone acompanha a pessoa para todo o lado, cola-se-lhe à pele, funciona como extensão do corpo, do cérebro.
Escolher a camisa para o amigo que festeja o seu aniversário e gosta da marca X, tendo a pessoa sabido isso pelo Facebook a que acede através do meu smartphone não é ficção, não parece nada de extraordinário, e, no entanto, contém em si mesma mudanças substanciais, uma espécie de revolução silenciosa.
Essas mudanças de que falo passam por integrar a tecnologia sem questionamento. E a sedução da tecnologia ocorre mais aceleradamente com os telefones inteligentes, porque são considerados pelas pessoas como algo familiar, próximo, que infunde confiança. As pessoas vêem-nos como parte da sua vida, algo de insubstituível, de seu. Dá-se uma espécie de personalização da tecnologia dado o nível de integração pessoa-tecnologia. E falo bem, pessoa, e não grupo de consumidores ou perfil. O próprio marketing está a marcar pontos nessa personalização que já não tem que ver com o “Olá, Cláudia”, mas vai muito, muito mais longe. São estes dispositivos e o seu uso inteiramente personalizado que abre um novo mercado, extremamente apetitoso.
A prova de que estas aplicações e dispositivos inundam todos os momentos do quotidiano é a categorização das aplicações nas App Stores: aplicações para o trabalho, a viagem de negócios, a forma física, as compras, a gestão doméstica, os investimentos na bolsa e fundos, etc. O telefone inteligente assume a cada momento o papel de guia da cidade, de mapa, de conselheiro financeiro, de personal trainer, de medidor de açúcar no sangue, enfim, de tudo o que se possa imaginar, mas cada vez menos de telefone. É um assistente permanente que se metamorfoseia a cada instante.
Mas o elemento mais elucidativo desta “dependência” tecnológica é talvez a recolha de testemunhos e experiências havidas com estes dispositivos num artigo da New Scientist intitulado “How smartphones are transforming our lives“. Existe uma aplicação para o iPhone, o Yelp, que é um guia de restaurantes. Até aqui tudo bem. A questão é que há pessoas que deixam de confiar nos seus olhos e intuição para seguir cegamente a recomendação fornecida pelo programa. A cena ocorreu com um casal em busca de restaurante que passou por uma série deles, mas não parou nem avaliou o interesse de jantar por aí. Preferiram seguir as indicações dadas pelo Yelp. No intrincado de ruas, acabaram por perder o contacto com a rede e pelos vistos o bom senso! Mas estas situações ridículas serão cada vez mais frequentes, porque gradualmente baixamos a guarda e deixamos de contar com os nossos meios, a nossa capacidade de decisão, avaliação e actuação.
A fronteira entre a tecnologia ao nosso serviço ou nós ao serviço da tecnologia é muito esbatida num cenário em que o envolvimento tecnológico é tão natural, à medida e confortável. Este poder de sedução da tecnologia moldável, prestável, útil, disponível, acessível, vai num crescendo imparável e outra coisa não seria de esperar. Antes da realidade virtual, já temos experiências bem sucedidas da realidade aumentada. Duas aplicações da plataforma Android, Layer e Wikitude, mostram claramente o mundo de possibilidades que se abre, não para um futuro próximo, mas para já. O princípio da realidade aumentada melhora a resolução, a captura, a representação da realidade, acrescentando-lhe informações de várias fontes, aumentando consequentemente a percepção do meio pela pessoa.
A experiência do olhar humano capta prédios, onde a realidade aumentada vê apartamentos para comprar. O problema, não é a tecnologia, que em princípio é positiva e desejada. O grande problema estará na progressiva desmobilização dos nossos meios e defesas naturais e, sobretudo, na forma como será seleccionada a informação ou conteúdos a privilegiar na realidade aumentada. Se as pessoas passarem a escolher a sua casa desta forma, as casas que não aparecerem no programa, não existem. Tirania da tecnologia e dos melhor posicionados para tirar partido e controlar de alguma forma o que cada um de nós vai ver, valorizar, conhecer e escolher “livremente” através das muitas aplicações.
A confiança cega na tecnologia pode embaraçar-nos muito, e seria melhor que fosse pelo ridículo, que pela selecção alheia do que vamos vendo, lendo, opinando e falando por aí…
A GravityTank realizou um estudo e chegou a algumas conclusões curiosas. Os estudos valem o que valem e as amostras, como neste caso, são sempre amostras. A análise de fenómenos como o da relação das pessoas com a tecnologia é muito complexa e difícil de delimitar. Contudo, avanço algumas linhas dos resultados.
Foram inquiridos 804 utilizadores de iPhone e Android G1, embora tenha havido um seguimento mais pormenorizado de uma vintena desse universo mais lato.
Relativamente ao uso, as pessoas gastam 2 horas/ dia nas apps dos seus telefones inteligentes. Esta contabilização exclui o uso do telefone para telefone propriamente dito, para e-mail e para SMS. São cerca de 30 as interacções diárias com o smartphone para consultar aplicações específicas. Cada pessoa tem em média 20 aplicações, sendo 25% dessas a pagar.
Consultadas sobre o que significa para si as App, ou seja, que associações fazem: 63% associa a divertimento; 50% a utilidade; 45% a interesse para monitorizar crianças; 46% a saúde.
Só 7% dos inquiridos acha que é uma moda, portanto, algo efémero que vai passar. Porque 54% admitem que as app mudaram a sua forma de pensar e 35% acham que mudaram a própria vida.
Uns significativos 53% consideram que as app estarão na base da promoção dos serviços e produtos que virão a consumir e a usar. Devo dizer que esta percentagem me surpreendeu, pois não esperava que a metade dos inquiridos tivesse consciência que o filtro do consumo pudesse vir a ser feito através destes dispositivos. A ideia que tenho do consumidor comum é a de que ele controla quando, onde e como comprar e não se deixa manipular.
No III Encuentro Ibérico de Docentes e Investigadores en Información y Documentación, Miquel Térmens [Departamento de Biblioteconomia e Documentação da Universidade de Barcelona] lançou uma proposta de estudo da investigação de uma instituição a partir do uso das revistas electrónicas.
Está mais ou menos estabelecida a prática de medir a produção em investigação através do número de artigos científicos e teses publicadas. A análise das referências de trabalhos por outros é també