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Girl Geek Dinners, a origem – Sarah Blow

Repassando o seu percurso e a origem do GGD, Sarah falou da instalação precoce dos estereótipos e da necessidade de estimular as meninas para as áreas tecnológicas. Contou que desde cedo se interessou por gadgets e sempre adorou resolver problemas, mas que foi um professor que aos 18 anos a influenciou no sentido da escolha das TI e não do Direito, como definira inicialmente.


Portanto a imersão desde cedo a a escola são fundamentais para que homens e mulheres dêem o seu contributo a áreas tão essenciais como as tecnologias.
Da sua experiência, referiu que os homens gostam de mulheres no local de trabalho, e que o IT ajuda a partilhar, encoraja a experimentar, desafia estereótipos, inspira professores e pais. Actuar nas escolas é muito importante para ter impactos.
Deixou uma mensagem forte e suficientemente clara de actuação de todos nós:

  • Pensar empreendedoramente
  • Revelar forças
  • Procurar parceiros naquilo que somos fracos (ninguém sabe tudo)
  • Procurar inspiração
  • Sair da zona de conforto
  • Acreditar que faz a diferença

Registo áudio:



Fork me – Dados Genéticos no Github

Ontem Manu Sporny criou um repositório com os seus dados genéticos no Github, permitindo a análise e tratamento dos mesmos por qualquer indivíduo, instituição ou empresa. Os dados estão disponíveis sob uma licença CCO – Creative Commons Public Domain License.

Convém esclarecer desde já que não se trata do genoma completo, mas sim dos dados genéticos que se podem obter a partir do serviço 23andme. O genoma humano possui cerca de 10 milhões de marcadores genéticos, sendo disponibilizados por este serviço a “somente” identificação de perto de 1 milhão e a análise de 160. Esta análise estatística elabora sobre a probabilidade de desenvolver no futuro determinada patologia com fundamento no código genético. Esta iniciativa levanta mais uma vez questões relativas à privacidade, protecção de dados e à acessibilidade ao que somos na essência. Esses temas e como o “autor” do código genético os equaciona são discutidos no seu blog, em particular nos comentários que surgiram de imediato. Sobre isso não farei comentários pois sai do objectivo deste artigo.

Não se pense contudo que esta atitude é inédita, pois já existem vários projectos similares que vieram à luz recentemente. Por exemplo o genomes unzipped, o Personal Genome Project, o Harappa Ancestry Project, e o Download my Genome de Sam Snyder. Os objectivos destes projectos variam na forma, mas orbitam a criação de ferramentas de análise e visualização da sequência genética. Deste modo procura-se acelerar o desenvolvimento de soluções de auxílio à investigação de doenças de origem genética. Uma base de conhecimento sobre a análise do código genético é a SMPedia, uma wiki onde se regista o significado de cada marcador genético e onde se alojam algumas ferramentas de análise do mesmo. Neste caso concreto o autor pretende gerar uma dinâmica de comunidade em torno de projecto de software livre que resulte em ferramentas web para melhorar os outputs actualmente disponíveis para tratar este tipo de dados. Em paralelo está a desenvolver uma startup em torno de uma aplicação com este mesmo objectivo. Outro projecto que já tem código utilizável é o que Nikhil Gopal apresenta. Tratam-se de ferramentas em Python para analisar os dados disponibilizados pela 23andMe. Também estão acessíveis num repositório Github.

Mas, não fosse o Github uma plataforma comunitária onde não há limites à imaginação, entre os vários forks que já se fizeram do código genético de Manu Sporny (14 no primeiro dia!), já existem patches que resolvem “bugs” e melhoram as capacidades do ser “original”. É o caso do TeMPOraL ou do cariaso, que resolveram um problema com o fechar da pálpebras e removeram o risco de doenças coronárias.

Sem deixar de ter o seu humor, é uma perspectiva verdadeiramente assustadora, este tunning do ser humano. Daqui a quanto tempo não se passará dos testes em software com a diminuição das “issue cues” aos protótipos de carne e osso?


Google: liderança ameaçada?

A pergunta que anda na boca de toda a gente é: o Google vai resistir? Por quanto tempo? A ameaça à liderança do gigante é bem real. Os grandes impérios caem sempre pela base! Depois de um ano em que o Facebook (FB) ultrapassou pela primeira vez o Google em número de visitas (o tráfego nas redes sociais superou o motor Google que liderava desde 2007) e não pára de angariar mais adeptos, colaboradores e receitas, boas razões têm os responsáveis do Google para se preocuparem.

Sinais dados pelas receitas

No ano de 2010, o Google teve lucros que ultrapassaram os 27 mil milhões de dólares com um crescimento de um trimestre para o outro. Face ao ano de 2009, conseguiu crescer 30%.

Google revenues (fonte: Google)

Google revenues (fonte: Google)

A Apple ainda teve um desempenho mais espectacular e triunfante, sobretudo graças ao último trimestre do ano. Ao todo facturou mais 61% que no ano de 2009, 22 mil milhões de dólares de lucros, sendo a fatia de vendas mais considerável a dos EUA, mas também na China. Vendeu só no último trimestre de 2010: 4 milhões de Macs (+23%), 16 milhões de iPhones (+86%), 7 milhões de iPads, 19 milhões de iPods (-7%). O Facebook foi avaliado recentemente em 50 mil milhões.

Para termos a noção dos valores em causa, uma empresa como o Ikea obteve um lucro anual de 2,6 mil milhões.

Apple: crescimento por produto entre 2005-2010

Apple: crescimento por produto entre 2005-2010

Mexida de cadeiras na direcção do Google

Há dias, num podcast do Twit, comentava-se que a direcção do Google parecia algo alienada da realidade, porque declarava o seu principal rival o Bing da Microsoft e não via perigo da parte do FB. No entanto, isto não deve ser tanto assim, e os responsáveis têm consciência da força das redes sociais na era nova dos negócios. Talvez por isso mesmo tenham optado por alterar as lideranças.

Larry Page, um dos fundadores, vai substituir, a aprtir de Abril, Eric Schmidt à frente há 10 anos, e Sergey Brin estará nos projectos estratégicos. A explicação dada aos investidores foi a de que a alteração visava ajustar melhor a acção dos dois e agilizar o processo de decisão.

A concorrência aperta e exigiu esta reformulação na alta direcção. Mas outras razões podem ser aventadas:

  • cristalização da estrutura, ao contrário de outras bem ágeis e mais simples, como a do próprio Twitter;
  • divergência de posições em casos como a censura na China, a entrada na guerra dos navegadores com o Chrome;
  • mas, sobretudo, devido à soma de conflitos com a indústria dos media, discográfica, editorial (Google acaba de lançar a loja online de livros nos EUA), e processos de desrespeito pela privacidade, sobretudo com origem na Europa e muito ligados ao Streetview. Portanto, o gigantismo tem assustado e colocado muitos organismos, estados e agências à defesa.

A ameaça chamada Facebook

A maior fatia da facturação do Google vem da publicidade e dos serviços de mobile e geolocalização. E os competidores mais directos e activos são o FB, a Apple e a dupla Yahoo-Microsoft.

Se o gerador de receitas do Google gira em torno do seu motor de pesquisa, é necessário que as pessoas de todo o mundo cada vez mais façam aí as suas pesquisasos e utilizem os seus serviços de forma a torná-los atractivos para o mercado empresarial investir aí em publicidade. É neste ponto que reside a debilidade da máquina Google. As pessoas estão a descobrir formas alternativas à até aqui única de estar e satisfazer as suas necessidades de pesquisa.

O Twitter, e cada vez mais o FB, permitem que um número crescente de utilizadores entrem e já não saiam e usem quase exclusivamente os seus serviços para o trabalho, amizade, etc. Outro factor discrepante e decisivo é o tempo de permanência. Se um motor como o Google retém os utilizadores por um período que demora a consulta, o Twitter ou o FB cativam as pessoas por períodos muito longos, criando oportunidades de serem mais facilmente abordados por empresas.

O ambiente social é extremamente interessante para os investidores e anunciantes, porque têm público em número, em permanência e em disponibilidade, afinal, passa-se tudo entre amigos, com lazer associado, etc. A pesquisa torna-se predominantemente social e as pessoas desejam as dicas de amigos e dos seus pares.
Além disso, estas redes estão em permanente revolução e com oferta de novos serviços que acrescentam valor. Nasceram no meio, sabem ouvir os públicos, vivem dessa sua capacidade para se moldarem. Veja-se o exemplo recente do FB que inaugurou o serviço de email instantâneo e SMS, em reposta aos muitos membros da rede que se queixavam da lentidão dos seus serviços convencionais de correio electrónico. Com o lançamento das conversas, como lhe chamou, o FB parece fazer frente ao Google e ameaçar o Gmail. Além disso, estiveram em palco desentendimentos, porque o Gmail passava os contactos ao FB, mas não o contrário. Assim, o Google fechou a porta (a sua API) aos programadores da plataforma FB.

O FB é um microcosmo, uma Internet dentro da Internet, com moeda própria, onde se entra e se tem tudo o que precisa. E nessa perspectiva, foi criado o serviço Facebook Connect que viabiliza a autenticação/ registo noutros sites sem nunca abandonar a plataforma FB. A parte curiosa na história, é que o Google ficou fora da festa. Isto é, os seus crawlers não têm acesso ao mundo FB, logo os seus resultados não vão mostrar o que as pessoas querem saber. Ao contrário, a Microsoft com o Bing oferece resultados do que se diz no FB em tempo real, serviço vedado ao Google. A Microsoft detém títulos do FB!

Este “afastamento” do Google ficou agravado pelo facto da empresa nunca ter conseguido ser bem sucedida nos produtos de vertente social: a rede social Google Me, o serviço Wave, o serviço Buzzer, foram reconhecidamente inovadores, mas não conquistaram as pessoas, não souberam ler-lhes o sentimento. Decididamente, o Google é de uma geração diferente do FB e parece não lidar bem com o social. Os responsáveis afirmam que não têm o mesmo conceito de Internet social que o FB, que não querem criar outro igual. Todavia o modelo de negócio baseado no social é bem rentável e atrai as empresas e receitas de publicidade. A manter-se assim, as receitas de publicidade do Google podem escapar-se, como já o indicam recentes dados.

Segundo a comStore, o Facebook já lidera em temros de publicidade gráfica.

comStore - publicidade gráfica

comStore - publicidade gráfica

Futuro

Pessoalmente, e apesar do gigantismo e algumas deformidades do Google, aprecio globalmente o trabalho que realiza. As iniciativas da empresa para atrair gente jovem, envolver-se em projectos de base alargada e interesse público é reconhecido. Orquestra sinfónica do Youtube, o Labs e o Code, com ferramentas úteis e de excelente qualidade, como por exemplo o Google refine, a ideia de reunir o máximo de informação para disponibilizar ao máximo de pessoas de todo o mundo, o esforço em melhorar os seu serviços sempre que é atacada por violar a privacidade e direitos de autor, as excelentes ferramentas de geolocalização ao serviço de grandes catástrofes e desastres naturais, por exemplo. Pode parecer demasiada generosidade – Be Good, mas essa vertente não existe no FB que é mais clubístico, mais voltado para o fazer dinheiro, mais fechado em si mesmo quanto aos planos que parecem reduzir-se a “como fazer com que as pessoas passem mais tempo na nossa plataforma?”

Admito que haja outras opiniões e que venha a mudar o meu ponto de vista, mas até à data não vi uma empresa com projectos tão diversificados, úteis em si mesmo, com valor acrescentado para populações, como o Google.


Sistemas operativos in-out

Muito se tem falado ultimamente sobre os sistemas operativos a propósito do Chrome OS, “Noting but the web”, não o navegador, mas o novíssimo sistema operativo do Google com estreia marcada para 2011.
A razão dos zuns-zuns prende-se com o facto de ser um sistema sem instalação local, inteiramente operacional na cloud. Não se pense que o Google está sozinho nisto, porque outras empresas estão a desenvolver o mesmo, ex. Jolicoud. Mas um outro motivo forte para os zuns-zuns é a alteração do actual quadro de líderes dos sistemas operativos tradicionais – Microsoft e Apple. E como não se pode dizer que estes estejam propriamente a dormir, de que forma estão a marcar a sua posição neste novo cenário?

Cloud ou local, eis a questão

Há cerca de três anos, a cloud era certamente um bicho muito assustador para empresas e utilizadores individuais. Todavia, lentamente, as pessoas passaram a usar pequenas aplicações, periféricas em relação às suas necessidades, alojadas na cloud. Começaram por guardar as suas fotos no servidor do Flickr ou Picasa, entretanto, descobriram a comodidade do Gmail e sincronizaram todos os seus dispositivos pelo repositório de email nos servidores do Google. Passaram a guardar algures os seus vídeos, caseiros ou profissionais, entretanto os projectos e outros documentos para mais facilmente poderem partilhar e trabalhar colaborativamente, bem como o seu portefólio, currículo, etc.
Com tantas aplicações na cloud usadas diariamente, passar a ter aí todo o sistema operativo não parece nada de outro mundo. Basicamente o PC, netbook ou smartphone, são meros terminais ou clientes de um mega-servidor onde ficam alojadas as aplicações para trabalhar e gerir todo o sistema, bem como os dados.
Não faltam vozes a levantarem-se contra esta tendência, sendo uma das mais ásperas a de Richard Stallman da Free Software Foundation que advoga que o SO (sistema operativo) na cloud representa a perda do controlo dos ficheiros, mas também a perda de controlo do sistema, dados, os ficheiros, porque tudo passará a estar nas mãos de empresas. Em várias intervenções, deixou claro que sistemas como o Chrome OS enganam os utilizadores. Apresentam a necessidade de armazenar menos no local como uma vantagem, pois os servidores Google tomam conta desse processo, mas que na verdade isso é um perigo.
Apesar do alerta ser legítimo, não se vislumbra que a tendência desacelere dados os benefícios imediatos. Quem ainda não experimentou o gozo de poder usar uma Dropbox, o iTunes, o UbuntuOne para aceder aos seus dados em qualquer momento, de qualquer parte do mundo, desde que tenha conexão à rede?

Traço comum aos sistemas operativos na cloud

Para já, o sistema operativo mais famoso é o Chrome OS, mas há e surgirão muitos mais. Jolicloud, uma solução da empresa francesa Vye, está pensada para netbooks e tem por base o Ubuntu, um interface atraente, e ainda mistura aplicações locais (por ex. GIMP para edição gráfica) e web apps.
O que distingue estes sistemas operativos dos convencionais é o uso exclusivo ou quase exclusivo de aplicações para web, a passagem do desktop para a web, a rapidez, a facilidade de sincronização com qualquer dispositivo que se ligue à conta, e o único requisito para funcionar ser a conexão. Já não são precisos conhecimentos ou tempo dedicado à instalação, actualização do sistema. Qualquer aplicação não disponível que se deseje, basta um simples clique para a activar, funcionando o mesmo para desligar. Um sistema intuitivo de switch on e off e uma imersão completa no mundo web e nas aplicações sociais, de produtividade, e outras que venham a surgir.

Sistemas operativos everywhere

Na CES de Las Vegas, Feira das novidades em tecnologia, passa a ideia de que no futuro já imediato, os sistemas operativos vão também estar presentes nos electrodomésticos e toda a gama de dispositivos, porque a tendência que começa a ganhar contornos visíveis é a de soluções hardware+software+serviços num único acto. Isto significa que nos bastidores, as empresas dos vários sectores, que têm trabalhado separadamente, terão agora que coordenar esforços e pensar produtos e serviços conjugando tudo num só.
A Apple é a empresa com maior experiência nesta área, porque sempre pensou o hardware em função do software e vice-versa, controlando o processo. Há também alguns anos, passou a controlar o 3º elemento, o dos serviços, ao lançar as suas plataformas, a App Store, o iTunes.
Esta perfeita sintonia entre as peças chave na construção do produto/ serviço final vai ser cada vez mais decisiva e fundamental para o sucesso.
Extrapolando o dito para um exemplo prático, os fabricantes dos frigoríficos terão de aproximar-se de empresas que desenvolvam aplicações e software a incorporar no frigorífico, e os dois terão de atrair um outro parceiro que se encarrega da oferta do serviço de entregas e encomendas ao domicílio – um hipermercado/ distribuidor.

Um outro exemplo, este já um produto no mercado, o Withings Smart Baby vigia o bebé, transmitindo imagens e sons através do sistema operativo Android e do iPhone. Portanto, o campo de aplicação é vasto.

Conclusão

Neste cenário, os sistemas operativos mais abertos, flexíveis e com mais massa crítica e programadores associados, vingarão por certo. E o sistema Android, agora utilizado para smartphones, poderá vir a ser estendido a outros dispositivos. Ou mesmo o Chrome OS ou qualquer outros sistema que reúna as vantagens referidas.

Com a chegada da cloud, os sistemas opertivos não perigam, pelo contrário, alarga-se o âmbito de aplicação (da informática aos electrodomésticos). Eles estarão por todo o lado, simplesmente poderão estar alojados localmente ou num qualquer servidor na Internet.


Turismo: sol, praia e uma estratégia dá muito jeito

A expressão das redes sociais não pára de aumentar e o seu peso e influência na economia também não. Se até aqui era um meio de monitorizar a receptividade a produtos e serviços, o mesmo indicador vai passar a servir para premiar a promover os melhores ao nível dos salários.

A cartada é dada no sector hoteleiro, um dos que prontamente começou a usar as redes sociais, e o protagonista é o Grupo Sol Meliá.

Na avaliação dos hotéis e de toda a equipa envolvida não contam apenas as avaliações e auditorias, mas também a opinião dos clientes. Não se trata de mais um parâmetro na avaliação do desempenho, é um elemento que decide valor salarial. Sol Meliá indexa 20% do salário a este novo factor. A meta é pressionar os estabelecimentos a figurarem nas 3 posições de topo das avaliações de hotéis em cada categoria.

Esta iniciativa vem reforçar o forte uso das redes pelo grupo que tem 15 pessoas a trabalhar na forma de potenciar o uso das redes em favor do negócio, trabalhando maneiras de conhecer os clientes, preferências e levando a marcações no próprio site sem intermediários.
A TripAdvisor é talvez o website mais reconhecido na publicação das opiniões dos clientes e goza de reputação no sector.

Campanhas permanentes na internet

Campanhas permanentes na internet

Esta atitude nada se assemelha à dos hotéis do Algarve que nos últimos anos pouco têm feito para a sua independência e fidelização directa, sem intermediários, dos clientes. Se uma operadora deixa de trazer turistas, ficam à deriva, como foi o caso agora com o corte de viagens da Ryanair, EasyJet e as imposições da operadora Thomas Cook, que com a TUI, constituem os maiores fornecedores de turistas para a época baixa.

Os operadores turísticos são um meio, mas não pode ser o único. Amanhã voltam-se para outro destino e fica-se a ver navios… Onde está o investimento e a concertação para promoverem a imagem e hospitalidade fora? O Governo mete a colher em tudo, como na campanha AllGarve, mas o certo é que o país se põe a jeito. Nada se faz, espera-se pelo Turismo de Portugal, o senhor secretário de Estado. Alguém há-se dar o empurrãozito. A inércia não é eterna, não? Acaba de sair a notícia no Económico de que a RyanAir e a EasyJet vão trazer 500 mil este Inverno. Tudo sossega e para o ano há mais. Sempre a empurrar os problemas com a barriga… O que é certo é que a Thomas Cook aplicou a mesma regra em Espanha e a Sol Meliá não se ressentiu!

Notícias consultadas

Sol Meliá vincula los salarios a la opinión de los clientes en Internet
Sol Meliá premia el boca a boca
Ryanair e easyJet oferecem 500 mil lugares no Algarve este Inverno


Facebook no cinema… e na vida real

Já há mais de um ano que foi anunciado o filme sobre o Facebook e o seu fundador, Marc Zuckerberg. A estreia tem data para Outubro e as filmagens já estão a decorrer. No IMDB o cast é um sem fim de actores e actrizes. O trailer também já pode ser visto, embora só tenha fragmentos de diálogos.
No meio da história incrível do Facebook, feito “gente crescida” em poucos anos, é evidente o sucesso.
Sobre a “frase-buzz” do filme – You don’t get to 500 million friends whithout making a few enemies, a primeira parte está aí para que se veja: uma comunidade que tem +400 milhões. Arrepiam os números (ver abaixo)! Quanto à segunda parte, parece estar agora a tomar forma mais contundente.
O filme tem por título The Social Network e está baseado no livro “Accidental billionaires”.

A história

Os ingredientes: ambiente universitário de Harvard, colegas, namoradas, escrita de código, “livro das turmas” (classmatch), paixão por tecnologia, geeks, amizade, traição, sucesso desde a primeira hora.
Mark, desde o secundário, mostrou ser empreendedor e pôr as ideias em prática. na altura, com outro colega, criou o Synapse, um leitor MP3 inteligente, porque memorizava as preferências do utilizador. No seu perfil do Facebook confessa ter como interesses pessoais: “openness, making things that help people connect and share what’s important to them, revolutions, information flow, minimalism”.
Em Harvard, agitou toda a universidade, quando a sua rede recém-criada conseguiu funcionar durante 4 horas, pondo em risco a segurança e privacidade da rede institucional.
A sua ideia era já na altura criar rede de consulta de turmas e respectivos alunos, votar fotos, etc. A rede nasceu em 2004. Começou com a universidade de Harvard, mas depressa se estendeu ao MIT, Standford, ensino secundário e empresas. A evolução nas funcionalidades também iniciou e não mais parou. Integração com blogues, fotos, anúncios/ classificados. Facebook marketplace, Facebook platform, Facebook connect, e agora o recente Facebook Open graph, contribuíram muito para a visibilidade e poder desta rede.
Este último conceito mostra bem a ideia perseguida pela empresa – levar a conectividade e a portabilidade ao extremo. O novo botão “Like this” liga utilizadores a marcas, produtos, empresas, figuras públicas. Com tecnologia e dados abertos, é possível criar grafos (ligações entre nós) que potenciam negócios e serviços, pois acedem aos dados públicos das pessoas sem haver necessidade de registo. Por exemplo, o serviço Yelp que sugere restaurantes e eventos, usa o perfil do Pandora, música escolhida pela pessoa, para sugerir eventos coincidentes com o perfil musical.

Esta lógica de tudo ligar, partilhar e avaliar, tornou a rede desde cedo muito apetecível para os investidores. O Pay Pal foi o investidor inicial, mas uma vez valorizada, foram já muitas as empresas a querer comprar acções: Digital Sky Technologies, Microsoft, Bono Vox.

Os números

Um post do Royal Pingdom revela o software que sustenta o actual maior website do mundo – a plataforma FB. E a robustez do software e infraestrutura é de facto impressionante se atendermos ao tráfego:

  • 570 mil milhões de pageviews mensalmente;
  • Mais fotografias do que em todos os outros sites combinados (incluindo o Flickr);
  • 3 mil milhões de imagens/ mês;
  • 1.2 milhões de fotografias visualizadas por segundo;
  • 30,000 servidores (dados de 2009)

Em Fevereiro, preenchidos 6 anos, FB chega aos 400 milhões de utilizadores.
As linhas fortes: conectividade, lado pragmático, reunir tudo numa plataforma, excelência dos aplicativos, jogos e boa integração com outras redes e serviços como Twitter, parecem compensar um lado mais negro: intrusão, privacidade.

O sonho do FB (e de qualquer empresa) é chegar à expressão “Internet=Facebook”, isto é, ser a porta de entrada e “prender” aí os utilizadores quando se ligam sem que saltem para outros sites. Contudo, à pergunta “What Do You Check First: E-mail or Facebook?” a empresa de estudo ExactTarget revelou que o email ainda é a primeira paragem, como se pode ver nesta criativa infografia de início do dia.

Muito curiosa é também a proposta do Visual Economics que realizou uma infografia sobre a economia do Facebook. Se fosse um país seria o 3º mais populoso (e ficaria no Atlântico). Os estados ou regiões economicamente mais significativos são Zynga (autor de jogos, inclusive o Farmville), em termos de páginas Michael Jackson, Lady Gaga e Obama. A média de tempo despendido diariamente por 200 milhões é de 55 minutos, tempo esse avaliado em 916 milhões de dólares.

facebook-economy

Contendores e contendas

Os contornos da guerra são cada vez mais claros e sinais não faltam.
O Facebook iniciou, desde há uns tempos, caça aos talentos das rivais. Recentemente “roubou” ao Google Matt Papakipos, o líder do Google Chrome OS. Mas também Sheryl Sandberg já tinha saltado para o FB antes, verdadeiros rombos nos RH.
O que me faz pensar que o projecto FB seja bastante aliciante e visionário é o facto de cativar pessoas que já não mudam de emprego por dinheiro, mas por ideias. Está o Google a perder o barco? Tem o FB uma estratégia nova para mobilizar as pessoas? São tudo segredos bem guardados, mas que virão a lume proximamente. Será interessante saber o que cada um esconde debaixo da manga. Das experiências e destas empresas saem perfeitos manuais de motivação e gestão de projectos!

Outro factor é o cada vez mais expressivo peso das redes face aos motores de pesquisa. A pergunta “Is Facebook Getting Bigger Than Google?” começa a circular nos corredores, até porque pela primeira vez as redes ultrapassam em tráfego os motores de pesquisa, traduzindo em nome, o FB ultrapassou o Google (dados referentes ao Reino Unido).

Agarrem-se, vem aí o Google Me

Nem tudo são rosas no FB e há pessoas desiludidas e furiosas com a perda de dados que as muitas alterações do layout da plataforma acarreta.

Do lado do Google, já não são rumores. A confirmação do projecto Google Me, alternativa ao Facebook, pode alterar as peças no tabuleiro.

Diaspora é outra rede social, open source, que tem um programa anti-Facebook. Prometem lidar com as questões da privacidade, dar mais controlo ao utilizador da sua própria aplicação e dados. Zuckerberg fez donativo para o arranque do projecto e disse estar muito interessado em seguir esta rede.
Não há dúvida nenhuma que a existência de alternativas são sempre saudáveis para o mercado e até para a empresa que lidera, até porque quando assim é, deixa de estar tão debaixo de fogo. O Google Me será para luta corpo a corpo, mas o Diaspora será sempre um nicho que pode vir a ganhar uma expressão interessante, numa altura em que várias pessoas começam a ficar irritadas com os abusos e a suspirar por algo que controlem elas próprias.


3D com “cheirinho” de 4D

Numa altura em que o 3D está a chegar ao cinema e às casas das pessoas, questionamo-nos acerca do que é o 4D.
Este surge geralmente associado a eventos e a campanhas de marketing e o objectivo consiste em criar efeitos ao nível sensorial para envolver ainda mais os participantes na experiência. Um ou dois sentidos são convidados a participar, como o tacto, o nariz, pois os estímulos são normalmente odores, salpicos de água, etc.
Quando falamos de dimensões consideramos a largura, altura e profundidade, conseguida agora com o avanço da tecnologia e a construção de imagem capturada por múltiplas câmaras em simultâneo. A quarta dimensão, que corresponde ao decurso do tempo, é activada pelos 5 sentidos, pela experiência.

Exemplos de uso de 4D em eventos e marketing

O Downloader do Sapo no Rock in Rio Lisboa permitia aos participantes entrar numa espécie de caixa elevatória. Durante a subida, as pessoas eram convidadas a assistir a um vídeo a 3D a que se juntava a queda de salpicos de água.

Uma cadeia de cinemas na Coreia do Sul juntou à experiência 3D do Avatar de James Cameron sensações e efeitos ao longo da exibição. Narram as notícias que os espectadores foram sujeitos a mais de 30 efeitos ao longo do filme, tais como cheiro de explosivos, salpicos de água, vento, luzes de laser, vibrações das cadeiras. Recordando o filme, de facto estes efeitos estão na linha de desenvolvimento da narrativa cinematográfica e imagino que intensifiquem bastante as emoções do público.

A Kraft Foods Brasil desafiou a agência publicitária brasileira Ogilvy a promover a marca Lacta de chocolate em tablete. O projecto materializou-se numa campanha para as salas de cinema, sendo distribuído o chocolate gratuitamente à entrada. Antes do filme, um vídeo que explica o fabrico do chocolate passa no écrã enquanto o aroma a chocolate é libertado na sala.

O filão dos jogos

Se é certo que o cinema e a publicidade estão a alimentar-se das 3D, mais certo é que essa ligação ocorra com os jogos, quase sempre a génese e área de testes das tecnologias de ponta.

Depois das experiências dos jogos online, seguem-se os chamados jogos de massas, ou também chamados jogos de audiências, como os concebidos pela Audience Entertainment, uma empresa criada pela YDreams e pela sua parceira americana a Brand Experience Lab. Criam jogos para espaços amplos e grupos grandes de pessoas, como é o caso de concertos. Câmaras 3D seguem os movimentos das pessoas e reproduzem em tempo real os movimentos produzidos pela multidão no filme/ imagem projectada. Parecendo que não, a exploração deste tipo de experiência em grupo amplia a emoção e cria experiências memoráveis. E isto não é pouco, se pensarmos que o Santo Graal da publicidade é a busca da emoção agradável que se prolongue na memória.
Comento aqui o slogan da empresa Coming soon to a theatre or stadium near you! que traduz fielmente o espírito deste trabalho que se orienta para open space e promete surpreender e tomar de assalto a pessoa.
Os jogos de massas estão a ser utilizados por empresas de telecomunicações, bebidas, automóveis, que vivem muito de criar sensações fortes e paixões.

Um dos jogos do portefólio da Audience Entertainment é o namorado que segue desaustinado pela estrada depois de receber um telefonema da namorada aborrecida e esquecida em casa. O jogo consiste em fugir de obstáculos e recolher as flores e bombons para chegar às pazes com a amada.

Uma realidade que vai ditando as modas noutros sectores é a dos videojogos, cada vez mais na forma online e na forma de jogos sociais nas redes. Na edição do E3 (Electronic Entertainment Expo), exposição de videojogos de Los Angeles, ficou claro que a indústria está a dar na medida do que o utilizador pede. As linhas de acção são:

  • mais imersão (incorporação do 3D)
  • mais controlo pelo movimento do corpo, pois a nova era de jogos dispensa comandos e teclas. É o corpo quem manda, um conceito já realidade na Wii, mas trabalhado com a tecnologia kinect da Microsoft para a plataforma Xbox. O mesmo sucede com a tecnologia Move da Sony a integrar com a plataforma PS3.

Não há dúvida nenhuma que a sincronização cada vez mais perfeita e imediata entre o pensamento e a reacção da máquina se terá de estender a áreas que não são tão fortes, como a do software e das aplicações empresariais.


HTML5 e Flash, e agora?

Flash versus HTML5Em todos os grandes canais de notícias de tecnologia – Read&WriteWeb, Techcrunch, discute-se a guerra aberta entre os formatos Flash ou HTML5 para o vídeo, em outros termos, a guerra entre a Adobe e a Apple.

Desde o lançamento no mercado do iPad que a empresa não permite Flash em nenhum dos seus dispositivos. Esta recusa apanhou o mercado de surpresa. Primeiro, foi a chuva de críticas pelo facto de não permitir ver conteúdos em Flash. Seguiram-se as explicações do CEO Jobs, o contra-ataque da Adobe, o destaque dado ao HTML5. Sobre tudo isto e muito mais daremos conta em seguida.

E no princípio, tudo era Flash

Desde há uns bons pares de anos e perspectivando outros tantos, a Adobe preparava-se para reeditar a proeza do PDF com o Flash. Impor-se como formato universalmente aceite e adoptado pelos consumidores e programadores e indústria. Seguindo a mesma táctica, disponibiliza plug-in para os navegadores lerem Flash, ou o Flash Player, e facilita especificações para que seja possível desenvolver ferramentas de criação, edição. Banalização, adopção em massa e uso generalizado em banners (publicidade), páginas web, jogos, apresentações, sítios inteiros, têm caracterizado a forma de estar da empresa no mercado.

A interactividade e animação conseguidas com criações Flash seduziram os públicos e anunciantes desde logo e a empresa esmerou-se para tornar o Flash presente e interessante em todas as plataformas, sistemas operativos e navegadores.

O uso de Flash na plataforma Youtube mostra bem a aceitação no mercado.

Afinal, há alternativa

Apesar do mundo parecer perfeito, alguém levantou a voz e disse que havia melhor. Esse alguém foi Steve Jobs da Apple num texto denominado Thoughts on Flash. Foi logo secundado por outros, uns mais acérrimos e azedos que outros, mas os sectarismos surgiram logo e a paisagem paradisíaca virou campo de batalha.

Numa linguagem sem papas na língua, Jobs expõe os motivos para recusar o Flash nos dispositivos iPhone, iPod e iPad. Diz que o faz por transparência e para contestar a ideia avançada pela Adobe que é por temor à concorrência. As razões, garante Jobs, são puramente tecnológicas.

  1. Flash é proprietário. A Adobe é a única empresa detentora e com total controlo sobre o futuro e o custo do Flash. Ora a Apple entende que os standards da Web como recomendado pela W3C devem ser abertos, como o HTML, o Javascript e o CSS. Se existe uma alternativa aberta e não proprietária, essa deve ser a preferida pela Apple.
  2. Cobertura da web não é problema. A Adobe na sua campanha de ataque insinuou que não disponibilizar Flash era o mesmo que não dar acesso a uma parte significativa da web. Mas existe um outro formato concorrente, o H.264, que funciona nos aparelhos Apple, que foi adoptado pelo Google (Youtube), Vimeo, Apple. Quanto aos jogos em Flash de que os consumidores estariam privados, Jobs refere que a gama que existe na App Store da Apple é tão vasta que não deixa o jogador com pena.
  3. Desempenho e segurança diminuídos. A Apple alega que os problemas no Mac e exposição a perigos de segurança advêm e são potenciados pelo Flash.
  4. Consumo de bateria enorme. O H.264 funciona com o descodificador no hardware que economiza bateria, ao passo que o Flash solicita demasiada bateria, o que é muito crítico em dispositivos móveis.
  5. Flash desadequado para dispositivos móveis. Steve explica que o Flash nasceu para o PC e o rato e não para dispositivos de ecrã táctil. Todas as aplicações Flash têm de ser reescritas para funcionarem em versão móvel. A pergunta que faz é: se é necessário reescrever, porque não usar HTML5 e outras normas abertas?
  6. Plataformas da Apple independentes. A Apple pretende uma plataforma o mais aberta possível para que os programadores sejam inovadores e não se sintam constrangidos por um formato ou actualizações e implementações tardias das ferramentas. Acrescenta que a Adobe tarda em responder às necessidades do mercado e não tem ainda pronto o Flash para contexto móvel.

Conversa para desviar atenções

O desenvolvimento e aperfeiçoamento da tecnologia Flash para iPhone foi abandonado depois da troca azeda de galhardetes durante 3 meses entre as duas empresas. Adobe virou-se a 100% para o Android, festeja sempre que programadores de aplicações iPhone migram para Android e responde à argumentação de Steve Jobs:

  • Acusa a Apple de querer criar um ecossistema fechado em que define que tecnologias aceitar e rejeitar e impõe essa lista aos programadores
  • Defende-se dizendo que o Flash não é proprietário, mas uma especificação aberta
  • Explica que os problemas no Mac é do sistema e não do software da Adobe
  • Garante que a estratégia da Aplle é económica e não tecnológica

E é caso para questionar se os motivos são tecnológicos ou se se trata de uma estratégia comercial e de procura da liderança no mercado do vídeo e da publicidade.

São mais contendores que contendas

Até agora, a Adobe detém a liderança da descodificação do vídeo com 75% de todos os vídeos, pelo que é legítimo saber que razões terão levado Jobs a atacr o parceiro de negócios e desenvolvimento até aqui. Se analisarmos os argumentos de um lado e de outro, vemos algumas movimentações.

Jobs tem motivos suficientes para criticar o Flash e parece não estar só nesse golpe:

  1. Desde a chegada ao mercado dos telefones inteligentes, dos tablets e dos “ebooks faz-tudo”, que a realidade o móvel se impôs à força toda, área em que a Adobe ainda não conseguiu dar uma resposta cabal e satisfatória aos que implementam Flash
  2. A incapacidade em responder com a mesma eficiência que o fez para o PC vê-se na corrida a soluções para lá do Flash pelas empresas que lideram a construção de hardware e software para estes dispositivos emergentes
  3. Há muita gente de vários quadrantes que afirma que o Flash não tem desempenho impecável, como é o caso do responsável pelo IE
  4. O HTML5, em fase de testes, e só provavelmente disponível para produção em 2012, começa a afigurar-se como uma alternativa com pés para andar e já foi abraçado pelo Google, Apple, Opera, Mozilla, IBM e Microsoft

Jobs não diz toda a verdade, porque a Apple, que tem a maior loja de aplicações e a maior plataforma de desenvolvimento, alterou as regras de licenciamento e impõe uma série de regras e proibições, entre as quais o uso de Flash, aos programadores que queiram criar aplicativos para iPhone, iPad e iPod. Além disso, só autoriza tecnologia Apple ou tecnologia por si aprovada, limita o acesso de dados dos utilizadores a terceiros, ficando com eles para potenciar o seu negócio de publicidade, e obriga ao uso da sua plataforma de publicidade iAd para todos aqueles que queiram ganhar dinheiro pela publicidade com as suas criações.

  1. A Adobe tem razão ao afirmar que a plataforma da Apple é fechada
  2. A debandada de alguns programadores da plataforma Apple para Android prova que existe contestação e desconforto com esta falta de liberdade. Um estudo da AdMob indica que 70% dos programadores pensam nos próximos 6 meses passar à plataforma Android para criar publicidade. Além disso, o Google é mais pro-open standards
  3. A política recente da Apple aos programadores da sua App Store está a ser alvo de investigação, porque se crê que possa estar a violar as leis da concorrência
  4. Existe uma incoerência no discurso de Jobs que se declara a favor de normas abertas, mas defende o codec proprietário H.264 como lembra Hugo Roy da Free Software Foundation Europe
  5. A recusa da Apple neste momento representaria fortes quebras na receita da publicidade, caso não existisse forma de converter o Flash em HTML5, o formato iFlash, que é suportado pelo iPhone e família Apple.

A mais valia do HTML5 face ao Flash

Sucessor do HTML4 de 1997, com desenvolvimentos em XML e XHTML, o HTML5 não podia receber melhor publicidade que a proporcionada pela recente polémica. Todos passaram a falar e põem os olhos aí. A este propósito, veja-se o gráfico do Google Insights Search que revela nos últimos meses um pico de procura na pesquisa.

HTML5 nas pesquisas

Nesta matéria como noutras, surgem as fileiras de um e outro lado, ocorrem escaramuças aqui, batalhas mais sangrentas ali, mas numa coisa parece haver consenso. O HTML5, o markup por excelência da Web, vem para ficar e tudo é uma questão de tempo. A própria Adobe não se cansa de repetir que não será destronada do dia para a noite e que o convívio será inevitável. Por sua vez, a W3C prevê o salto em 2011/ 2012. O que significa na prática que vão ainda ser necessários 2 anos para generalizar, mas a maioria dos navegadores já suporta HTML5 – Firefox, Safari, Chrome, e brevemente Explorer, o IE9.

Tanto Flash como HTML5 permitem criar aplicações ricas em conteúdo para ambientes Internet, mas com uma diferença substancial. Enquanto o HTML5 permite inserir vídeo e áudio de forma nativa sem plugins, o Flash, que é uma aplicação RIA Rich Internet Applications é chamado para que o navegador apresente o vídeo e áudio. Um comparativo detalhado está disponível no Guia da Ludamix e testes ao desempenho estão aqui.

Outras características muito positivas do HTML5:

  • Vê o número de etiquetas para estruturar e descrever o conteúdo bastante alargado, o que abre caminho à Web semântica;
  • Permite introduzir metadados úteis para os navegadores e os motores de pesquisa, ao contrário do Flash que é pouco amigável para a optimização do posicionamento na Web e dá pouca informação aos motores para a indexação;
  • Permite incrustar vídeo e áudio nativamente sem necessidade de aplicações terceiras como Flash (da Adobe), JavaFX (da Sun) ou Silverlight (da Microsoft);
  • Padroniza a apresentação dos vídeos e permite legendas, títulos e subtítulos;
  • Carrega os vídeos mais rapidamente e com possibilidade de saltar para qualquer parte do vídeo;
  • Guarda dados em local para visualização offline;
  • Inclui etiquetas de geolocalização;
  • É verdadeiramente multi-plataforma, multi-navegador e presta-se a ser base de trabalho em qualquer plataforma de desenvolvimento, o que facilita a transferência entre plataformas e a criação de produtos que funcionam em todas elas.

Apesar do bom avanço, uma nuvem paira no ar – a guerra dos codecs que são necessários para descodificar o vídeo. O Google e a Apple apoiam o formato proprietário H.264, a Mozilla e o Opera o formato livre Ogg Theora, defendido pelo consórcio W3C. Mais recentemente, o Google anunciou o lançamento do VP8, cujo código quer abrir com a ajuda da Mozilla.

A adopção de qualquer destes adia a introdução do HTML5, sendo aliás um dos argumentos fortes dos adeptos do Flash: para quê estar a reescrever numa nova linguagem e aumentar a entropia com a escolha de codecs, se o Flash já é uma realidade, é conhecido tanto pelas equipas de desenvolvimento como pelos consumidores que possuem ferramentas adequadas que ainda podem ser mais aperfeiçoadas com o empenho da Adobe?

A Adobe já provou que tem garra e segue estratégias fortes de habituação do mercado. Não tenho dúvidas acerca do seu plano de tornar o Flash mais eficiente e extensível a qualquer plataforma e projecto. Já acho mais obscuros os desígnios da Apple. Todavia, o Flash nunca foi nem nada leva a crer que venha a mudar substancialmente os seus índices de baixa acessibilidade. Com acessibilidade refiro-me àquela característica de aceder ao conteúdo sem barreiras e de forma transparente. Não existe nada pior que um sítio construído em Flash para pessoas portadoras de deficiência, que o diga Katherine Lynch, uma especialista em acessibilidade e usabilidade da Drexel Libraries em Filadélfia.


“Ontem fartei-me de apanhar morangos!”

É com esta divertida frase que começo o artigo dedicado ao Farmville, o jogo que anda na boca de toda a gente. Apanhar morangos, embora virtuais, como esclareceu e bem o Governo Sombra da TSF, é uma sinédoque para trabalhar no campo.

Para ir directa ao assunto, o Farmville é um jogo criado pela empresa Zynga que tem muitos outros jogos, mas que acertou no bingo com este. Usa o famoso Facebook Connect, API que permite que um utilizador Facebook e os seus amigos se possam manter em contacto noutras esferas, neste caso no cenário deste jogo, que é um desafio à gestão de uma quinta.

O texto promocional do jogo em inglês é mesmo “Is a game where you can farm with your friends”. E é neste jogar com os amigos que parece estar o segredo do sucesso, já que a empresa segue à risca o slogan: “Connecting the world throught games”, ou seja, lidera o mercado do jogo social. O seu portefólio cobre jogos para plataformas e redes sociais como o Facebook, MySpace, MSN Games, iPhone. O sentido de comunidade é fortalecido pela dinamização de blogs, wikis, e clubes de fans, quer da empresa Zynga quer de outros elementos que aproveitam para passar alguma publicidade.

Explicar o Farmville

O jogo foi lançado em Junho de 2009, mas depressa granjeou muitos adeptos fervorosos por todo o mundo. A plataforma escolhida foi o Facebook, uma rede imensa de mais de 400 milhões de utilizadores, sendo mensalmente 80 milhões os jogadores activos.

FarmVille Fan Page, página principal de acesso no Facebook,  informa diarimente acerca dos desenvolvimentos, actualizações e  novas funcionalidades do jogo e, muito importante, lança desafios semanais – os contests, que dão a ganhar dinheiro aos vencedores. Cada entrada não tem menos de 80 mil comentários.

Acerca do conteúdo e regras do jogo propriamente dito, pululam os websites e blogs sobre o tema e não é necessário recorrer ao inglês ou ao português do Brasil. E, faça-se justiça, as minudências e a abrangência temática deitam por terra qualquer tentativa minha de aqui dar conta do mundo de possibilidades do Farmville. Ele são tutoriais, dicas, truques, estratégias, em forma de blog, chat, notícias da semana, videocast. Enfim, tudo serve para aprender a vingar e a singrar num meio tão hostil como o mundo rural.

Não sendo eu uma jogadora, dediquei-me à consulta de algumas dessas referências, sendo esta análise baseada nesse levantamento. E, para primeira conclusão, adianto que fiquei divertida com o universo de que se falava, pela paixão, dedicação e pelo concreto das questões tratadas. O detalhe é tal que facilmente provoca uma barrigada de riso a quem está de fora. Destaco a propósito:

  • o truque das “vacas ilimitadas”, que afinal veio a revelar-se não ser técnica de gestão, mas espertalhonismo a explorar os bugs do programa;
  • o diagrama que explica como cruzar bois e vacas para obter bezerros;
  • o plantio mais rentável das ervilhas em detrimento das uvas.

A ciência da agricultura virtual

Logo à entrada, afirma-se que no Farmville tudo cresce e que a pessoa tem a oportunidade de viver o sonho rural com os amigos (Não posso deixar de comentar a pontinha de nostalgia do campo…). Plantar, semear cereais, legumes ou árvores; fazer criação de porcos, vacas, galinhas; enviar presentes aos vizinhos e aos amigos – uns ovinhos, uma galinha por ocasiões de festa; ajudar os vizinhos nas colheitas ou na preparação de terras para o plantio, regas, etc.; lidar e tratar dos animais domésticos, compor cercas, aprovisionar palha e erva, adubar terrenos, vigiar as colheitas dos ataques de animais selvagens e pragas, são algumas das actividades possíveis no Farmville.

E uma componente interessante é o facto de tudo isto poder ser feito em grande parte em comunidade, em colaboração com os vizinhos e amigos reais (os de carne e osso).

No entanto, algo de estranho retira o carácter verosímil à experiência. Senão vejamos: as colheitas são automáticas, as vacas ilimitadas, as sementeiras rentáveis, os morangos virtuais, e, depois, tropeça-se nas referências a ganhar muito dinheiro. Essa falta de realismo é largamente compensada pela entusiasmante sensação de que tudo é fácil, se compra e se controla com truques. Aliás, truques deve ser a palavra mais utilizada nestes blogs, extensões do jogo. Numa leitura rápida ficamos a saber que a forma de avançar rapidamente nos níveis da quinta é apostando nas plantações de soja. E porque não plantar árvores em cima de árvores, quando já não há terra ou dinheiro para ela? No mínimo engenhoso, mas começo as desconfiar das bondades pedagógicas do jogo.

Existem manuais e guias para sementeiras mais rentáveis e, como não podia deixar de ser numa sociedade e economia com regras, existem as Farmville Stats ou Farmville Statistics que permitem calcular as melhores colheitas, sementes, animais, decoração, combustível, consumíveis, veículos e fazer comparativos.

Razões para “agarrar” as pessoas

Quase tudo o que mexe na Internet é matéria de estudo, já que um fenómeno bem aceite e assimilado pela comunidade em rede impressiona sempre pela rapidez de contágio. Está-se sempre a bater novo recorde.

A respeito do Farmville, encontrei um texto de análise que enumera 5 factores que explicam o fenómeno. Resolvi acrescentar-lhe outros pontos, não que não tenham relação com os mencionados, mas porque os considero tão importantes que merecem ser individualizados.

  1. Menciona-se o grau de envolvimento e detalhe realista do jogo – compram-se sementes, existe moeda própria, vêem-se as plantas crescer, fazem-se contas aos gastos e aos possíveis lucros, e as pessoas tomam mesmo decisões de administração dos seus bens.
  2. O segundo tópico referido é a força da rede, ou seja, as relações de boa vizinhança que convém cultivar e cuidar. As relações reais podem ver-se reforçadas por solidariedade, cooperação em trabalhos, partilha de lucros, ofertas, etc., mas também podem ser criadas relações de contexto virtual.
  3. O carácter viciante é o terceiro ponto. Prende-se com aquele impulso de estar sempre a melhorar algo, de ser prestável com os outros, para tirar partido e ter apoios em futuras necessidades. Os jogadores sentem-se impelidos a dar mais um jeitinho, e quando dão por ela, vão à sua quinta várias vezes ao dia, nem que seja para se certificarem de que está tudo bem. No mesmo artigo referem-se episódios dramáticos de pessoas que acordam a meio da noite para fazer colheitas ou que pedem a amigos para ir à quinta porque estão numa reunião de trabalho. A febre Farmville!
  4. A forte componente comunicativa, sabiamente instigada pela arquitectura do jogo e estruturas de suporte, constitui um quarto aspecto.
  5. O desenho inovador, estando sempre a ser criados novos elementos que dão mais realismo e criam novas situações – novas raças de cães, bandeiras nacionais, flores ou plantas com características sui generis.
  6. Dar azo ao materialismo, sendo possível ter sucesso no campo virtual.
  7. Alimentar algo que as pessoas adoram fazer: comparar quintas e ver as quintas dos outros.
  8. Reviver o gosto pelo campo, sem ter as agruras reais. Neste espaço, apura-se o sentido da propriedade, a proximidade à natureza, a prática da boa vizinhança extinta.
  9. Ter por base de utilizadores uma comunidade imensa – o Facebook.
  10. Tratar-se de um jogo gratuito e acessível em qualquer computador.
  11. Uma outra explicação adiantada pela própria Zynga é o facto do jogo ser sobre agricultura e se tratar de algo que faz parte das raizes. Todos têm ou acham que têm uma noção de como gerir uma quinta e têm ideias para pôr em prática.
  12. Neste outro artigo discute-se o valor educativo do Farmville e não faltam elogios. Além de proporcionar casos práticos da área da matemática, permite explicar conceitos como retorno do investimento e acaba por ser uma realidade próxima a muitas crianças. Além disso, envolve e promove a socialização.

Manifestações, reacções

Se os muitos utilizadores, no calor do jogo, reivindicam bandeiras nacionais para marcar a sua quinta como território nacional (Portugal já tem a sua) e esquecem a realidade comezinha do trabalho, outros tentam por limites a este ímpeto agrícola. Foi o que aconteceu na Câmara Municipal de Coimbra, cujo Presidente cortou o acesso ao Facebook quando uma funcionária foi apanhada a tratar da quinta no horário de expediente. A responsável pelos RH veio justificar a medida pela lentidão da rede e explicou que não foi corte generalizado, porque o Turismo e a Comunicação têm acesso à rede pela natureza das suas funções.

Quem também se entusiasmou foi um adolescente do Reino Unido que gastou em 2 semanas 1000€ para poder avançar rapidamente nos níveis. A mãe poupou a Zynga e a empresa do cartão de crédito utilizado, mas afirmou que devia haver um filtro que não permitisse usar o cartão de crédito com nome diferente do do jogador. Boa observação e excelente solução dada de bandeja à empresa. Não há dúvida nenhuma que há uma falha no funcionamento e que devia haver sistema de confirmação quando se passa a jogar a dinheiro.

Futuro do jogo social

Tudo indica que será brilhante, não exclusivamente para o Farmville, até porque nestas questões de jogos, o auge é rápido, mas a queda também, embora neste caso concreto o Farmville se mantenha em excelente posição no top25 Facebook de Maio (78 milhões) sem mostrar desgaste e com vantagem significativa em relação aos seus competidores directos (2º Birthay Cards 34 milhões; Texas Holdem Poker 29 milhões).

Apesar da curta vida dos jogos, prevê-se que seja constante a procura de jogos em redes sociais. Está a ocorrer um investimento brutal neste sector e há boas perspectivas de lucros e crescimento do mercado.

Um estudo muito completo de Justin Smith revela aspectos bem curiosos, como se pode ver na breve apresentação. Este mercado movimentou 500 milhões de dólares em 2009 e estima-se que a receita será de 800 milhões para este ano e uma generalização a todos os continentes. As empresas líderes, os chamados “players”, são a Zynga, a Palyfish e a Playdom.

Como o Facebook não dá sinais de abrandamento e é uma rede imensa, ideal para jogos desta natureza que precisam de redes grandes, o natural é que a dupla jogos sociais e Facebook continue a ser o prato forte.

Segundo dados recentes, a publicidade não funciona neste modelo de negócio. O que produz realmente dinheiro e é uma oportunidade de negócio são as vendas dos denominados “bens virtuais” em troca de dinheiro bem real. Só nos EUA essas compras representam mil milhões de dólares. Estamos a falar de extras e bónus dos jogos (avatars, armas, poderes, presentes virtuais). Por exemplo, no Farmville, é possível comprar terra extra, tractores mais eficientes.

Facebook Gift Shop

Mas esta moda existe em todas as plataformas sociais – seja o Facebook, o MySpace, o próprio iPhone. O Facebook tem a sua loja de presentes onde se pode comprar bolos de aniversário, canecas de cerveja, músicas, flores, peluches. O seu recente sistema de créditos convertível em dinheiro real estabelece 1 dólar para 10 créditos, o que equivale dizer que com esse dinheiro é possível comprar a fatia do bolo de chocolate reproduzida na imagem. Depois é só escrever a mensagem e enviar para o destinatário em correio público ou privado.

Contudo, o grosso da receita é gerado através dos jogos, por isso o Facebook está a preparar uma taxa ou imposto a aplicar aos “bens” transaccionados na sua plataforma por empresas externas. O sistema de créditos acima referido prepara-se pois para ser a moeda de troca no universo Facebook e será mais do que natural que se imponha nos jogos.

Quem disse que a economia actual é virtual? Esta realidade dos jogos sociais pode ser entendida como um ensaio geral para o novo mundo que está já aí.


Google do tamanho do mundo

Goste-se ou não, o que é certo é que o Google já faz parte da vida das pessoas. Isso até se comprova pela rapidez com que o termo e as variantes entraram nos hábitos dos falantes de todas as línguas: googler (francês), googolare, gugolare (italiano), googlar, googlear, guglear (espanhol), googelen (holandês), googlar (português).

Há uns anos atrás, nos idos 2006, a empresa mostrou algum aborrecimento por usarem a marca como verbo, mas o que poderia estar a ser encarado como uma desvantagem revelou-se com o tempo uma mais valia.

Inevitavelmente, perante tal poder, formaram-se opiniões, muitas vezes contrárias. Na iniciativa One Day Without Google sublinha-se o poder crescendo do grupo. Noutros casos, como no inquérito feito pela Pew Internet/ Elon University, os resultados à questão “Google will make people stupid?” fazem sobressair a ideia de que o motor mais famoso não estupidifica, embora possa criar preguiça mental. Também por várias vezes ao longo destes anos, foram lançadas questões às pessoas da rua sobre se conseguiam dispensar o Google das suas vidas. Recentemente colocou-se aos chineses a mesma pergunta, deixando clara a indiferença destes à retirada da Google.

Mas no meio deste caldo de reacções, o que me interessa é perceber os próximos passos da Google numa altura em que a sua agenda está algo agitada. Se por um lado tenta sossegar empresas de telecomunicações e indústria de lazer, por outro ficou debaixo de fogo com o novo produto – o Buzz. É também um momento em que envereda por áreas totalmente novas como a da energia e telecomunicações.

“O menino bonito”

Há dias, li no Cnet News que o Google gosta de ser o menino bonito. Estuda sempre a lição, prepara -se bem para os exames, interessa-se por muitas disciplinas e consegue alcançar bons resultados em todas. Enfim, é bem quisto por todos os pais e comunidade. Provavelmente por causa de cair quase sempre nas boas graças das pessoas, tem dificuldade em lidar com algumas críticas e falhas que vai cometendo. Todos temos assistido a desaires da Microsoft, a ataques directos às intenções do Facebook ao descurar a privacidade. Vir ao terreiro defender a dama é porém uma questão de honra da qual a Google não pensa abrir mão. Ainda recentemente, reagiu de imediato às críticas ao Buzz, corrigindo a falha e tentando repor a calma nas hostes.

Essa espécie de aluno bom comportado mereceu-lhe a simpatia de Washington com quem tem relações privilegiadas e de claro favorecimento.

Mas não há dúvida que a empresa não pára e aposta claramente na diversificação, não só ao nível dos produtos e serviços, como sói tratar-se, mas ao nível mais estratégico – diversificação nos ramos de negócio. Esse crescimento está a despertar em cadeia uma série de obstáculos vindos dos mais variados sectores.

1. Pesquisa

A fama e o poder da Google foi proporcionado pelo seu motor de pesquisa. O famoso algoritmo do cálculo do Page Rank é o Santo Graal da pesquisa que todos desejam obter. É claro que desde os primórdios muito desenvolvimento foi feito pelos técnicos da Google, mas nunca se descobriu a fórmula.

Recentemente, o crescimento do peso das redes sociais na Internet é tal que há já muitas pessoas cuja experiência na Internet se reduz às redes e que fazem todas as consultas desde aí e aí. Tanto assim é que as visitas geradas em muitos websites são já parcialmente oriundas das redes sociais. A juntar-se a esta realidade, assiste-se a um cada vez maior número de utilizadores com telemóvel para aceder à Internet e serviços.

A Google reagiu e para o primeiro caso realizou acordos com Twitter, Facebook e outras redes no sentido de integrar os resultados do universo social nas suas pesquisas; na mesma linha lançou o Buzz que procura integrar o Gmail com as redes. Para o segundo problema, tem adaptado produtos como Earth, Maps, Voice, Search Voice, tradutor, etc., à realidade móvel.

2. Publicidade

Apesar do motor Google ser a coqueluche, o que dá efectivamente dinheiro à empresa é a publicidade via Adsense e AdWords. Também esquemas de micro-pagamento que poderão vir a ser testados na plataforma Youtube que oferece actualmente qualidade HD poderão a ser prática corrente dentro em breve. É com essa aliciante que o Google se tem apresentado, quer no caso do Youtube, quer no do Google News e Google Books, que tanta polémica têm gerado.

Só para dar o exemplo do Youtube, não chegando a receita publicitária para cobrir os 356 milhões de custos pela manutenção da plataforma nem para satisfazer os produtores e distribuidores, Google acaba de criar este ano um serviço de aluguer de filmes (de momento só a funcionar para o público dos EUA). Está igualmente prevista a entrada num negócio “iTunes” com a compra da Catch Media.

Outras tantas iniciativas e batalhas, cada vez mais no plano judicial, estão a ser travadas no campo dos conteúdos, dos direitos de autor, da privacidade. Em sua defesa, a Google insiste na ideia de que não quer concentrar os lucros, que todos ganham no esquema que deseja implementar e que está interessada em matizar o modelo com as necessidades dos outros intervenientes.

3. Software/ Sistemas operativos

Além do desenvolvimento em tempo recorde do sistema operativo para telemóveis – o Android, a Google apostou forte no Chrome OS, quer no sistema de navegação quer no sistema operativo para notebooks.

Curiosamente, o sistema Android, desenhado para telemóveis, está a ser estendido com sucesso a outras plataformas, quer em notebooks quer em tablets. A HP acaba de lançar o seu portátil com o sistema Android, mas também dois tablets foram criados com o mesmo sistema, o Archo, o Compal e o Vega, o que prova a versatilidade do Android. Aliás, posso testemunhar a efervescência desta comunidade, inclusive no nosso país, numa recente formação em que participei.

4. Telefonia

Depois de surpreender tudo e todos com a apresentação do seu próprio telemóvel lançado a 5 de Janeiro, o mercado de telemóveis de tecnologia Android e/ou hardware Google (Nexus One) soma e segue. O sistema operativo Android está em 26 telemóveis diferentes e é vendido por 59 operadoras de telecomunicações em todo o mundo. O HTC Hero com Android foi eleito o melhor telemóvel 2009.

5. Energia

A entrada do pedido da Google para operar no mercado energético ocorreu em Dezembro passado, através da sua subsidiária Google Energy, mas só agora a entidade reguladora americana, a