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Sistemas operativos in-out

Muito se tem falado ultimamente sobre os sistemas operativos a propósito do Chrome OS, “Noting but the web”, não o navegador, mas o novíssimo sistema operativo do Google com estreia marcada para 2011.
A razão dos zuns-zuns prende-se com o facto de ser um sistema sem instalação local, inteiramente operacional na cloud. Não se pense que o Google está sozinho nisto, porque outras empresas estão a desenvolver o mesmo, ex. Jolicoud. Mas um outro motivo forte para os zuns-zuns é a alteração do actual quadro de líderes dos sistemas operativos tradicionais – Microsoft e Apple. E como não se pode dizer que estes estejam propriamente a dormir, de que forma estão a marcar a sua posição neste novo cenário?

Cloud ou local, eis a questão

Há cerca de três anos, a cloud era certamente um bicho muito assustador para empresas e utilizadores individuais. Todavia, lentamente, as pessoas passaram a usar pequenas aplicações, periféricas em relação às suas necessidades, alojadas na cloud. Começaram por guardar as suas fotos no servidor do Flickr ou Picasa, entretanto, descobriram a comodidade do Gmail e sincronizaram todos os seus dispositivos pelo repositório de email nos servidores do Google. Passaram a guardar algures os seus vídeos, caseiros ou profissionais, entretanto os projectos e outros documentos para mais facilmente poderem partilhar e trabalhar colaborativamente, bem como o seu portefólio, currículo, etc.
Com tantas aplicações na cloud usadas diariamente, passar a ter aí todo o sistema operativo não parece nada de outro mundo. Basicamente o PC, netbook ou smartphone, são meros terminais ou clientes de um mega-servidor onde ficam alojadas as aplicações para trabalhar e gerir todo o sistema, bem como os dados.
Não faltam vozes a levantarem-se contra esta tendência, sendo uma das mais ásperas a de Richard Stallman da Free Software Foundation que advoga que o SO (sistema operativo) na cloud representa a perda do controlo dos ficheiros, mas também a perda de controlo do sistema, dados, os ficheiros, porque tudo passará a estar nas mãos de empresas. Em várias intervenções, deixou claro que sistemas como o Chrome OS enganam os utilizadores. Apresentam a necessidade de armazenar menos no local como uma vantagem, pois os servidores Google tomam conta desse processo, mas que na verdade isso é um perigo.
Apesar do alerta ser legítimo, não se vislumbra que a tendência desacelere dados os benefícios imediatos. Quem ainda não experimentou o gozo de poder usar uma Dropbox, o iTunes, o UbuntuOne para aceder aos seus dados em qualquer momento, de qualquer parte do mundo, desde que tenha conexão à rede?

Traço comum aos sistemas operativos na cloud

Para já, o sistema operativo mais famoso é o Chrome OS, mas há e surgirão muitos mais. Jolicloud, uma solução da empresa francesa Vye, está pensada para netbooks e tem por base o Ubuntu, um interface atraente, e ainda mistura aplicações locais (por ex. GIMP para edição gráfica) e web apps.
O que distingue estes sistemas operativos dos convencionais é o uso exclusivo ou quase exclusivo de aplicações para web, a passagem do desktop para a web, a rapidez, a facilidade de sincronização com qualquer dispositivo que se ligue à conta, e o único requisito para funcionar ser a conexão. Já não são precisos conhecimentos ou tempo dedicado à instalação, actualização do sistema. Qualquer aplicação não disponível que se deseje, basta um simples clique para a activar, funcionando o mesmo para desligar. Um sistema intuitivo de switch on e off e uma imersão completa no mundo web e nas aplicações sociais, de produtividade, e outras que venham a surgir.

Sistemas operativos everywhere

Na CES de Las Vegas, Feira das novidades em tecnologia, passa a ideia de que no futuro já imediato, os sistemas operativos vão também estar presentes nos electrodomésticos e toda a gama de dispositivos, porque a tendência que começa a ganhar contornos visíveis é a de soluções hardware+software+serviços num único acto. Isto significa que nos bastidores, as empresas dos vários sectores, que têm trabalhado separadamente, terão agora que coordenar esforços e pensar produtos e serviços conjugando tudo num só.
A Apple é a empresa com maior experiência nesta área, porque sempre pensou o hardware em função do software e vice-versa, controlando o processo. Há também alguns anos, passou a controlar o 3º elemento, o dos serviços, ao lançar as suas plataformas, a App Store, o iTunes.
Esta perfeita sintonia entre as peças chave na construção do produto/ serviço final vai ser cada vez mais decisiva e fundamental para o sucesso.
Extrapolando o dito para um exemplo prático, os fabricantes dos frigoríficos terão de aproximar-se de empresas que desenvolvam aplicações e software a incorporar no frigorífico, e os dois terão de atrair um outro parceiro que se encarrega da oferta do serviço de entregas e encomendas ao domicílio – um hipermercado/ distribuidor.

Um outro exemplo, este já um produto no mercado, o Withings Smart Baby vigia o bebé, transmitindo imagens e sons através do sistema operativo Android e do iPhone. Portanto, o campo de aplicação é vasto.

Conclusão

Neste cenário, os sistemas operativos mais abertos, flexíveis e com mais massa crítica e programadores associados, vingarão por certo. E o sistema Android, agora utilizado para smartphones, poderá vir a ser estendido a outros dispositivos. Ou mesmo o Chrome OS ou qualquer outros sistema que reúna as vantagens referidas.

Com a chegada da cloud, os sistemas opertivos não perigam, pelo contrário, alarga-se o âmbito de aplicação (da informática aos electrodomésticos). Eles estarão por todo o lado, simplesmente poderão estar alojados localmente ou num qualquer servidor na Internet.


Ronda ao open-source

O ano de 2010 ficou marcado por várias movimentações, avanços, mas também recuos no mundo da tecnologia open-source.
Cada vez é mais real a presença do open-source no dia a dia das empresas e pessoas, sobretudo se considerarmos o móvel e a cloud computing, onde o Linux tem forte presença.
Destaco alguns episódios associados a marcas conhecidas do mundo do open-source.

Ubuntu, a distribuição Linux por excelência!

O Linux conheceu ao longo dos anos centenas de distribuições, e a SUSE acaba de lançar um serviço que permite a qualquer pessoa criar a sua própria distribuição, o SUSE Studio.
Todavia, o Ubuntu é a mais bem sucedida, a que aposta numa adopção generalizada e trabalha a usabilidade com profissionalismo.
A estratégia da Canonical está claramente definida e não se cinge aos PC, porque o futuro está na série de dispositivos móveis, sejam tablets ou smartphones com que a empresa e a comunidade Ubuntu vai querer cruzar em 2011.

Novell à venda

A casa-mãe de uma outra distribuição Linux, SUSE e OpenSUSE, está a ser alvo de um negóciod e contornos pouco claros entre a Attachmate e a Microsoft. É a tentativa da Microsoft impedir a VMWare de adquirir a Novell e de dar mais um passos no mundo do Linux.
As posições ambíguas e desconcertantes deste gigante têm sempre efeitos perversos no open source. O Drupal foi um dos casos. Depois da Microsoft ter a colaboração da comunidade para criar código, queria cobrar pelo produto. Os utilizadores e a comunidade SUSE e OpenSuse têm bem razões para estar apreensivos.

Oracle e as suas machadadas

Um thriller e uma machadada forte na comunidade open-source com a compra e desmantelamento da Sun Microsystem que era um viveiro de projectos e inovação – BD MySQL, sistema operativo Solaris e OpenSolaris, OpenOffice, Java.
A Oracle sempre liderou e marcou posições no campo empresarial. Se aquando da compra da Sun, não se sabia exactamente o que pretendia fazer com os produtos e desenvolvimentos herdados, ao longo deste ano isso ficou claro. Os planos eram comprar para eliminar a concorrência. Temendo o pior, a Apache pegou no projecto Java da Sun e fez um fork. O mesmo aconteceu ao nível das BD, a MariaDB é já um fork do MySQL por se recear o abandono do projecto.
Acerca do OpenOffice, declarado morto por muitos, revitaliza agora com o nome LibreOffice. É verdade que a concorrência das aplicações web Office (Google Apps e Zoho) marcam pontos e estão ambientadas ao meio web onde nasceram e se desnvolveram, mas por outro lado, em países onde a ligação à Internet não é um dado adquirido, aplicações office locais fazem sentido. Além disso, a comunidade do LibreOffice acha que terá agora condições para crescer e desenvolver o código que durante muito tempo esteve impedida de fazer debaixo da Oracle.

Chrome OS, Linux na base

A maior parte das pessoas desconhece que muitas das aplicações que usa têm tecnologia open-source na base. Se pensarmos nos milhões de sites com bases de dados, servidores, etc. Mas também é usual nalgumas empresas usar código aberto, como o faz o Google.
O seu sistema operativo Chrome OS, tal como o Android para os smartphones, tem na base Linux.
Já muitas pessoas receberam ou se inscreveram para se candidatarem a testá-lo.
Perfila-se como um dos contendores mais aguerridos para este ano na área do desktop web, ou seja, uso de sistema operativo na cloud, sem instalação na máquina.

Red Hat, a maior empresa open source

Primeira empresa open-source mais próxima de atingir os mil milhões de vendas.
A previsão da Forbes é que isso venha a ocorrer em 2011. Os serviços da Red Hat são o de suporte a grandes empresas com o produto mais conhecido e profissional, o Red Hat Enterprise Linux (RHEL). Paralelamente, a comunidade suporta o projecto inteiramente gratuito, o Fedora.


Fontes ao alcance de todos – parte III

Esta é a última parte da minha odisseia em torno das fontes para web com experiências à mistura. Espero que gostem e dêem feedback da vossa perspectiva e uso deste novo meio.

Vantagens claras do uso de fontes web

  • qualidade que dá ao resultado final com um toque distinto e mais carácter quando as fontes são bem usadas
  • facilidade de uso, pois só se acrescentam umas linhas de código
  • websites menos carregados de ficheiros pesados, sem a anterior necessidade de usar imagens de background onde texto estava plasmado. Agora a fonte é gerada on the fly
  • versatilidade prometida pela dupla revolucionária HTML5 e CSS3, já que passa a ser possível criar efeitos sombra, rotação
  • funcionamento em todos os navegadores, estando para breve o uso em smartphones e tablets
  • comodidade máxima, permitindo muitas vezes (sobretudo no caso de fontes open source) o uso no desktop com download e trabalho offline

Escolher e editar fontes

Alguns conselhos são do bom senso e funcionam para a tipografia em geral, mas outros são específicos da web. Há quem defenda até que a tradição deve ser esquecida, porque há cânones não aplicáveis ao ambiente www.
Usar com moderação as fontes numa mesma página ou site, caso contrário obtém-se uma salada russa sem qualquer interesse ou função.

Não ir com ideias feitas acerca das fontes serifadas e não serifadas. Esta chamada de atenção vem de John Boardley neste artigo em que afirma que é comum ver-se tipos com um efeito espectacular na web e muito maus no papel e vice-versa. Aconselha a ler o texto, a experienciar a leitura e a usabilidade dos tipos escolhidos e a realizar testes, inclusive em vários monitores.

Ser criterioso na escolha da fonte, porque a fonte não é mero veículo de sentido. Ela tem também uma carga e pode tornar-se mais facilmente memorável, reconhecível, familiar. Por exemplo a helvetica perdura na memória.

Procurar a expressão máxima da fonte: bom controlo do contraste; tamanho não inferior a 10/12px, de preferência deve ser maior; uso de caixas e hierarquia de fontes; ceder espaço para o texto respirar; usar a largura entre as letras adequada (line-height), são ainda outros pontos sublinhados.

Comportamento dos navegadores

Com a solução @font-face são os navegadores que processam a fonte. O formato WOFF será no futuro usado por quase todos os navegadores, mas para já o cenário é o seguinte:

  • TTF – para Firefox 3.5+, Opera 10+, Safari 3.1+, Chrome 4.0.249.4+
  • EOT – para Internet Explorer 4+
  • WOFF – para Firefox 3.6+, Internet Explorer 9+, Chrome 5+
  • SVG – para iPad, iPhone

A forma de processar de cada navegador é diferente. Enquanto uma página com fontes @font-face é carregada, há dois comportamentos típicos: no caso do Chrome, Safari, IE, o espaço onde as fontes vão aparecer mostra-se em branco até ficarem totalmente carregadas e disponíveis. No caso do Firefox, é carregado um formato de fonte por defeito que é substituído pela fonte seleccionada assim que ela fica disponível.

À pergunta se o processamento das fontes pelos navegadores torna as páginas mais difíceis de carregar, há para já algum risco disso, sobretudo se é necessário carregar muitas fontes. Por isso é tão importante a plataforma que disponibiliza as fontes e o uso comedido e responsável das mesmas. Porém, há um truque para minimizar efeitos que consiste em colocar a tag <link> referente à fonte em primeiro lugar. O Web Font Loader do Google/ Typekit é um aplicativo em java que optimiza e parametriza este processo.

Recursos de excelência

A tipografia é uma paixão e os seus profissionais levam-na muito a sério. Os blogues transpiram conteúdos muito pertinentes, além de serem eles próprios um exemplo do bom uso das fontes. Quem achava que a tipografia estaria condenada, que se desengane, porque o fôlego é maior e a força dos tipos é imparável. São muito profissionais envolvidos e com muita experiência (tipógrafos, webdesigners, editores, criativos, comunicadores…)

A list apart tem bons artigos e dá perspectiva histórica

I Love typography tem também muitos tópicos sumarentos e bom gosto.

Aplicação prática

O procedimento é muito simples, como se pode ver nesta sequência de passos. Fiz a experiência neste mesmo blog do Wordpress, que dá acesso aos ficheiros css ou php através da interface. Mas qualquer tipo de blog ou website permitem com mais ou menos facilidade realizar isto mesmo.

Experiência com Google Font Directory
  1. Criar tag HTML nova a que vou aplicar o estilo, caso contrário terei a fonte por todo o site se usar uma das existentes. No exemplo, crio a tag exp1 (experiência 1)
  2. Guardar a nova tag no ficheiro style.css exp1 { }
  3. Ir a Google Web Fonts http://code.google.com/webfonts
  4. Escolher a fonte pretendida, clicando depois em Get the code e copiar essa linha de código
  5. Colar essa linha no ficheiro header.php, na parte referente ao head, no início da lista de links que houver
  6. Ir de novo ao ficheiro styles.csss e editar o estilo para a tag criada ou ir afinando de acordo com o efeito pretendido {font-family: ‘Reenie Beanie’, arial, serif; font-size: 30px; }
  7. Escrever num texto (modo HTML) o texto aplicando-lhe a tag criada

Escrito com a fonte Reenie Beanie do Google Fonts Directory

Experiência com Font Squirrel
  1. Criar tag HTML nova a que vou aplicar o estilo, caso contrário terei a fonte por todo o site se usar uma das existentes. No exemplo, crio a tag exp2 (experiência 2)
  2. Escolher fonte no Font Squirrel, ler a licença e descarregar o zip @font-face
  3. Descomprimir o ficheiro e copiálo para o directório de ficheiros do website/ blog (no caso coloquei na pasta /wp-content)
  4. Abrir o ficheiro stylesheet.css e copiar o seu conteúdo (declaração @font-face)
  5. Abrir o ficheiro style.css e colar a declaração copiada anteriormente: @font-face { font-family: ‘GondolaSDRegular’; src: url(’/wp-content/Gondola-SD-fontfacekit/Gondola_SD-webfont.eot’); …}
  6. Acrescentar uma linha no mesmo ficheiro style.css com a tag exp2 em que se chama o tipo em teste: exp2 { font-family: ‘GondolaSDRegular’, arial, serif; }
  7. Escrever num texto (modo HTML) o texto aplicando-lhe a tag criada

Nota: é preciso ter em atenção na definição do URl que é preciso dizer onde está a pasta com os ficheiros da fonte. O path deve ter /.

Escrito com a fonte Gondola Regular do Font Squirrel

Conclusão

Abrem-se muitas possibilidades com esta forma tão simples e rápida de obter fontes. Relativamente às plataformas, inclino-me para a Font Squirrel já que tem muito mais fontes que o Google e é 100% free. Devemos contudo ter o cuidado de seguir escrupulosamente as indicações de licença dos respectivos autores e actuar em conformidade. Na maior parte dos casos, o que é determinantemente proibido é comercializar e vender/ redistribuir a fonte.
Boas experiências com estes novos serviços.


Fontes ao alcance de todos – parte II

Dediquei algum tempo a sondar as plataformas que oferecem alojamento, pesquisa, download, licenciamento e serviços acrescentados na área das fontes para a web. Apesar da variedade, impõe-se uma linha, por um lado a de facilitar ao máximo a vida aos webdesigners, por outro a oferta de produtos/ serviços freebies, ou seja, gratuitos ou parcialmente gratuitos.

A onda começou com projectos como o Typekit e Kernest, mas seguiram-se muitos outros. O curioso é que as plataformas open source estão ao nível e até acima das plataformas comerciais.

Muitas considerações vão sendo feitas a propósito dos vários modelos de negócio. Muitos defendem que a qualidade e grande quantidade de fontes livres existentes não faz crer que as plataformas comerciais venham a ter muito sucesso. Outros acham ridículo o zelo excessivo em criar e controlar licenças de fontes para a web de usos em PC, numa época em que a publicação é sobretudo no ambiente web. Enfim, é sem dúvida um tema quente e em que tudo é questionado, inclusive os cânones do uso convencional dos tipos.

O projecto é ambicioso e organiza-se em três frentes, que concorrem para o mesmo fim, impulsionar e viabilizar o uso generalizado de fontes na web.

O lado mais visível e menos técnico é o Google Font Directory que reúne num repositório aberto 18 fontes totalmente licenciadas para uso por qualquer um, com informação das fontes e autores. São poucas, mas é o pontapé de saída para uma colecção que aumentará sem dúvida, à custa de parcerias e de uploads dos utilizadores. Por enquanto esta funcionalidade não é possível, mas olhando as práticas da empresa noutros projectos, como o Android, por exemplo, tudo aponta para aí. Este directório é meramente informativo e de consulta/ pesquisa.

Outra face do mesmo projecto é o Google Font API, a aplicação que permite embeber as fontes do repositório numa página/ sítio web, estabelecendo a comunicação entre o website destino e os serviços do Google de fornecimento das fontes disponibilizadas. A operação é muito simples e darei dela conta no próximo post.

O terceiro elemento do projecto, na realidade fruto de uma parceria com a Typekit, chama-se WebFont Loader que faz o upload de fontes e controla a forma como é visualizada a fonte, sejam fontes com origem no repositório do Google, do Typekit ou do servidor da pessoa.

Esta plataforma open source para fontes tem a virtude de ter sido pioneira, mas face aos seus comparsas, é tida como tendo um desempenho mais fraco, sobretudo quando comparada com o Typekit e mesmo o Typopheque.

Tal como todas, funciona como repositório, com pesquisa por vários critérios e um processo simplificado de 4 passos para a instalação de qualquer fonte no website desejado. Nos termos de uso, é claramente dito que o uso se limita exclusivamente aos browsers. Apesar de ser possível comprar fontes, a percentagem é residual e a preços acessíveis (máximo $15), porque o padrão são fontes gratuitas.

O responsável e mentor desta iniciativa, Garrick Van Buren, considera que é preferível disponibilizar fontes web nativas e licenças abertas, primeiro porque muita fontes de impressão não se adequam à web e são ficheiros pesados, por outro lado têm um passado de restrições que não se enquadra no novo ambiente. Na mesma linha posiciona-se Chank Diesel no texto “The Sad State of Today’s Web Typography – Fertile Ground for Font License Revolution”, que entra no projecto.O uso pode ser materializado de duas formas: usando a @font-face ou fazendo download para instalação dos ficheiros da fonte no servidor do website.

A fonte é exibida sem qualquer necessidade de ficheiros javaScript, Flash ou outra tecnologia. O trabalho é feito inteiramente pelos navegadores, não importa quais.

Na origem do Typekit estão Jeffrey Veen e Jason Santa Maria que projectaram uma plataforma tecnológica de alojamento de fontes gratuitas e comerciais com implementação rápida, simples e excelente performance ao nível dos resultados de publicação nos websites. É aliás uma das bandeiras do Typekit, a qualidade dos seus servidores para lidar com os pedidos e satisfazer com profissionalismo os pedidos à plataforma oriundos de todo o mundo. Garantem também a protecção dos direitos de autor das fontes que aí são publicadas com restrições.

O funcionamento é simples: registo prévio, criação de kit (lista de websites we fontes a usar), com adição de linha de código de JavaScript ao ficheiro HTML de cada website. O CSS é editável no interface do Typekit.

São três os planos: personal, professional, performance, desde os $24,99 aos $99,9 variando o leque de fontes acessíveis, a quantidade de fontes a usar num website e o nº máximo de websites. Por $50/ano é possível ter acesso a todas as fontes e usar aplicá-las sem limite de nº de fontes e nº de sites. A BD da autoria de Brad Colbow explica o funcionamento.

Projecto que tem a Monotype Imaging por trás, sendo a versão web fonts do site fonts.com O que impressiona neste projecto é a quantidade de recursos: 2000 fontes gratuitas (na versão beta do lançamento da plataforma) e aguardam-se 7000 comerciais. O suporte multi-língua é outro ponto forte, o que não é de subestimar, quando o tema são fontes. Nesta fase, o registo é gratuito, mas depende de convites que são limitados, sendo que para tal se cria um projecto a que se associam determinadas fontes.

Como já esboçado, é preciso criar projectos ou um projecto em quatro etapas, depois de já estar provido de código de subscritor. Primeiro; escolher as fontes que deseja usar; listar os websites ou website em que deseja intervir; definir o CSS para as etiquetas do HTML (h1, h2, body, nav, etc.); adicionar uma linha de código no ficheiro HTML. Este sistema tem a vantagem de permitir gerir as fontes usadas em cada website, permitindo as alterações a partir do interface da plataforma sem ter de mexer de novo nos ficheiros do website em questão. Estes serviços de valor acrescentado é que acabam por marcar a diferença.

The League of Movable Type é um movimento interiramente open source. Os mentores, Caroline and Micah, sublinham a importância do projecto que não é contra as tipografias nem criadores de tipos, antes pelo contrário. Explicam que é uma forma de promoverem e aprenderem a estar na web. Defendem que um bom criador só ganha em disponibilizar um tipo criado por si para uso gratuito, tanto para fins comerciais como não. Porém, esclarecem que qualquer fonte modificada requererá uma licença open como a sua antecedente – SIL Open Font License.

É um projecto original que reúne para já 11 fontes de muito boa qualidade, já que a aceitação de fontes propostas para a colecção exige critérios elevados de qualidade.

As fontes estão prontas para download e uso por qualquer utilizador e são efectivamente bonitas e elegantes. Nos 11 tipos, é possível encontrar um leque variado.

font-squirrel-logo

Reúne centenas de fontes, podendo ser descarregadas em ficheiro ttf simples ou em kit @font-face. Este kit traz a fonte em ficheiros de vários formatos formatos (ttf, eot, svg, woff), o texto da licença, uma demo e ainda o ficheiro css para ser colado no style.css do website.

Este repositório oferece ainda a possibilidade de testar fontes com texto próprio, de submeter fontes através do seu @Font-Face Generator.

Relativamente às licenças aplicadas às fontes, é preciso ter em atenção e ler com cuidado a secção license em cada fonte, porque há licenças para todos os gostos. EM princípio, são os próprios autores que definem como querem que seja usada a fonte, se há restrições de uso, etc. Existe também disponível o contacto. No entanto, há muitas fontes que foram recolhidas na web e cuja autoria não foi reclamada (fontes “órfãs”). A Font Squirrel descarta responsabilidades relativamente a má interpretação e incorrecto uso das fontes. As licenças sem restrições são: End User License Agreement (EULA), SIL Open Font License.

OUTRAS

No Typotheque é possível comprar licenças de uso do software, havendo várias modalidades de uso: licença básica (utilizador único), multi-utilizador; @font-face com código para embeber; licença global, etc. Esta última não impõe qualquer restrição, como por exemplo o tráfego por mês.

Em FontSpring paga-se uma vez e tem-se acesso por subscrição anual a fonte para uso num website.

No FontDeck a licença é paga à unidade e começa nos $6.49/ano, defendendo-se o custo à medida do uso.

Finalmente, em Just Another Foundry o preço de uma família começa nos $19/ano.


Fontes ao alcance de todos – Parte I

Até aqui, o uso de fontes na web esteve bastante condicionado e limitado a peritos. Os condicionamentos eram múltiplos: o comportamento dos browsers, já que uns suportavam, outros não, e ainda as licenças e a questões de segurança. Outra complicação era o conhecimento técnico necessário para embeber fontes. E assim durante vários anos, na web só encontrávamos as fontes Arial, Georgia, Helvetica, Times, Verdana, e pouco mais. Um cenário decepcionante, pois o uso intensivo da dúzia de fontes contrastava com as dezenas de milhar existentes, não todas adequadas à web, mas que poderiam ser adaptadas.

Neste post, quis abordar com algum detalhe o tema, por isso resolvi publicar por partes. Nesta primeira parte, faço uma pequena introdução, na segunda parte analiso o mercado e, na terceira e última, realizo uma experiência com @font-face.

Mudança de cenário tecnológico e vontade de dar a volta

Nos dois últimos anos, produziram-se movimentações rápidas e deram-se passos consideráveis, depois de mais de uma década de impasses e soluções que não convenciam nem mobilizavam os actores.
Para os três problemas enunciados, arranjaram-se soluções. Actualmente, a maioria dos browsers adoptou na sua base um @font-face para lidar com pedidos de fontes.
Paralelamente, assistiu-se à criação de licenças mais adequadas ao ambiente web. Isto porque os direitos de uso de fonte em meio gráfico não são extensíveis à web. Alguns exemplos mais frequentes de licenças usadas para fontes na web são: SIL Open Font License, Creative Commons, GNU Public License, EULA.
O terceiro problema, decorrente do modo anterior de embeber fontes, dificultava o controlo do uso da fonte, pois ela ficava disponível para download e uso não autorizado. Neste momento, isso não representa problema, porque a fonte é, digamos, requisitada a cada momento à plataforma, não existindo um download directo ao utilizador.

Marcos temporais

EOT

No distante ano de 1997, a Microsoft tomou a iniciativa de criar um formato para embeber fontes que consistia em transformar o tff em eot comprimido. Começou por ser um formato inteiramente proprietário, que em 2007 a empresa tentou submeter ao consórcio W3C para integrar as normas do CSS3. A rejeição por falta de segurança liquidou a iniciativa a que se juntou pouca receptividade, embora a Apple viesse em defesa do eot. Moribundo enquanto solução, ainda é usado para o IE, tendo como vantagens a compressão, encriptação, protecção, mas como grande desvantagem o facto de só funcionar no IE. O IE9 já vai suportar o formato normalizado WOFF.

.Webfont

Em 2008 surge a ideia de disponibilizar as fontes num ficheiro .zip, contendo no seu interior o ficheiro da fonte propriamente dito e um ficheiro .xml com as permissões. Mas esta proposta também não colheu candidatos, porque requeria a edição do ficheiro .xml caso a caso.

WOFF (Web Open Font Format)

Entretanto as alternativas open (TrueType and OpenType fonts) estavam em curso desde há algum tempo e como não tinham o engulho do controlo das licenças, tornava-se um problema de mais fácil solução.
Daqui deriva o formato de fonte WOFF que se baseia nos já existentes (funde-os) e incorpora a declaração normalizada para fontes – @font-face para o CSS. As figuras que estiveram na sua origem foram: Jonathan Kew (Mozilla Corporation), Tal Leming (Type Supply) Erik van Blokland (LettError) e as empresas que submeteram o formato à aprovação em Abril deste ano foram Mozilla, Opera e Microsoft.

@font-face

Esta declaração estabeleceu-se como norma para fontes na web, estando ligada ao ficheiro do estilo (CSS) que está separado do ficheiro de estrutura (HTML). Sejam plataformas de fontes de licença livre, comercial ou mista, todas usam-na, viabilizando o uso generalizado de fontes na web.
Na prática, os navegadores e dispositivos móveis lêem uma linha de código que declara a fonte ou fontes a usar no ficheiro HTML, sendo o estilo editado no ficheiro CSS.

Proponho dois links interessantes que me permitiram traçar o percurso um pouco sinuoso das fontes web. Em Web fonts — where are we?, John Boardley descreve a situação insustentável para os webdesigners e faz o ponto da situação.

webfonts_articleNum outro artigo – Fonts at the crossing, Richard Fink detalha a evolução e os principais players.

webfontscrossing_article


“Ontem fartei-me de apanhar morangos!”

É com esta divertida frase que começo o artigo dedicado ao Farmville, o jogo que anda na boca de toda a gente. Apanhar morangos, embora virtuais, como esclareceu e bem o Governo Sombra da TSF, é uma sinédoque para trabalhar no campo.

Para ir directa ao assunto, o Farmville é um jogo criado pela empresa Zynga que tem muitos outros jogos, mas que acertou no bingo com este. Usa o famoso Facebook Connect, API que permite que um utilizador Facebook e os seus amigos se possam manter em contacto noutras esferas, neste caso no cenário deste jogo, que é um desafio à gestão de uma quinta.

O texto promocional do jogo em inglês é mesmo “Is a game where you can farm with your friends”. E é neste jogar com os amigos que parece estar o segredo do sucesso, já que a empresa segue à risca o slogan: “Connecting the world throught games”, ou seja, lidera o mercado do jogo social. O seu portefólio cobre jogos para plataformas e redes sociais como o Facebook, MySpace, MSN Games, iPhone. O sentido de comunidade é fortalecido pela dinamização de blogs, wikis, e clubes de fans, quer da empresa Zynga quer de outros elementos que aproveitam para passar alguma publicidade.

Explicar o Farmville

O jogo foi lançado em Junho de 2009, mas depressa granjeou muitos adeptos fervorosos por todo o mundo. A plataforma escolhida foi o Facebook, uma rede imensa de mais de 400 milhões de utilizadores, sendo mensalmente 80 milhões os jogadores activos.

FarmVille Fan Page, página principal de acesso no Facebook,  informa diarimente acerca dos desenvolvimentos, actualizações e  novas funcionalidades do jogo e, muito importante, lança desafios semanais – os contests, que dão a ganhar dinheiro aos vencedores. Cada entrada não tem menos de 80 mil comentários.

Acerca do conteúdo e regras do jogo propriamente dito, pululam os websites e blogs sobre o tema e não é necessário recorrer ao inglês ou ao português do Brasil. E, faça-se justiça, as minudências e a abrangência temática deitam por terra qualquer tentativa minha de aqui dar conta do mundo de possibilidades do Farmville. Ele são tutoriais, dicas, truques, estratégias, em forma de blog, chat, notícias da semana, videocast. Enfim, tudo serve para aprender a vingar e a singrar num meio tão hostil como o mundo rural.

Não sendo eu uma jogadora, dediquei-me à consulta de algumas dessas referências, sendo esta análise baseada nesse levantamento. E, para primeira conclusão, adianto que fiquei divertida com o universo de que se falava, pela paixão, dedicação e pelo concreto das questões tratadas. O detalhe é tal que facilmente provoca uma barrigada de riso a quem está de fora. Destaco a propósito:

  • o truque das “vacas ilimitadas”, que afinal veio a revelar-se não ser técnica de gestão, mas espertalhonismo a explorar os bugs do programa;
  • o diagrama que explica como cruzar bois e vacas para obter bezerros;
  • o plantio mais rentável das ervilhas em detrimento das uvas.

A ciência da agricultura virtual

Logo à entrada, afirma-se que no Farmville tudo cresce e que a pessoa tem a oportunidade de viver o sonho rural com os amigos (Não posso deixar de comentar a pontinha de nostalgia do campo…). Plantar, semear cereais, legumes ou árvores; fazer criação de porcos, vacas, galinhas; enviar presentes aos vizinhos e aos amigos – uns ovinhos, uma galinha por ocasiões de festa; ajudar os vizinhos nas colheitas ou na preparação de terras para o plantio, regas, etc.; lidar e tratar dos animais domésticos, compor cercas, aprovisionar palha e erva, adubar terrenos, vigiar as colheitas dos ataques de animais selvagens e pragas, são algumas das actividades possíveis no Farmville.

E uma componente interessante é o facto de tudo isto poder ser feito em grande parte em comunidade, em colaboração com os vizinhos e amigos reais (os de carne e osso).

No entanto, algo de estranho retira o carácter verosímil à experiência. Senão vejamos: as colheitas são automáticas, as vacas ilimitadas, as sementeiras rentáveis, os morangos virtuais, e, depois, tropeça-se nas referências a ganhar muito dinheiro. Essa falta de realismo é largamente compensada pela entusiasmante sensação de que tudo é fácil, se compra e se controla com truques. Aliás, truques deve ser a palavra mais utilizada nestes blogs, extensões do jogo. Numa leitura rápida ficamos a saber que a forma de avançar rapidamente nos níveis da quinta é apostando nas plantações de soja. E porque não plantar árvores em cima de árvores, quando já não há terra ou dinheiro para ela? No mínimo engenhoso, mas começo as desconfiar das bondades pedagógicas do jogo.

Existem manuais e guias para sementeiras mais rentáveis e, como não podia deixar de ser numa sociedade e economia com regras, existem as Farmville Stats ou Farmville Statistics que permitem calcular as melhores colheitas, sementes, animais, decoração, combustível, consumíveis, veículos e fazer comparativos.

Razões para “agarrar” as pessoas

Quase tudo o que mexe na Internet é matéria de estudo, já que um fenómeno bem aceite e assimilado pela comunidade em rede impressiona sempre pela rapidez de contágio. Está-se sempre a bater novo recorde.

A respeito do Farmville, encontrei um texto de análise que enumera 5 factores que explicam o fenómeno. Resolvi acrescentar-lhe outros pontos, não que não tenham relação com os mencionados, mas porque os considero tão importantes que merecem ser individualizados.

  1. Menciona-se o grau de envolvimento e detalhe realista do jogo – compram-se sementes, existe moeda própria, vêem-se as plantas crescer, fazem-se contas aos gastos e aos possíveis lucros, e as pessoas tomam mesmo decisões de administração dos seus bens.
  2. O segundo tópico referido é a força da rede, ou seja, as relações de boa vizinhança que convém cultivar e cuidar. As relações reais podem ver-se reforçadas por solidariedade, cooperação em trabalhos, partilha de lucros, ofertas, etc., mas também podem ser criadas relações de contexto virtual.
  3. O carácter viciante é o terceiro ponto. Prende-se com aquele impulso de estar sempre a melhorar algo, de ser prestável com os outros, para tirar partido e ter apoios em futuras necessidades. Os jogadores sentem-se impelidos a dar mais um jeitinho, e quando dão por ela, vão à sua quinta várias vezes ao dia, nem que seja para se certificarem de que está tudo bem. No mesmo artigo referem-se episódios dramáticos de pessoas que acordam a meio da noite para fazer colheitas ou que pedem a amigos para ir à quinta porque estão numa reunião de trabalho. A febre Farmville!
  4. A forte componente comunicativa, sabiamente instigada pela arquitectura do jogo e estruturas de suporte, constitui um quarto aspecto.
  5. O desenho inovador, estando sempre a ser criados novos elementos que dão mais realismo e criam novas situações – novas raças de cães, bandeiras nacionais, flores ou plantas com características sui generis.
  6. Dar azo ao materialismo, sendo possível ter sucesso no campo virtual.
  7. Alimentar algo que as pessoas adoram fazer: comparar quintas e ver as quintas dos outros.
  8. Reviver o gosto pelo campo, sem ter as agruras reais. Neste espaço, apura-se o sentido da propriedade, a proximidade à natureza, a prática da boa vizinhança extinta.
  9. Ter por base de utilizadores uma comunidade imensa – o Facebook.
  10. Tratar-se de um jogo gratuito e acessível em qualquer computador.
  11. Uma outra explicação adiantada pela própria Zynga é o facto do jogo ser sobre agricultura e se tratar de algo que faz parte das raizes. Todos têm ou acham que têm uma noção de como gerir uma quinta e têm ideias para pôr em prática.
  12. Neste outro artigo discute-se o valor educativo do Farmville e não faltam elogios. Além de proporcionar casos práticos da área da matemática, permite explicar conceitos como retorno do investimento e acaba por ser uma realidade próxima a muitas crianças. Além disso, envolve e promove a socialização.

Manifestações, reacções

Se os muitos utilizadores, no calor do jogo, reivindicam bandeiras nacionais para marcar a sua quinta como território nacional (Portugal já tem a sua) e esquecem a realidade comezinha do trabalho, outros tentam por limites a este ímpeto agrícola. Foi o que aconteceu na Câmara Municipal de Coimbra, cujo Presidente cortou o acesso ao Facebook quando uma funcionária foi apanhada a tratar da quinta no horário de expediente. A responsável pelos RH veio justificar a medida pela lentidão da rede e explicou que não foi corte generalizado, porque o Turismo e a Comunicação têm acesso à rede pela natureza das suas funções.

Quem também se entusiasmou foi um adolescente do Reino Unido que gastou em 2 semanas 1000€ para poder avançar rapidamente nos níveis. A mãe poupou a Zynga e a empresa do cartão de crédito utilizado, mas afirmou que devia haver um filtro que não permitisse usar o cartão de crédito com nome diferente do do jogador. Boa observação e excelente solução dada de bandeja à empresa. Não há dúvida nenhuma que há uma falha no funcionamento e que devia haver sistema de confirmação quando se passa a jogar a dinheiro.

Futuro do jogo social

Tudo indica que será brilhante, não exclusivamente para o Farmville, até porque nestas questões de jogos, o auge é rápido, mas a queda também, embora neste caso concreto o Farmville se mantenha em excelente posição no top25 Facebook de Maio (78 milhões) sem mostrar desgaste e com vantagem significativa em relação aos seus competidores directos (2º Birthay Cards 34 milhões; Texas Holdem Poker 29 milhões).

Apesar da curta vida dos jogos, prevê-se que seja constante a procura de jogos em redes sociais. Está a ocorrer um investimento brutal neste sector e há boas perspectivas de lucros e crescimento do mercado.

Um estudo muito completo de Justin Smith revela aspectos bem curiosos, como se pode ver na breve apresentação. Este mercado movimentou 500 milhões de dólares em 2009 e estima-se que a receita será de 800 milhões para este ano e uma generalização a todos os continentes. As empresas líderes, os chamados “players”, são a Zynga, a Palyfish e a Playdom.

Como o Facebook não dá sinais de abrandamento e é uma rede imensa, ideal para jogos desta natureza que precisam de redes grandes, o natural é que a dupla jogos sociais e Facebook continue a ser o prato forte.

Segundo dados recentes, a publicidade não funciona neste modelo de negócio. O que produz realmente dinheiro e é uma oportunidade de negócio são as vendas dos denominados “bens virtuais” em troca de dinheiro bem real. Só nos EUA essas compras representam mil milhões de dólares. Estamos a falar de extras e bónus dos jogos (avatars, armas, poderes, presentes virtuais). Por exemplo, no Farmville, é possível comprar terra extra, tractores mais eficientes.

Facebook Gift Shop

Mas esta moda existe em todas as plataformas sociais – seja o Facebook, o MySpace, o próprio iPhone. O Facebook tem a sua loja de presentes onde se pode comprar bolos de aniversário, canecas de cerveja, músicas, flores, peluches. O seu recente sistema de créditos convertível em dinheiro real estabelece 1 dólar para 10 créditos, o que equivale dizer que com esse dinheiro é possível comprar a fatia do bolo de chocolate reproduzida na imagem. Depois é só escrever a mensagem e enviar para o destinatário em correio público ou privado.

Contudo, o grosso da receita é gerado através dos jogos, por isso o Facebook está a preparar uma taxa ou imposto a aplicar aos “bens” transaccionados na sua plataforma por empresas externas. O sistema de créditos acima referido prepara-se pois para ser a moeda de troca no universo Facebook e será mais do que natural que se imponha nos jogos.

Quem disse que a economia actual é virtual? Esta realidade dos jogos sociais pode ser entendida como um ensaio geral para o novo mundo que está já aí.


Backups – Boas práticas (parte 2)

No artigo anterior fiz uma abordagem algo teórica ao tema das cópias de segurança. Agora, apresento algumas das soluções disponíveis (que está longe de ser exaustiva) para um utilizador singular ou para uma pequena rede e qual o procedimento que adoptei para evitar que novos “acidentes” deixem marcas permanentes. Como o sistema que utilizo é essencialmente Ubuntu (1 desktop e 2 portáteis) os exemplos basear-se-ão na plataforma GNU/Linux e mais concretamente no ambiente Gnome.

As soluções para backup podem classificar-se segundo duas perspectivas: a tipologia (método e formato utilizado) e o suporte (onde é alojada a cópia de segurança).

Quanto à tipologia podemos ter cópias “espelho” e arquivos. As primeiras consistem em replicar totalmente os ficheiros, pastas, partições ou mesmo discos completos. Esta réplica não se limita aos ficheiros, incorporando também a estrutura das pastas, permissões de acesso e mesmo relações entre os diferentes ficheiros. Já os arquivos agregam os ficheiros que se pretendem salvaguardar num único ficheiro/arquivo que pode ser comprimido e/ou encriptado por questões de segurança.

Quanto ao suporte podemos guardar o nosso backup num repositório local, num suporte externo amovível ou num repositório remoto.
Pode ser ainda utilizada a tecnologia Raid para manter cópias sincronizadas num parque de discos, mas esse método não se enquadra no âmbito deste artigo.

Cópias espelho

Existem inúmeras aplicações que realizam cópias espelho, sincronização de ficheiros ou file sync. Podemos afirmar que o seu funcionamento é independente do sistema operativo e passa pela definição dos ficheiros, pastas, partições ou discos a salvaguardar; o suporte para onde se pretende criar a cópia e a periodicidade da sua realização são definidos pelo utilizador.
Para ambiente Windows ou Mac existem imensas aplicações, e uma simples pesquisa no Google é um bom ponto de partida. Algumas gratuitas, outras nem por isso. Na perspectiva open source que caracteriza o “Agulha no palheiro” proponho o rsync na sua versão Windows ou Mac. Nas aplicações em versão proprietária, um produto bem conceituado, mas que não conheço em detalhe, é o Acronis.

O rsync é na sua essência uma aplicação de linha de comandos, mas para os sistemas GNU/Linux existe uma grande variedade de soluções gráficas para facilitar a vida aos utilizadores. No ambiente Gnome, e após experimentar uma série de aplicações, seleccionei o Gadmin-Rsync que faz parte de um conjunto mais abrangente de aplicações administrativas  – as GadminTools.
A configuração é extremamente simples e resume-se a:

  1. identificar as pastas ou ficheiros que devem ser salvaguardados
  2. indicar onde será alojada a cópia de segurança
  3. programar com que regularidade deve ser efectuada a cópia

Arquivos

Esta abordagem é provavelmente a mais conhecida e utilizada. Desde o simples ficheiro zip até formatos encriptados proprietários que só podem ser manipulados por aplicações específicas, as soluções são inúmeras.
Das que experimentei, recomendo a Simple Backup Solution, pois possui uma configuração extremamente simples e com algumas soluções predefinidas que cobrem a maior parte das necessidades.

As vantagem evidentes da utilização dos arquivos são a economia na área de armazenamento e a simplicidade no processo de guardar uma cópia desses arquivos em suportes externos. Contudo, não optei por esta solução, pois agrada-me ter uma cópia “sempre fresca” dos ficheiros num formato que posso consultar sem problemas.

Repositório local

Para um acesso rápido às cópias, estas devem estar alojadas numa máquina com acesso directo. Pode ser um servidor de ficheiros ou um segundo disco. O protocolo sob o qual se ligam as máquinas não condiciona o processo, podendo ser uma ligação Samba, SSH, etc.

Suporte externo amovível

Com a redução substancial dos custos dos discos rígidos externos, esta solução tornou-se bastante acessível. Alguns fornecedores de hardware já começaram a incluir nos seus produtos soluções integradas de backup, como é o caso da Western Digital com os seus My Book.

Para soluções mais profissionais o recurso a sistemas automáticos de salvaguarda em fita magnética “tape backup” continua a ser uma opção bastante válida. Para uma consulta à gama disponível actualmente sugiro uma visita a sites de empresas que oferecem este tipo de hardware, como por exemplo a Tandberg.

Repositório remoto

A tendência de aumento da velocidade de transferência de dados nas redes actuais torna cada vez mais ténue a fronteira entre a nossa máquina/repositório local e um repositório remoto. Na prática, um acesso a um repositório remoto é muito idêntico aos procedimentos e possibilidades de utilização do repositório local, variando somente a velocidade de comunicação. Um serviço simples e interessante é o Ubuntu One que oferece 2Gb grátis para sincronização de ficheiros e notas.
Existem contudo serviços integrados que disponibilizam, de uma forma transparente para o utilizador, as ferramentas e processos de backup associados a um espaço de alojamento remoto. Um dos atractivos destes serviços é a salvaguarda contra desastres naturais (ou não tão naturais) como inundações, incêndios ou terramotos. Os datacenters estão em edifícios adequados e, dificilmente sofreremos simultâneamente os efeitos dessas calamidades.  A maior parte das empresas desta área oferecem o serviço gratuito para atrair clientes, embora as limitações de espaço sejam óbvias. Há uma grande oferta – uma simples pesquisa devolve dezenas de fornecedores.

Dos que testei, pareceu-me bastante interessante e com uma óptima relação funcionalidade/preço, o CrashPlan. Além da salvaguarda remota dos dados, permite a utilização de outros níveis de arquivo como por exemplo um disco local ou um disco externo. Possui um interface bastante simples e a automatização dos processos é linear.

Outros bastante conhecidos são o Adrive, o Mozy ou o Dropbox.

A minha solução

Sem pretensões de ser a solução ideal, mas somente a título de exemplo, apresento agora as opções que tomei para salvaguardar os dados na minha rede pessoal.
Como já mencionado adoptei a sincronização de ficheiros e pastas utilizando o rsync como tipologia. A aplicação que o executa é o gadmin-rsync. Seleccionei todos os ficheiros/pastas que considerei importantes e agendei o processo para uma cópia diária.
Quanto ao suporte, o gadmin-rsync cria a cópia (arquivo de 1º nível) para um segundo disco que tenho no desktop. Como esse segundo disco é partilhado, via Samba, na minha rede local, os portáteis também o utilizam para armazenar as suas cópias.
Paralelamente, tenho a correr o Crashplan que me arquiva, também numa base diária, os mesmos ficheiros (arquivo de 2º nível). Este processo é mais moroso pelo que a sua utilização para recuperar os dados é utilizada como opção final. É útil também para transferir ficheiros quando estou fora e sem acesso ao desktop, podendo-o considerar como um repositório ftp.
Finalmente faço semanalmente, aqui de forma manual, uma cópia completa do meu “repositório local” para um disco externo (arquivo de 3º nível).

Quando o Murphy não deu tréguas

Se não tem uma cópia disponível ou se tudo o resto correu mal a solução final é recorrer a um serviço de recuperação de dados. É bastante oneroso, mas se os dados o justificarem… Como exemplo existe o serviço de recuperação de dados da Iomega.


Google do tamanho do mundo

Goste-se ou não, o que é certo é que o Google já faz parte da vida das pessoas. Isso até se comprova pela rapidez com que o termo e as variantes entraram nos hábitos dos falantes de todas as línguas: googler (francês), googolare, gugolare (italiano), googlar, googlear, guglear (espanhol), googelen (holandês), googlar (português).

Há uns anos atrás, nos idos 2006, a empresa mostrou algum aborrecimento por usarem a marca como verbo, mas o que poderia estar a ser encarado como uma desvantagem revelou-se com o tempo uma mais valia.

Inevitavelmente, perante tal poder, formaram-se opiniões, muitas vezes contrárias. Na iniciativa One Day Without Google sublinha-se o poder crescendo do grupo. Noutros casos, como no inquérito feito pela Pew Internet/ Elon University, os resultados à questão “Google will make people stupid?” fazem sobressair a ideia de que o motor mais famoso não estupidifica, embora possa criar preguiça mental. Também por várias vezes ao longo destes anos, foram lançadas questões às pessoas da rua sobre se conseguiam dispensar o Google das suas vidas. Recentemente colocou-se aos chineses a mesma pergunta, deixando clara a indiferença destes à retirada da Google.

Mas no meio deste caldo de reacções, o que me interessa é perceber os próximos passos da Google numa altura em que a sua agenda está algo agitada. Se por um lado tenta sossegar empresas de telecomunicações e indústria de lazer, por outro ficou debaixo de fogo com o novo produto – o Buzz. É também um momento em que envereda por áreas totalmente novas como a da energia e telecomunicações.

“O menino bonito”

Há dias, li no Cnet News que o Google gosta de ser o menino bonito. Estuda sempre a lição, prepara -se bem para os exames, interessa-se por muitas disciplinas e consegue alcançar bons resultados em todas. Enfim, é bem quisto por todos os pais e comunidade. Provavelmente por causa de cair quase sempre nas boas graças das pessoas, tem dificuldade em lidar com algumas críticas e falhas que vai cometendo. Todos temos assistido a desaires da Microsoft, a ataques directos às intenções do Facebook ao descurar a privacidade. Vir ao terreiro defender a dama é porém uma questão de honra da qual a Google não pensa abrir mão. Ainda recentemente, reagiu de imediato às críticas ao Buzz, corrigindo a falha e tentando repor a calma nas hostes.

Essa espécie de aluno bom comportado mereceu-lhe a simpatia de Washington com quem tem relações privilegiadas e de claro favorecimento.

Mas não há dúvida que a empresa não pára e aposta claramente na diversificação, não só ao nível dos produtos e serviços, como sói tratar-se, mas ao nível mais estratégico – diversificação nos ramos de negócio. Esse crescimento está a despertar em cadeia uma série de obstáculos vindos dos mais variados sectores.

1. Pesquisa

A fama e o poder da Google foi proporcionado pelo seu motor de pesquisa. O famoso algoritmo do cálculo do Page Rank é o Santo Graal da pesquisa que todos desejam obter. É claro que desde os primórdios muito desenvolvimento foi feito pelos técnicos da Google, mas nunca se descobriu a fórmula.

Recentemente, o crescimento do peso das redes sociais na Internet é tal que há já muitas pessoas cuja experiência na Internet se reduz às redes e que fazem todas as consultas desde aí e aí. Tanto assim é que as visitas geradas em muitos websites são já parcialmente oriundas das redes sociais. A juntar-se a esta realidade, assiste-se a um cada vez maior número de utilizadores com telemóvel para aceder à Internet e serviços.

A Google reagiu e para o primeiro caso realizou acordos com Twitter, Facebook e outras redes no sentido de integrar os resultados do universo social nas suas pesquisas; na mesma linha lançou o Buzz que procura integrar o Gmail com as redes. Para o segundo problema, tem adaptado produtos como Earth, Maps, Voice, Search Voice, tradutor, etc., à realidade móvel.

2. Publicidade

Apesar do motor Google ser a coqueluche, o que dá efectivamente dinheiro à empresa é a publicidade via Adsense e AdWords. Também esquemas de micro-pagamento que poderão vir a ser testados na plataforma Youtube que oferece actualmente qualidade HD poderão a ser prática corrente dentro em breve. É com essa aliciante que o Google se tem apresentado, quer no caso do Youtube, quer no do Google News e Google Books, que tanta polémica têm gerado.

Só para dar o exemplo do Youtube, não chegando a receita publicitária para cobrir os 356 milhões de custos pela manutenção da plataforma nem para satisfazer os produtores e distribuidores, Google acaba de criar este ano um serviço de aluguer de filmes (de momento só a funcionar para o público dos EUA). Está igualmente prevista a entrada num negócio “iTunes” com a compra da Catch Media.

Outras tantas iniciativas e batalhas, cada vez mais no plano judicial, estão a ser travadas no campo dos conteúdos, dos direitos de autor, da privacidade. Em sua defesa, a Google insiste na ideia de que não quer concentrar os lucros, que todos ganham no esquema que deseja implementar e que está interessada em matizar o modelo com as necessidades dos outros intervenientes.

3. Software/ Sistemas operativos

Além do desenvolvimento em tempo recorde do sistema operativo para telemóveis – o Android, a Google apostou forte no Chrome OS, quer no sistema de navegação quer no sistema operativo para notebooks.

Curiosamente, o sistema Android, desenhado para telemóveis, está a ser estendido com sucesso a outras plataformas, quer em notebooks quer em tablets. A HP acaba de lançar o seu portátil com o sistema Android, mas também dois tablets foram criados com o mesmo sistema, o Archo, o Compal e o Vega, o que prova a versatilidade do Android. Aliás, posso testemunhar a efervescência desta comunidade, inclusive no nosso país, numa recente formação em que participei.

4. Telefonia

Depois de surpreender tudo e todos com a apresentação do seu próprio telemóvel lançado a 5 de Janeiro, o mercado de telemóveis de tecnologia Android e/ou hardware Google (Nexus One) soma e segue. O sistema operativo Android está em 26 telemóveis diferentes e é vendido por 59 operadoras de telecomunicações em todo o mundo. O HTC Hero com Android foi eleito o melhor telemóvel 2009.

5. Energia

A entrada do pedido da Google para operar no mercado energético ocorreu em Dezembro passado, através da sua subsidiária Google Energy, mas só agora a entidade reguladora americana, a FERC, deu luz verde. Mais uma vez a surpresa foi grande. Mesmo no mercado americano é inédito, porque até agora as 1500 entidades com permissão são serviços públicos ou produtores de electricidade. É a primeira vez que é concedida licença a uma empresa estranha ao ramo, no caso uma empresa tecnológica.

A Google diz que o objectivo é atender às suas necessidades de produção de energia e apostar nas energias verdes, como decidido em 2007, mas nada a impede de se posicionar no mercado como fornecedor desses mesmos serviços e isso inevitavelmente acontecerá para rentabilizar know how e infraestrutura.

Em post anterior, já tinha falado dos consumos abissais de energia dos data center e do registo de patente do sistema de plataformas energéticas em alto mar.  Crê-se que a factura energética da Google seja qualquer coisa de assustador, sobretudo tendo em conta os muitos data centers espalhados pelo mundo, porém a empresa nunca revelou dados.

Os objectivos “0 carbono” definidos estrategicamente em 2007 são veiculados no blogue Going green at Google e compreendem a eficiência enegética, o uso de energias limpas e a compra de créditos de carbono para reduzir a pegada ecológica da empresa.

Algumas iniciativas da empresa nesta matéria cobrem a computação eficiente com a optimização de servidores e o uso de água e ar para arrefecimento, o uso de energias alternativas, sobretudo solar, caso da sede em Mountain View, o cuidado na construção dos edifícios, o estímulo às deslocações em bicicleta e partilha de carro para funcionários, e uma série de dispositivos de monitorização e poupança.

A título de exemplo, refiro o PowerMeter que mede e monitoriza o consumo doméstico e ajuda a optimizar uso energético. Sobre o impacto deste aparelho no comportamento do cidadão no RU, recomendo o artigo do The Guardian. Há ainda o Google Transit que usa o maps valorizando uso dos transportes públicos e mais uma série de gadgets para o desktop, como o Blackle, que usa ecrã preto, ou o Save electricity, que poupa cliques nas consultas.

Uma outra vertente que tem estado muito visível ultimamente dada a concentração de catástrofes naturais como as ocorridas no Haiti e Chile é a disponibilização de dados do clima, mapas, para as equipas de ajuda ou para a procura de familiares.

6. Telecomunicações

Para completar o ramalhete, só faltava mesmo ser ISP e fornecedor de banda larga, fazendo concorrência directa às operadores de rede.

Mesmo para um leigo, é compreensível a necessidade de boas ligação à Internet numa empresa como a Google, pois a velocidade da rede é como pão para a boca. Assim, para poder avançar com novos serviços e liderar o sector, sobretudo num momento em que querem estender o recurso à cloud, a empresa anunciou a criação de uma rede de área geográfica restrita, que beneficiará 50 mil pessoas até um máximo de meio milhão. Neste projecto piloto de rede rápida prometem 1Gb de largura de banda e velocidade 100 vezes superior, o que permite conferências 3D, transmissão de imagens médicas 3D, descarga de filmes HD em 5 minutos. A fase de inscrição de comunidades interessadas em participar termina a 26 de Março.

Para que se possa avaliar a importância do marco 100X mais rápido, basta dizer que a média da velocidade nos EUA é de 3,9 Mbps e que apenas 19% de todas as ligações no mundo gozam de uma velocidade superior a 5 Mbps.

A empresa sublinha que se trata de um ensaio, cujos resultados prometem partilhar para que este progresso se dê em vários pontos do mundo, e esclarece que desde há muito tempo investiga formas de melhorar o protocolo da Internet, a gestão dos pedidos aos servidores e o tráfego da rede e que está fortemente empenhada na modernização da rede e generalização da fibra óptica. Garantiu que defende a neutralidade da rede e que a sua rede estará aberta a terceiros.

Apesar dos comunicados, difícil tem sido sossegar as empresas de telecomunicações, que o diga Eric Schmidt, que em Espanha teve de enfrentar uma plateia enfurecida com os discursos inflamados do patrão da Telefónica, César Alierta, que incendiou as mentes ao acusar a Google de enriquecer à custa das empresas de telecomunicações, usando as suas redes, mas pagando-lhes nada, já que da fatia de publicidade gerada fica em território espanhol apenas 5%. O enviado da Google tentou mostrar que o telemóvel reúne vantagens para todos e que devem trabalhar em conjunto.

Existe claramente um entendimento errado desta questão, tendo-se exposto o ridículo da leitura do patrão da Telefónica ao dar-se como exemplo na rede eléctrica o pagamento da luz pelos consumidores finais, mas também pelos fabricantes e vendedores dos electrodomésticos. Ora a Google é intermediária e disponibiliza aplicações e plataformas, usando as redes cuja utilização é paga pelos clientes às operadoras.

Conclui-se facilmente que a empresa é cada vez mais vista como tendo duas faces e que o famoso slogan “Don’t be devil” está a ser cada vez mais contestado. Estar no pódio tem custos enormes, mesmo para uma empresa que cultiva a imagem e sabiamente tem gerido uma relação de simpatia com milhões dos seus clientes. Lá diz o ditado, agradar a gregos e troianos…


Nexus one, o “robô” mostra a sua garra

Os rumores anunciavam que o Google ia entrar na indústria dos telemóveis. Aliás, já aquando do lançamento do Android, havia essa expectativa que se cumpriu esta semana com a estreia do Google phone, de seu nome Nexus One. O facto originou comentários, críticas acerca das especificações, características, mas também comparativos e análises acerca do modelo de negócio e do futuro deste sector.

Nexus One, cujo nome se julga estar ligado ao robô de Blade Runner (filme de Ridley Scott baseado num romance de Philip K. Dick), prepara-se para defrontar a Apple que desde há 3 anos não tem tido oposição de peso. E, aproveito para deixar a nota a propósito: esta luta entre titãs parece estar a começar. Se o Google acaba de entrar no campo dos telemóveis, a Apple comprou a Quattro, empresa de publicidade móvel, para se estrear no mercado liderado pelo Google, o da publicidade. Sabe-se que 80% dos downloads da Apple Store são gratuitos, por isso é normal que a Apple queira rentabilizar a plataforma de elevado tráfego com anúncios para telemóveis.

A Quattro era concorrente de uma outra do mesmo ramo que foi adquirida pelo Google, a AdMob. Ora, tudo indica que o arqui-inimigo da Apple deixou de ser a Microsoft. Não será de espantar se um dia destes aparece o figurarão da Apple com o Google. A dúvida está em saber que traço caricato vão explorar.

Um mercado “móvel”

As estratégias destas empresas parecem ser caprichos de noites mal dormidas! Mas o que se passa realmente é que este universo é extremamente dinâmico, requer reacções viscerais e apaixonadas, tudo gira à flor da pele. A orientação é agora “móvel”, “mobilidade”, “internet por telemóvel”. Essa orientação já a entendeu o Google há muito, tendo estado nos últimos anos a preparar a transição para a plataforma móvel. E os trabalhos de casa foram feitos com esmero, senão vejamos.

Estas informações podem ser confirmadas na Wikipedia, comprovando-se mais uma vez a capacidade de trabalho de formiguinha da comunidade imensa. Há jornais que não têm este conjunto de factos sistematizados!

Em 2005, compra Android Inc., uma pequena startup que fazia softwares para telemóveis.

Em 2007, forma a Open Handset Alliance, um grupo de 30 empresas dedicado ao desenvolvimento de padrões abertos para dispositivos móveis. Dela fazem parte a Texas Instruments, Broadcom Corporation, HTC, Intel, LG, Marvell Technology Group, Motorola, Nvidia, Qualcomm, Samsung Electronics, Sprint Nextel, T-Mobile. Nesse mesmo ano, adquiriu a Grand Central, especializada em Voz por IP, cuja aplicação imediata fez-se no Google Voice.

Em 2008, lança o Android, sistema operativo em código aberto. O golpe foi ao coração da Microsoft. Alguns afirmaram que não vingaria, mas em pouco tempo saiu o HTC Hero e seguiram-se outros sucessos, o último dos quais o Droid da Motorola.

Em 2009, é a vez da AdMob, uma rede de publicidade para aplicações móveis. Tentou ainda comprar o Yelp, especializado em opiniões de pessoas comuns sobre serviços e empresas de restauração, hotelaria, etc. Existe app para iPhone gratuita. Esta tentativa gorada prova mais uma vez a linha estratégica, confirmada no arranque de 2010, 2 dias antes da CES (Consumer Electronics Show), lança o Nexus One.

Além das aquisições e incorporação dessa tecnologia nos seus produtos, o Google também investiu muito na melhoria dos seus produtos. Estou a pensar nas tecnologia