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Ontem Manu Sporny criou um repositório com os seus dados genéticos no Github, permitindo a análise e tratamento dos mesmos por qualquer indivíduo, instituição ou empresa. Os dados estão disponíveis sob uma licença CCO – Creative Commons Public Domain License.
Convém esclarecer desde já que não se trata do genoma completo, mas sim dos dados genéticos que se podem obter a partir do serviço 23andme. O genoma humano possui cerca de 10 milhões de marcadores genéticos, sendo disponibilizados por este serviço a “somente” identificação de perto de 1 milhão e a análise de 160. Esta análise estatística elabora sobre a probabilidade de desenvolver no futuro determinada patologia com fundamento no código genético. Esta iniciativa levanta mais uma vez questões relativas à privacidade, protecção de dados e à acessibilidade ao que somos na essência. Esses temas e como o “autor” do código genético os equaciona são discutidos no seu blog, em particular nos comentários que surgiram de imediato. Sobre isso não farei comentários pois sai do objectivo deste artigo.
Não se pense contudo que esta atitude é inédita, pois já existem vários projectos similares que vieram à luz recentemente. Por exemplo o genomes unzipped, o Personal Genome Project, o Harappa Ancestry Project, e o Download my Genome de Sam Snyder. Os objectivos destes projectos variam na forma, mas orbitam a criação de ferramentas de análise e visualização da sequência genética. Deste modo procura-se acelerar o desenvolvimento de soluções de auxílio à investigação de doenças de origem genética. Uma base de conhecimento sobre a análise do código genético é a SMPedia, uma wiki onde se regista o significado de cada marcador genético e onde se alojam algumas ferramentas de análise do mesmo. Neste caso concreto o autor pretende gerar uma dinâmica de comunidade em torno de projecto de software livre que resulte em ferramentas web para melhorar os outputs actualmente disponíveis para tratar este tipo de dados. Em paralelo está a desenvolver uma startup em torno de uma aplicação com este mesmo objectivo. Outro projecto que já tem código utilizável é o que Nikhil Gopal apresenta. Tratam-se de ferramentas em Python para analisar os dados disponibilizados pela 23andMe. Também estão acessíveis num repositório Github.
Mas, não fosse o Github uma plataforma comunitária onde não há limites à imaginação, entre os vários forks que já se fizeram do código genético de Manu Sporny (14 no primeiro dia!), já existem patches que resolvem “bugs” e melhoram as capacidades do ser “original”. É o caso do TeMPOraL ou do cariaso, que resolveram um problema com o fechar da pálpebras e removeram o risco de doenças coronárias.


Sem deixar de ter o seu humor, é uma perspectiva verdadeiramente assustadora, este tunning do ser humano. Daqui a quanto tempo não se passará dos testes em software com a diminuição das “issue cues” aos protótipos de carne e osso?
O Ubuntu e o seu fundador, Mark Shuttleworth, quiseram contribuir para o universo de fontes web com o lançamento da Ubuntu Font Family.
As características estavam bem definidas: tinha de ser uma fonte elegante e legível. De momento, esta fonte tem apenas a versão para Latim, Cirílico, Grego, mas está previsto alargar para o Hebreu e Árabe, porque o desejo é que possa ser utilizada em todas as línguas e com todos os caracteres.
A ideia de criar uma fonte para uso interno da Canonical e a sua disponibilização com licença 100% open source vem na linha da empresa, que procura melhorar o nível de usabilidade. As fontes de qualidade ajudam à acessibilidade e produtividade, segundo o criador e colaborador da Ubuntu em todo o processo, Bruno Maag, da Dalton Maag.
A importância que a Canonical dá ao design está bem patente no seu blogue. O impacto desta fonte já de faz sentir, pois o Museu de Design de Londres deseja fazer uma exposição sobre a fonte Ubuntu e todo o trabalho por detrás.
A plataforma escolhida para disponibilizar a fonte foi o Google Font Directory, que desde o último post em que falei de fontes, já recebeu mais fontes de boa qualidade. Actualmente dispõe de 58 fontes!
Como já referido numa entrada anterior, no passado dia 25 de Setembro realizou-se o primeiro encontro “regular” da comunidade Drupal em Portugal. Nesse encontro abordaram-se vários temas entre os quais o módulo Feeds e a sua possível aplicação a um projecto que a comunidade Hacklaviva está a desenvolver – Projecto Transparência.

Apresentamos abaixo o registo áudio e os slides apresentados pela Cláudia Amorim.
Registo áudio:
Projecto Transparência:
Módulo Feeds:
As outras apresentações seguirão em entradas futuras.
As redes comunitárias já foram aqui tema no blogue, mas voltam a sê-lo pelas melhores razões. Duas associações com grande experiência no terreno encontraram-se numa palestra organizada pelo Hacklaviva Porto. Por um lado a Guifi.net fez-se representar por Al, um dos seus elementos, que fez uma pequena ronda de apresentações pela Galiza e acedeu ao convite do Hacklaviva para descer até à Invicta. Do outro lado, José Monteiro, da Unimos.net
Se a Guifi acumula 7 anos de actividade e um crescimento que entusiasma qualquer um que se interesse pelo tema, a Unimos já festejou o terceiro aniversário. A palestra foi na sede do Hacklaviva e o resumo apresenta-se aqui em 4 partes. O tema chamou muitos interessados que se mantiveram até ao final sem arredar pé, mesmo quando de forma entusiasmada os dois experts discutiam pormenores mais core…
Ricardo Lafuente de Hacklaviva apresenta Al aos presentes. O registo áudio abaixo.
Apresentação de Al, da qual se destaca o facto de neste momento a Guifi ser uma operadora com a Europa como espaço de acção e de estar a trabalhar para o ponto neutro da Internet e no uso da fibra óptica nas redes. Uma mão cheia de boas perspectivas e passos bem firmes desta grande comunidade com mais de 10500 nós e 120 super-nós.
José Monteiro da Unimos tomou a palavra para apresentar o projecto.
Espaço para perguntas e respostas, formuladas quer para um quer para outro interveniente.”Conversa” entre dois entendidos. Ouçam como eles falam bem a língua das redes. Dá gosto ouvir.
A comunidade Drupal PT deseja realizar encontros mensais combinando 3 grandes modalidades: sessões, divulgação e discussões mais técnicas e organizativas. A ocorrência regular destes encontros é vital para a comunidade crescer, criar rotinas e afirmar-se junto das empresas que já funcionam com Drupal ou desejam fazê-lo. A rotatividade norte/ sul é também um aspecto que ajuda nessa consolidação. Portanto, todas as iniciativas para multiplicar o movimento são bem-vindas. O próximo encontro já ficou agendado para 23 de Outubro, a sul, na agora estreada e aprovada “casa” do Drupal PT (o bar Kompacto), mas o encontro de Novembro poderá ser a norte, no Porto.

Neste Meet-up, que reuniu 12 elementos, a agenda cobriu os temas Feeds, Openlayers, Selenium, Nginx e Comunidade Drupal portuguesa.
A apresentação dos dois primeiros temas – Feeds e Openlayers, foi motivada pelo envolvimento dos comunicadores no projecto Transparência da comunidade Hacklaviva, no Porto. O projecto compreende duas vertentes, exploração da informação do website parlamento.pt e a análise das transcrições das sessões parlamentares na Assembleia. A Cláudia, depois de apresentar as linhas do projecto, deu notícia dos seus ensaios com o módulo Feeds para criar nodes numa instalação Drupal a partir de ficheiros csv. Partilhou com os presentes a dificuldade em definir no módulo chaves primárias que não o URL e o GUID, a limitação do Feeds lidar com campos multivalor (o que o node import faz sem problemas) e ainda a impossibilidade de acrescentar campos de um segundo importer a um nó já existente. O grupo foi sugerindo soluções mais eficazes e hábeis para a criação de nodes com campos oriundos de tabelas distintas, tais como o save-node, o próprio node import.
O Victor focou a aplicabilidade do Openlayers no mapping de alguns dados do projecto Transparência, pois uma aposta forte é reunir informação que possa ser consultada de forma simples, gráfica e visual. Traçou as características gerais do módulo, que é o interface da biblioteca do openlayers.org para Drupal. Mostrou como se configuram os presets, colocou layers criados ou existentes (ficheiros kml) para a sua instalação demo para mostrar a facilidade em implementar esta ferramenta em situações de uso de mapas com ligação ao conteúdo do website. Foi comentado o projecto Polymaps, uma alternativa ao openlayers, que assenta em formato svg, o que torna a aplicação mais ligeira.
O Hernâni fez uma apresentação original e bem humorada em torno do IDE Selenium que utiliza há mais de um ano para realizar os testes ao funcionamento do website, não numa perspectiva fechada de testes ao core, como o Simple Test (adoptado no core do D7), mas num sentido mais alargado de comportamento geral e grandes funcionalidades.

O Nginx ficou a cargo do António que expôs as vantagens deste servidor em relação ao Apache. Apesar de nalguns aspectos o Apache permitir fazer o mesmo, no Nginx a configuração é mais clara, limpa e transparente. Na passagem pelos ficheiros de configuração, aproveitou para sublinhar aspectos relacionados com a segurança, mas também com a performance. Os bootstraps são mais facilmente evitáveis no Nginx.
O João fechou a sessão com uma apresentação que envolveu os pontos quentes do estado da comunidade e rumos futuros. Começou por abordar o apagamento da comunidade portuguesa na grande comunidade Drupal por falta de um grupo de contacto junto da Drupal Association e a ainda não realização de um evento que ponha o país no roteiro, um DrupalCamp, um Drupal Meet-up (estes são eventos subordinados a um único tema com duração de um ou dois dias). Este é aliás um formato que está ao alcance da comunidade portuguesa, não se excluindo, como é óbvio, um DrupalCamp para finais de 2011. Nesta linha, discutiu-se a aliança Portugal-Espanha para a sua realização, já que os membros da comunidade espanhola contactados, Pedro Cambra, se mostraram muito receptivos para essa eventualidade. Foi reconhecido por todos que uma organização conjunta faria passar despercebida a ainda reduzida presença portuguesa, mas no imediato crê-se que ainda não existe massa crítica suficiente no país para avançar autonomamente. Os patrocínios Platinum ficariam para Trellon (já confirmado) e Microsoft, a confirmar a oportunidade e pertinência num país em que a Microsoft já tem muitas portas abertas.
A construção do website da comunidade, depois de alguma discussão, vai ser em D6 e não D7, como sugerido, tendo como conteúdos nesta primeira fase: feeds do drupal-pt.org e divulgação dos eventos.
Apresentado por um dos membros fundadores, José Monteiro, o projecto UNIMOS.NET, originário da Nazaré foi um dos pontos altos do DebianDay PT 2010. Tendo como objectivo disponibilizar uma infraestrutura para criar e gerir redes de comunicação wi-fi com base rádio, esta associação demonstra o poder da liberdade que surge das tecnologias abertas. As suas bandeiras são a partilha de recursos, o acesso à banda larga para comunidades desfavorecidas e a independência do poder económico. Assumem-se associação sem fins lucrativos e não fazem concorrência aos ISPs. Surgiu na Nazaré há 3 anos e estende-se já para outras localidades, como Ourém e Quiaios.
Sem entrar nos detalhes técnicos, abordados de forma simples e clara na apresentação que se pode escutar no áudio no final desta entrada, a rede funciona pela partilha de recursos utilizando equipamentos rádio colocados à disposição do projecto por sócios, voluntários e mesmo autarquias. Usa a distribuição GNU/Linux OpenWrt dedicada a sistemas embebidos como base de toda a infraestrutura, monitorizando a rede com o OLSR. O bloqueio de torrents permite a fluidez e o incremento de velocidade da rede, optimizando os recursos em favor de todos os utilizadores.
Com grande à vontade José Monteiro cativou a audiência tendo deixado algumas sementes que poderão em breve germinar para dar origem a outros nós e outras redes, expandindo a comunidade.

Abaixo os slides da apresentação:
E o registo áudio efectuado:
Este título é uma apropriação do nome de uma organização que noticia e promove a tecnologia em benefício do desenvolvimento dos países e dos povos. O website está povoado de bons exemplos e, na minha opinião, é um projecto que devia merecer uma visita, pois são muitos os casos de empenho e aplicação inteligente do progresso tecnológico.
O termo “Commons” remete de imediato para a cultura aberta, de partilha e de colaboração. E nessa linha, gostava de referir dois softwares que deram contributos importantes regionais. Por um lado o OpenMRS, no Haiti, por outro o OpenAtrium nas eleições do Afeganistão, no passado mês de Agosto.
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Não deve ser evidente para muita gente a importância do software numa catástrofe como a ocorrida no Haiti. Arrisco até a dizer que a maioria não terá a percepção do quão fundamental é a disponibilização rápida de informação para intervir. Pois, a verdade é que sem a ajuda da tecnologia, o serviço de auxílio fica mais moroso, desorganizado e ineficiente. Centrando-nos na questão médica, a que o OpenRMS vem em socorro, é preciso, em qualquer situação de catástrofe, registar o máximo de dados para lidar correctamente com a situação e melhorar acções futuras, tanto para o palco dos acontecimentos, como para cenários futuros.
O OpenMRS é um software de código aberto que recentemente recebeu muitos elogios pela rapidez de entrada em produção e pela facilidade de uso e extraordinárias mais-valias. Sendo um software criado para cenários de grande precariedade, muitas vezes sem quase infra-estrutura, tem feito carreira nos registos médicos das campanhas de controlo da tuberculose multi-resistente e do HIV. Para além dessa vantagem, não há lugar ao pagamento de licenças e o sistema tem uma arquitectura simples, porque evita texto livre (informação não estruturada), e aposta em inputs por campos com assento na BD. Isto é extremamente importante na localização, indexação e representação e reutilização dos dados, podendo-se extrair a informação que se quiser. Mais, trata-se de um registo centralizado e estruturado de diagnósticos, procedimentos, tratamentos, drogas, exames, aplicados a um paciente, grupo ou mesmo população.
Mais uma achega: um dos softwares comerciais concorrente e mais conhecido, o EMR Electronic Medical Record, é caro, complexo, requer infra-estrutura que muitos localidades, e até países, não têm, e acaba por ter a informação mais redundante e não tão estruturada.
Uma demo disponível na página do projecto OpenMRS permite confirmar a simplicidade no funcionamento, a possibilidade de acrescentar campos sem programar, e a fácil gestão, aliás nada condizente com aquela carga pesada que associamos a tudo o que é software do sector da saúde.
Nascido no Quénia e Indiana (EUA), que constataram estar a desenvolver um produto semelhante, juntaram-se as equipas de desenvolvimento e criaram este software, que tem sido testado no terreno com mais expressão, quer no Perú quer no Haiti.
Admitem os responsáveis que com a recente experiência no Haiti, o software fica pronto para se propagar pelo mundo que dele necessitar.

Outro caso bem sucedido e com provas dadas é o OpenAtrium, um CMS para Intranet de raiz Drupal.
Uma das empresas especialistas em Drupal, Development Seed, foi convidada a construir o website e a Intranet da equipa de eleições de 20 de Agosto de 2009 no Afeganistão. O desafio era considerável: 1000 utilizadores, distância e infra-estrutura precária, território imenso a mapear quase do zero, complexidade dos dados a recolher (demografia, topografia, etnografia, segurança da informação).
Com tecnologia Drupal, OpenAtrium e muita perícia em tratamento e representação de informação geográfica, os membros da equipa das eleições ficaram ligados por uma Intranet funcional e o website de acompanhamento e resultados da eleições é um exercício de “arte”. Vejam no website das eleições a complexidade dos mapas, a quantidade de informação que carregam, o cuidado em disponibilizar uma frame lateral para contextualizar o conteúdo dos mapas (ver os relatórios).

Só um comentário mais: ainda bem que existe open source e espero sinceramente que caiam em breve por terra as reservas em relação à qualidade e provas das comunidades de desenvolvimento de código aberto. Devemos sempre aplaudir com entusiasmo os bons que partilham o seu melhor com todos.
Ao longo deste ano têm vindo a lume várias notícias relacionadas com o tema da perda de editores da Wikipédia. Assistimos ao esboroar da sua comunidade que tão profissionalmente faz a enciclopédia que consultamos diariamente.
Baseado num estudo de Felipe Ortega, do grupo de investigação GSyC/Libresoft da Universidad Rey Juan Carlos (Julho 2009), o nº de editores da Wikipedia não aumenta desde 2007 e em 2009 apresenta até uma diminuição que pode pôr em causa a viabilidade futura do projecto. Além disso, o tempo de permanência e o consequente abandono é cada vez mais marcado por períodos curtos desde o arranque até à saída. A situação está a verificar-se tanto na versão inglesa como noutras línguas.
Os responsáveis pelo projecto, sobretudo Jimmy Wales, defendem que não é assim tão dramático e avançam aspectos animadores: o crescimento do nº de leitores, o bom posicionamento nas pesquisas, depois de Google, Youtube e Twitter. Todavia, esta situação ficará em pouco tempo sustentável se a edição abrandar ou baixar a qualidade. A Wikipédia, desde a sua fundação, tem estado dividida entre a qualidade e o modelo aberto, que tem preço elevado. O spam, os detractores, e o desgaste da equipa de edição base acentuou-se nos últimos anos. Recentemente, adoptaram um código de cores para os artigos e aumentaram o controlo na edição, já anteriormente apontada como obstáculo à expansão da enciclopédia.
Um exercício de reinvenção é pedido à Wikipédia. Felipe Ortega dá o mote: cativar novos editores, simplificar edição, apoiar-se em universidades e centros de investigação.
Individualmente, gostaria de desafiar todo a a fazer um donativo a este projecto. Afinal, somos ou não utilizadores regulares? Apoiamos ou não este produto? A campanha decorrer todos os anos e divulga sempre os beneméritos.
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Em notícia posterior, a Wikipedia Foundation informou que na campanha deste ano conseguiu angariar 7,5 milhões de dólares!
Muitos poderiam ser os motivos por detrás da escolha deste tema para post, mas o que esteve verdadeiramente na sua origem foi o rápido desenvolvimento deste projecto. Lembro que há um ano atrás, à Creative Commons estava associado o famoso conjunto de licenças alternativas ao copyright, mas em poucos meses multiplicaram-se os programas, o alcance e a popularidade da “marca” CC.

Ao contrário do que se possa pensar, a noção de autor é historicamente recente, mas de uma complexidade tal que parece não existir consenso entre os dois pratos da balança em conflito nestas questões – o direito de protecção à criação e o direito de acesso e uso da mesma.
A controvérsia é inevitável pelo conflito de interesses já referido, mas também por um conjunto de questões e implicações legais, abundantes em variedade, nuances e perspectivas. Senão vejamos:
Num rasgo original e muito pragmático, a Creative Commons analisou as questões práticas associadas ao Copyright e desenhou um conjunto de licenças, cujo objectivo central é facilitar a vida a todos os implicados. E o impacto não é pequeno se pensarmos que o principal beneficiado é o cidadão comum.
Os problemas foram claramente balizados e as soluções surpreendentemente simples:
O espírito da iniciativa CC está bem espelhado nos slogans e material que disponibilizam no seu sítio web e que acabam por resumir também os objectivos da organização.
Na realidade, CC está inscrita no movimento e filosofia mais amplos do acesso livre e difusão do conhecimento. O seu trabalho visa:
Na imagem, é possível observar a passagem do “All Rights Reserved” (Todos os direitos reservados) para “Some Rights Reserved” (Alguns direitos reservados), sem que se caia no domínio público (Nenhum direito reservado).
As licenças CC criam uma escala de variantes entre os dois extremos, permitindo ao autor escolher o cenário mais condizente com as suas conveniências e as do público a que se dirige, que nenhum dos cenários anteriores satisfazia.
A Creative Commons é uma organização sem fins lucrativos, cujo produto de toda a actividade está livre e disponível para ser usado.
À semelhança de outros projectos, usa o voluntariado e os donativos para levar a cabo os objectivos, e evoluiu num breve espaço de tempo para objectivos mais amplos.
1. Apoio a comunidades
A Creative Commons dota as comunidades de um modelo prático para declarar direitos e condições de uso, mas não medeia conflitos nem tem qualquer influência nas escolhas das licenças pelos autores legítimos nem nos usos legais dos consumidores.
Nesta área foi dada prioridade a uma comunidade gigantesca que depende muito da retroalimentação dos pares – a comunidade científica. Ao projecto deu-se o nome de Science Commons, cujo objectivo é acelerar o processo de circulação das obras entre os autores e os receptores, bastante dificultado pelo circuito tradicional de publicação.
Por sua vez, a Creative Commons International encarrega-se de coordenar as contribuições dos peritos nos assuntos legais. Já a ccLearn tenta estreitar a relação com a comunidade académica. O ccMixter está orientado para a música e os remix. A pessoa interessada pode fazer download de samples e trabalhá-los, partilhando-os depois com a comunidade de forma totalmente legal. Este projecto usa a plataforma ccHost.
2. Licenças e protocolos
Criar as licenças CC, melhorá-las e funcionar como observatório da área são algumas das metas da Creative Commons. Para isso, realiza regularmente inquéritos e recolhe opiniões e experiências de pessoas e entidades sobre o uso de conteúdos na Internet. A ideia é compreender as necessidades, tanto ao nível da protecção de direitos dos criadores, como dos usos dos consumidores, procurando antecipar-se e adequar as respostas à realidade global, porque as CC pretendem ser reconhecidas como modelo universal em que todos se vejam representados.
Desta linha de actuação saem as licenças, os protocolos – para facilitar o processo de partilha e uso, e um motor de pesquisa de trabalhos com licença CC. Com esta ferramenta, fica mais fácil pesquisar trabalhos com licenças CC para uso comercial ou só para partilhar. Este interface pode ser integrado no Firefox, por exemplo.
3. Informação e divulgação
O que tem marcado o projecto desde a origem é a forte componente educativa e informativa, num esforço imparável para o tornar visível aos utilizadores.
Os meios utilizados são variados:
A Creative Commons disponibiliza uma secção de vídeos muito interessante, além de bem feita e esclarecedora.
A vontade de reunir todas as contribuições não é filosofia barata. Dada a quantidade de canais disponíveis e projectos em paralelo, dir-se-ia que o programa vive disso mesmo. Tem chat, forum, wiki, newsletter, mailing list.
4. Ferramentas
Ao longo dos anos, a CC criou ferramentas e instrumentos para implementar e usar facilmente as licenças.
A LicenseChooser.js é um widget escrito em java que permite colocar a licença em qualquer website. Para sites Wordpress, existe o plugin WpLicense.
Liblicense permite que os programas usem os metadados para extrair informação sobre as licenças. Já o LiveContent encarrega-se de difundir conteúdo aberto, de identificar novos conteúdos licenciados pelas CC e de desenvolver tecnologias que apoiem essa missão.
O ccHost é um CMS para o projecto ccMixter.
O extra OpenOffice.org Add-in permite que documentos possam embeber a licença escolhida.
5. Desenvolvimento
ccLabs é a unidade de desenvolvimento por excelência, sendo dinamizada por muitos programadores e pessoas que queiram voluntariamente contribuir. As traduções são outro aspecto nesta área.
Já lá vão 8 anos desde a criação da CC pelo Center for the Public Domain, que reunia peritos na área da Propriedade Intelectual e Direito no ciberespaço. O mais carismático foi Lawrence Lessig.
A actividade iniciou-se em 2002 com a criação do primeiro conjunto de licenças CC, inspirada na licença GNU de software, aplicada à plataforma gigantesca que é a Internet. Esta iniciativa teve acolhimento muito positivo em todo o mundo, sendo actualmente transposta para 45 jurisdições de países.
Em 2005, seguiu-se o projecto Science Commons e outros numa tentativa de alargar o âmbito de acção sem esquecer a necessidade de especialização por áreas – música, imagens, etc.
O saldo é francamente positivo se atendermos a alguns números: estima-se em 130 milhões os trabalhos com licenças CC; as licenças encontram-se na terceira versão e são 45 os países que adaptaram à sua paisagem legislativa as CC.
A quase todo o tipo de obra são aplicáveis as licenças CC – áudio (música, discursos), imagem (fotos, ilustração), vídeo (filmes, animação), texto (livros, blogs, artigos), material educativo (aulas, slides), mas em relação ao software, a Creative Commons desaconselha, porque existem licenças próprias para software – licenças da FSF e OSI.
A licença Atribuição é a mais permissiva de todas e a última é a mais restritiva, sendo associada à “publicidade livre”, ou seja, a alguém que pretende difundir, mas não permite que se use para fins comerciais nem que se altere.
Graças às várias combinações possíveis dos factores, será muito pouco provável que a pessoa não encontre uma licença que a satisfaça. Porém, o trabalho de depuração e melhoria segue a todo o vapor.
De há um tempo para cá multiplicam-se as referências relacionadas com conversores e técnicas de pesquisa alargadas. É um passo muito significativo no universo da informação, por isso não queria deixar de abordá-lo aqui, embora reconheça que não tenho um conhecimento cabal da matéria nem uma perspectiva bem delineada do que se está a passar, tal é a catadupa de informações, projectos retomados, abandonados, melhorados, entrecruzados, ou potenciados para diferentes usos.
Quem se movimenta na Rede sabe que a sua base do sucesso são os protocolos universais e as normas adoptadas por todos os que nela querem intervir. Regra de ouro para o acesso e a comunicação sem barreiras tecnológicas (e ideológicas, embora este post se ocupe das respostas dadas pela tecnologia para o acesso universal).
À necessidade de protocolos de comunicação universais, estáveis e fiáveis, juntaram-se os indispensáveis conversores de formatos. Uma profusão de formatos texto, áudio, vídeo, imagem, compressão, etc., passaram a povoar a rede. Veja-se a título de exemplo a base de dados do InfoFile.net Pontualmente, temos de converter um formato noutro para podermos aceder à informação, porque a nossa aplicação não lê o formato original de recepção. Essa incompatibilidade é muito frequente em sistemas Windows que não lêem documentos do OpenOffice nem reconhecem o flash tão usual na web.
Porém, e sem que as fases anteriores estejam de todo resolvidas, pois persistem os problemas de codificação das páginas HTML e a eterniza-se a convivência entre formatos mais adoptados e outros menos frequentes ou com código fechado, desenha-se uma fase de alcance bem mais ambicioso e de grande impacto. A conversão já não se coloca entre os formatos de uma mesma família, mas entre famílias de formatos. O que está a ser equacionado não é converter flv em avi (campo do vídeo), mas converter vídeo em texto, texto em áudio, etc.
O universo de informação que consultamos através dos motores de pesquisa é assustadoramente pequeno e pobre em relação ao volume e qualidade da informação realmente disponível. Todos já ouviram falar do iceberg da web profunda, do qual só conhecemos a ponta. Se juntarmos a isso as imensas fontes de informação que estão a ser digitalizadas, a quantidade de documentos audiovisuais, que têm sido o quebra-cabeças na indexação, e a enormidade de ficheiros digitais que estão a ser criados por novas aplicações que não existiam sequer (as gravações das chamadas telefónicas, por exemplo), estamos razoavelmente conscientes do volume de informação que não é tratado nem integrado no fluxo.
Empresas, investigadores, cidadãos, trabalham na procura de soluções. E basta uma simples pesquisa (em qualquer língua) para recuperar software que converte texto em áudio ou áudio em texto. O tratamento da imagem e do vídeo são, porém, mais complexos e estão a ser liderados por empresas como o Google.
As vantagens da conversão são inúmeras e beneficiam todos. Ao utilizador final dão-lhe uma liberdade e flexibilidade até agora impossíveis. As apresentações e o website podem ser complementados com ficheiros áudio a partir de texto sempre que o visitante queira. Ditar texto que é escrito é outra vertente interessante. Mas é óbvio que a conversão da voz hum