Logo

Arquivo por ‘Conceitos’ Categoria

Informação e Cidadania

SmartPeas por Auntie PNos tempos que correm a desinformação é a palavra de ordem, mais concretamente no que toca aos aspectos políticos, económicos e sociais que regem a nossa vida em sociedade. Os políticos manipulam a realidade como mais lhes apraz fazendo das intervenções/reacções às actividades dos grupos parlamentares opositores (independentemente do lado da barricada que ocupam) verdadeiras sessões de demagogia deprimente e embaraçosa para o intelecto do comum dos mortais.

Contudo ainda existe esperança! A tecnologia e as leis da “transparência democrática” permitem-nos hoje aceder por exemplo aos meandros da actividade parlamentar ou às listagens das adjudicações efectuadas por entidades públicas. Em vários locais encontrámos a informação que nos pode retirar do nevoeiro. De falta de informação não nos podemos queixar! Podemos sim é questionar o porquê desta informação estar apresentada de modo tão pouco information friendly ou machine processable.

Para efectuar a análise de um tópico, ou retirar alguma conclusão é necessário vasculhar bem, com paciência e método. Os dados apresentam-se muitas das vezes em formatos proprietários, como o PDF, DOC ou XLS, e com uma organização muito própria que dificulta imenso o tratamento informático e estatístico dos mesmos. Para um acesso verdadeiramente democrático a informação deveria começar por estar disponível em formatos livres, associando-se a isso uma estrutura que permita a fácil manipulação e eventual visualização segundo critérios definidos pelo utilizador.

Algumas experiências já decorrem por esse mundo fora. Um exemplo paradigmático é o espanhol gastopublico.es que permite o acompanhamento dos investimentos realizados com os fundos públicos. Através de técnicas de information extraction e data scraping sobre os dados disponíveis nos web-sites dos vários órgãos do estado a informação é organizada para posteriormente ser apresentada de um modo relevante para o utilizador. Neste caso qualquer habitante de Espanha pode manter uma vigilância informada e lúcida numa perspectiva local e logo mais interventiva. Uma interessante entrevista com um dos criadores deste projecto pode ser escutada n’O Porto em Conversa de Vítor Silva.opendata

Outros casos de sucesso nesta nova filosofia OpenData são Data.gov e o Data.gov.uk. Os cidadãos estão cada vez mais exigentes, uma atitude que força o poder central a libertar a informação de um modo transparente.

Esta entrada não é mais que um teaser para outros que se seguirão mais sobre o tema e questões satélite. Nos próximos meses estaremos empenhados em aprofundar as abordagem e ferramentas, bem como os resultados esperados com a aplicação da tecnologia da informação ao incremento de uma postura cívica mais interventiva.


Backups – Boas práticas (parte 1)

Imagine que um vírus infecta o seu computador, ou a sua rede completa, tornando inacessíveis ou mesmo limpando todos os ficheiros que produziu. Ou então que, numa operação aparentemente inocente e rotineira, um utilizador apaga uma pasta ou mesmo um disco completo. Se a máquina for pessoal sentir-se -á, no mínimo frustrado e com raiva pelo que aconteceu. Mas se estivermos a falar de um ambiente de negócio, dependendo da profundidade do “ataque ou acidente”, pode estar em causa a sobrevivência da actividade.

Pois, era daquelas coisas que “só acontecem aos outros” e que, apesar de estar consciente dos riscos, não merecia muita atenção da minha parte. Até que recentemente um “acidente”, vulgo “clicar onde não devia”, apagou-me toda a pasta documentos onde está alojado todo o meu trabalho! Tenho por hábito fazer ocasionalmente cópias de segurança dos dados que considero críticos. Contudo a última cópia datava de há 4 semanas pelo que era esse o custo que teria que pagar – e tinham sido 4 semanas bem duras. Recorrendo à comunidade Linux – sempre pronta a ajudar e a partilhar as suas experiências – consegui recuperar os ficheiros e livrei-me de umas jornadas de trabalho forçado para conseguir cumprir os compromissos.
Sentir os efeitos na primeira pessoa fez-me reflectir sobre os procedimentos que tinha instalado e como os melhorar para minimizar os riscos.

Data Backup, Restore & Archive

Estes termos, universalmente associados à segurança de dados, têm os respectivos pares em Português e cujas definições sintetizo de seguida.
Data backup, ou cópia de segurança de dados, é o procedimento de transferir ou salvaguardar os dados de um sistema (que pode ser constituído por um computador único ou conjunto de computadores ligados em rede) para um sistema de armazenamento externo. Este sistema pode ser uma fita magnética (tape drive), um disco externo, um servidor de backup ou um data center remoto.

Na eventualidade de ocorrer a perda de informação, a cópia de segurança será utilizada para repor – Restore – o sistema no estado anterior ao incidente, permitindo retomar a actividade de forma normal.
Um arquivo – Archive – é, tal como se deduz, um repositório a médio/longo prazo de cariz mais ou menos permanente, onde se depositam as cópias de segurança. De forma geral, os arquivos encontram-se fora das instalações onde se aloja o sistema e em condições que permitam garantir a sua segurança contra eventuais intempéries ou cataclismos. A sua utilização é vital para negócios onde a manipulação de informação está no core da actividade (uma instituição financeira por exemplo).

Que ficheiros proteger?

A tentação é querer salvaguardar tudo, particularmente nestes tempos em que o armazenamento em massa começa a ficar muito acessível. Mas, por outro lado, o volume de informação que transaccionamos cresce exponencialmente. Por questões de eficiência na utilização dos recursos e utilidade do próprio processo de backup, devemos somente guardar os ficheiros que realmente o justifiquem.
Na linha da frente estão os ficheiros de dados que são alterados/utilizados frequentemente e que verdadeiramente “pertencem” ao utilizador. Com uma periodicidade menor deverão ser salvaguardados os ficheiros do sistema que, apesar de poderem ser restaurados a partir das fontes disponíveis em suporte físico ou em repositórios virtuais, abreviam o restauro do mesmo sistema em caso de calamidade.
A frequência da execução das cópias de segurança poderá variar em função do tipo de ficheiro e da taxa de actualização da informação. Por exemplo, é habitual efectuar um backup diário dos ficheiros de dados e um semanal do sistema. Ficheiros críticos para a actividade podem ter várias cópias por dia. Existem ainda outras soluções em que é mantida uma réplica dos ficheiros seleccionados quase em tempo real.

Tipos de backup

Além do backup total – cópia de segurança integral dos ficheiros seleccionados, existem outras formas de realizar as cópias de segurança de um modo mais expedito e optimizado.
As cópias de segurança parciais incidem sobre todos os ficheiros adicionados ou alterados desde o último backup. Estas podem ser do tipo diferencial (tomam como base a última cópia total) ou incremental (tomam como base a última cópia total ou parcial).

O backup diferencial, em conjunção com o total, deve ser utilizado quando se pretende um restauro rápido e sem problemas. Um procedimento habitual passa por realizar uma cópia de segurança total semanal ou quinzenalmente em paralelo com cópias diferenciais diárias. Com este método o processo de restauro é mais eficiente porque só se recorre a duas cópias (uma total e uma diferencial). Contudo o processo de backup é mais lento, pois são guardados mais ficheiros em cada operação.
O backup incremental, por oposição ao diferencial, tem um processo de backup mais rápido, já que toma como base um estado mais próximo, e um restauro mais lento pois pode exigir o recurso a várias cópias de segurança, realizadas desde a cópia total.

Qual a melhor estratégia?

Como é vulgar neste tipo de situações, tudo depende do que é mais importante para si ou para a organização. Se o tempo disponível para realizar as cópias de segurança é vital, então é aconselhável optar pelas incrementais. Deste modo, as interrupções na normal operação do sistema são minimizadas. Mas, se por outro lado, a rapidez e simplicidade no processo de restauro é valorizada, dever-se-á abraçar um esquema de cópias de segurança diferenciais.

Soluções disponíveis

Na parte 2 apresentarei algumas soluções com as quais me cruzei no decurso da pesquisa para encontrar o sistema adequado às minhas necessidades.


Aumentar a realidade

No mundo da tecnologia, a buzzword do momento é “augmented reality” (realidade aumentada RA). Prevê-se mesmo que 2010 seja o ano da massificação e inundação da RA no mercado.

Uma explicação rápida mas suficiente permite afirmar que na RA se adicionam ou sobrepõem camadas de informação à imagem captada por uma câmara. Essa informação adicional é carregada em bases de dados (descrições, críticas, recomendações de pessoas, anúncios, objectos para experimentar), em redes sociais ou de conhecimento como Flickr, Twitter, Wikipédia.

Para que a informação seja contextualizada e adequada à situação, é usada tecnologia de geo-localização, que permite apresentar a informação extra relevante para o local e circunstâncias do pedido. O que a pessoa tem de fazer é normalmente apontar o seu smartphone para o espaço donde quer obter informação. Também pode haver situações em que a realidade aumentada funciona com recurso aos gestos ou ao toque em superfícies tácteis inteligentes.

Muitos definem a RA como mistura entre a realidade e elementos virtuais, mas na verdade, não penso que “virtual” seja o termo. Trata-se mais da combinação da realidade física com a informação processada por computador. Não há nada de virtual, daí chamar-se “realidade”.

Até agora, a RA está a ser implementada em dispositivos móveis, sobretudo, como smartphones, ipods, webcams.

Está a ter um desenvolvimento rápido, até porque as empresas deste ramo estão à procura de rentabilizar o negócio e tudo indica que o próximo passo é a disponibilização de plataformas para desenvolvimento de aplicativos à semelhança do que se tem feito na área dos smartphones. A Layar, uma empresa pioneira, acaba de anunciar que terá a sua plataforma aberta para programadores que desejem desenvolver “camadas” de informação. Esses aplicativos informacionais poderão ser pagos ou gratuitos. Este anúncio pode vir a fazer da Layar a base de RA para todos os sistemas que já tem 1 milhão de utilizadores e promete manter a plataforma e formatos abertos.

Desenvolvimento

Não se pense que esta tecnologia está a ser desenvolvida e testada apenas nos EUA. Também o Japão e alguns países europeus: Irlanda, Alemanha, França, Holanda, estão a avançar rapidamente com uma imensidão de mini-aplicações para os mais diversos fins.

A explosão de usos da RA nos mais diversos ramos de negócio é bem visível através da análise das camadas informativas que existem e estão a ser melhoradas para o Layar.

Yelp, GoWeb3D, Layar, Presselite, e muitos criadores e programadores individuais, criaram programas que usam RA e técnicas 3D. A própria Adobe tem um plugin com biblioteca 3D para Flash a que chamam Papervision. Os que estão a experimentar a RA comentam que é relativamente simples criar e transportar para os dispositivos pretendidos. A visualização do vídeo do Living Sasquatch, que tem tido réplicas de todo o mundo, mostra claramente o funcionamento desta tecnologia. Imprime-se inicialmente um código numa folha a que chamam o footprint. Usa-se o modelo 3D já existente, criando a sequência de movimentos pretendida. Na criação do efeito 3D, a webcam incide na folha e projecta o modelo com as acções que lhe atribuímos previamente.

Possibilidades

Embora a RA esteja actualmente muito associada ao lazer e diversão, abrem-se muitas portas. Vou listar algumas com que me cruzei, apresentando os aplicativos que na sua maioria se destinam ao iPhone.

1. Sistemas de navegação, pesquisa local
RA tem potencial para criar uma navegação mais intuitiva e uma pesquisa mais contextualizada, como vimos. Para além do Yelp que tem tido muito sucesso pelo facto de apresentar informação social, ou seja, comentários e opiniões das pessoas acerca dos negócios, existem muitos outros, por exemplo, o Robot Vision, desenvolvido por Tim Sears, que funciona com a pesquisa local do motor Bing. Apresenta anúncios quando a câmara aponta para estabelecimentos e mostra fotos do Flickr da zona.

Outro peso pesado neste campo, mas em sistemas Android, é o Layar, já aqui falado. A sua aplicação base dá informações de restaurantes, Wikipédia, comentários de rede social de várias áreas (imobiliário, saúde, transporte, turismo, tempo, etc.). Outros programas conhecidos são: Wikitude, Acrossair.

2. Transporte, correios

São actualmente clientes da RA, ajudando a pessoa orientar-se no bus, metro, ou a calcular o pacote necessário para a sua encomenda. A empresa com mais visibilidade nesta área dos transporte sé a Presselite. A visita a qualquer das páginas dos seus produtos revela que a presença da publicidade e marcas é muito forte.

3. Educação, universidades e escolas

Estão a apostar internamente e a experimentar o que poderá ser no futuro as sebentas e materiais de estudo. Na superfície de um livro, pode ser usada RA para mostrar modelos 3D de obras, desenhos técnicos. Persegue-se um modelo de ensino mais contextualizado, imersivo, social, divertido.

4. Comércio

É certamente o ramo com mais aplicabilidade e desenvolvimento. Desde supermercados a lojas de conveniência, decoração e mobiliário, vestuário, acessórios, todos se prestam à RA que dá a possibilidade de escolher objectos, experimentar no rosto ou num espaço. A Shiseido no Japão tem um espelho para experimentar a maquilhagem. O sistema faz o scan do rosto, aplica a base e aplica os produtos de cosmética.

Aos concessionários, outro sector promissor, interessa criar experiências ricas e emotivas ao potencial comprador, possíveis com modelos 3D. Neste exemplo, a BMW usou o software Paintbrush 3D da Geometric, uma empresa da Índia.

Também o ramo das imobiliárias foram logo brindadas com aplicativos como o Yelp e estão a aproveitar bem a RA para pesquisa de imóveis, anúncios, visitas virtuais.

5. Lazer

É uma área que dará pano para mangas, como em tudo. Como seria de esperar, a rubrica do jogos como o Mosquitos, Wanted Dead or Alive, vem à cabeça. Mas também festivais, turismo, rotas e percursos, alojamento. O cinema conhece ou tem previstas aplicações em que é possível interagir com as personagens do um filme favorito. A vedeta do CES foi a francesa Parrot que apresentou o AR-Drone, um helicóptero cuja a estabilidade, capacidade de controlar movimentos e sensores para não bater nos objectos e calcular a velocidade a que se aproximam, surpreendem enormemente ao comando de um simples iPhone. A pessoa que comanda o objecto vê como se estivesse no seu interior a pilotar. Esta empresa planeia abrir a sua plataforma para criar jogos.

6. Publicidade

Sector florescente com a RA, porque passa a ser possível publicitar em espaços amplos e inimagináveis até aqui. Em todas as superfícies pode ser apresentada publicidade, seja em espaços interiores privados ou no exterior. Imagino que a publicidade venha a estar ainda mais presente no nosso campo de visão até porque não há limites à tecnologia e qualquer campanha neste meio é mais acessível. Tecnologicamente falando, o que impede uma empresa de lançar a sua publicidade no céu, na superfície de um lago ou no chão lá de casa? Nada.

Desenvolvimento nacional

Apesar da visibilidade de Portugal nestes campos ser pouca, seria uma falha não mencionar a YDreams que desde 2000 tem estado a trabalhar com RA. As suas tecnologias de pesquisa e desenvolvimento são até agora a RA propriamente dita, a YVision (combina computação, 3D, simulação das leis da física, interacção por gestos). Estas duas tecnologias abrem caminho à criação de experiências ao utilizador na área do turismo, educação, museus e exposições. Porém, outra área tecnológica tem estado na mira da equipa – as superfícies interactivas para papel, plástico, vidro, madeira, cerâmica, abrindo-se um amplo caminho para publicidade, embalagens inteligentes, etc.

Recentemente, e como já referido no artigo do CES, a YDreams em parceria com a empresa americana Canesta (câmaras 3D), apresentou a aplicação RA para Twitter. Um vídeo recente o programa Futuro Hoje explica o potencial por detrás do actual desenvolvimento. A interacção com os objectos 3D é ainda um tanto desajeitada e requer refinamentos para que a interacção seja mais natural. Essa é aliás, uma das fragilidades actuais da RA.

Desafios e perigos da RA

Como acontece em todas as tecnologias nascentes e que prometem muito, equacionam-se vantagens e problemas, desafios e perigos. Várias teses estão a focar a RA, mas achei particularmente curioso o vídeo realizado por Keiichi Matsuda que antecipa o impacto da RA no quotidiano, projecção do próprio no âmbito do seu Master. O que me deixa de certa forma incomodada é a intensidade da publicidade, numa forma de marketing hiper-imersivo, a sensação de um isolamento no seu mundo, sendo a interacção com vozes femininas pretensamente agradáveis e humanas.

A excesso de publicidade é aliás um dos problemas da lista:

  1. Spam e segurança. É extremamente fácil e previsível a ocorrência de saturação de info não solicitada na visão e ainda a intrusão de pessoas mal intencionadas nos sistemas para prejudicar quem os usa. A sobreposição da publicidade não solicitada à informação útil é bem provável.
  2. Incapacidade a longo prazo de se orientar. Dá-me a sensação cada vez mais real que estamos a abrir mão das nossas defesas e capacidades desenvolvidas ao longo de gerações. A orientação espacial e a decisão baseada na experiência e análise das circunstâncias em cada momento vão perder muito. O vídeo Layar caricatura isso mesmo. à menor dificuldade, chama-se o Layar e ele resolve tudo.
  3. Ridículo social. Começa a ser demasiado frequente ver pessoas a apontar o telefone em todas as direcções, pessoas e a sacudi-lo três vezes como o obriga o Yelp para activar a visão Monocle. A forma de aceder à informação tem de ser melhorada e os processos de interacção têm de ser mais discretos e integrados nos nossos padrões de vida. É verdade que ninguém estranha hoje encontrar uma pessoa na rua a gesticular ao telemóvel, mas os óculos 3D têm de ser mais confortáveis e os gestos mais precisos como admitia no vídeo o programador da YDreams.
  4. Interoperabilidade de aplicações e dados. Este é um problema que se coloca sempre que o mercado fica povoada de plataformas, sistemas e soluções, como é o caso. Para que a escolha seja dada ao consumidor e não se fique pela guerra de empresas e aplicativos, é preciso que um formato padrão, mesmo que norma de facto, seja generalizado.

Como este campo é bastante aliciante e está em franca expansão, deixo três blogs que têm muita literatura e seguem de perto o fenómeno. São eles: Augmented Times, Augmented Planet e Games Alfresco.


Jornalismo de intervenção

Jornalismo cidadão (pt), Periodismo ciudadano (es) e Citizen journalism (en) são as expressões usadas para referir um fenómeno, que não é novo, mas que ganhou contornos novos na Internet.

Refere-se à cobertura jornalística feita por cidadãos, portanto, amadores, que fogem aos ditames das agendas políticas e dos media, e que livremente elegem os temas que os preocupam e lhes interessam.

Acontece, muitas vezes, que estes amadores são especialistas numa área ou têm-na como hobby, o que os leva a serem mais exaustivos e pertinentes nas abordagens que o jornalista-repórter generalista.

Este movimento também está marcado pelo acaso, fortuito, no tipo de situação em que um cidadão se encontra casualmente no local e regista em primeira mão os factos, antecipando-se ao plantel jornalístico profissional.

Como movimento organizado, de pessoas de bem que desejam mudar a ordem actual das coisas, temos o testemunho de alguns jornais ao serviço de uma causa.

Activismo, participação, independência, fontes livres, social news, atenção ao local, são alguns dos temas intimamente ligados a este tipo de jornalismo que não deixa de suscitar críticas e ter opositores acérrimos.

Modalidades de implementação

Existem vários níveis de participação do cidadão.

1. Participação em media convencionais através de: comentários, blogs de colunistas, envio de fotos e vídeos, notícias locais. A liberdade do cidadão é reduzida e controlada. Representa frequentemente a resposta dos media profissionais à pressão deste fenómeno. Exs.:

CNN iReports, um espaço em que o cidadão pode participar na proposta e elaboração de notícias. Uma pop-up à entrada alerta para o facto de haver notícias que não editadas nem verificadas antes de publicação, ao contrário de outras que já possuem o rótulo CNN iReport.

CBS Eye Mobile aceita envio de fotos e vídeos das pessoas por e-mail.

Eu Repórter da Sic que desafia os leitores a enviarem histórias, fotos e vídeos.

2. Participação activa e exclusiva de cidadãos nas notícias publicadas. São media independentes e 100% geridos e dinamizados por cidadãos.

Em forma de website ou blog:

Agoravox, media francês. É de imediato perceptível o dinamismo, a escolha de temas e a forma de apelo à acção em alguns títulos. Trata-se de um jornalismo de irreverência e de questionamento.

You scoop it, website aberto à participação de qualquer cidadão, que pode criar novas notícias ou comentar outras. Estão estabelecidas as regras de aceitação de conteúdos e a obrigatoriedade de referir as fontes.

Bottup foi criado em formato de rede social constituída por leitores, jornalistas amadores que colaboram e um pequeno grupo de jornalistas profissionais que fazem a revisão e publicação das notícias enviadas.

Em formato de wiki:

Wikinews em várias línguas e com a filosofia da colaboração bem patente.

3. Participação activa e independente, mas a título pessoal, usando blog, fotoblog, podcasting ou vídeo.

Youtube Direct ao serviço dos jornalistas cidadãos

Hoje, é notícia o lançamento do serviço Youtube Direct que se presta a publicar vídeos feitos por cidadãos. A temática aponta, pelo menos numa primeira fase, para algum sensacionalismo: celebridades, desastres, escândalos e situações embaraçosas com políticos.

A plataforma pretende servir de base à “encomenda” de vídeos por parte dos media junto dos utilizadores do Youtube, mas também serve para contactar o cidadão – autor do vídeo, que interessa a determinado media.

Existem ainda outras aplicações para ONG e empresas na área da promoção e marketing.

Fonte de qualidade

Acerca deste tema, recomendo Periodismo Ciudadano que dá conta de casos, iniciativas, projectos, tendências nesta área. Também tem recursos seleccionados para o jornalista em formação, para o professor que queira abordar o tema, bem como ferramentas para criar website de jornalismo cidadão.


As atenções voltadas para os data center

O data center é uma infra-estrutura composta pelos sistemas computacionais e serviços associados, como o de comunicações (e-mail, acesso à Internet), armazenamento, segurança e backup de dados. O seu bom funcionamento depende do uso de normas e protocolos como o IP, mas também de uma série de condições ambientais e requisitos apertados de segurança e monitorização da totalidade do sistema. O conceito vem desde os primeiros grandes computadores – mainframes, que requeriam condições de funcionamento e manutenção tal como nos data center actuais, embora hoje essa exigência decorra mais da complexidade e da permanente solicitação a que as redes e infraestruturas estão sujeitas. Um data center possui geralmente:

  • sistemas de redundância e de backup para evitar perdas, quando falha a electricidade por exemplo;
  • conexões alternativas em momentos de grande tráfego ou de ameaças e ataques;
  • controlo das condições ambientais (ar condicionado para controlar a humidade e a temperatura, evitando as condensações e a electricidade estática, sistemas de detecção, prevenção e combate ao fogo) e
  • dispositivos de segurança como a VPN gateway, firewalls, sistema de detecção de intrusos, backup encriptados entre data centers.

Actualidade do tema “Data centers”

Uma série de factores têm lançado os data centers para a primeira linha, entre os quais o avanço do cloud computing (ao nível da infraestrutura – IssS Infrastructure as a Service), o cenário de crise, o aquecimento global e a necessidade de reduzir custos, tanto económicos como ambientais, e de melhorar a eficiência a todos os níveis – espaço, energia, segurança, escalabilidade dos sistemas. Outsourcing, auditorias de eficiência, sistemas à medida das necessidades a cada momento, são cada vez mais as palavras que orientam as decisões nas empresas em matéria de infraestrutura de informação. Em medida superior, esse interesse é manifesto nas empresas que movem meios para oferecer serviços com excelente qualidade. Nessa medida, não são raras as fusões e alianças entre empresas para conseguir cobrir o largo espectro de necessidades que um data center implica.

Empresas no mercado dos data centers

Só empresas de grande porte têm capacidade para avançar com modelos de negócio que abarcam todo o ciclo de vida do data center. Cisco, HP, IBM, anunciam serviços de data center que incluem: instalação e manutenção do hardware, segurança da rede de ataques e acessos, backup, actualização imediata do software, migração.

A HP, que presta o serviço na modalidade cloud computing com o SAP, orienta-se primeiramente para as PME, mas antevê o interesse deste tipo de produto em empresas petrolíferas e de animação.

Porém, um exemplo bastante interessante e com a informação organizada e abundante nesta área tem sido o da Sun Microsystems. Não foi por acaso que o gigante azul namorou a Sun. Porém, a Oracle levou a melhor…

A característica comum a todos os serviços da Sun está na preocupação com a eficiência, a redução dos custos e o respeito ambiental. Assentam a estratégia na virtualização, na optimização da estrutura actual, após auditoria, quer da capacidade de processamento, quer da redução da factura energética. A criação do OpenEco.org é prova dessa política estratégica.

Esta empresa propõe-se combater os números negros das infraestruturas de IT que são acusadas em relatório da EPA de ter duplicado o consumo energético entre 2000 e 2006, e ainda de possuírem sistemas de arrefecimento que representam 50% de toda a energia.

A promessa aponta para um aumento da capacidade de processamento de 456% e de armazenamento de 244%, com reduções de 60% em gastos energéticos.

Apesar de ter sido mencionada a iniciativa da Sun, não faltam projectos e listas de recomendações na área do Green IT, e mesmo empresas como a AISO, da área do alojamento em cloud, que é considerada uma das 50 mais verdes pelo facto de utilizar só energia limpa.

Os conselhos vão por duas vias: evitar o desperdício e melhorar a performance da estrutura já existente e recorrer a técnicas e mecanismos mais ecológicos e capazes. Alguns exemplos: medir a eficiência, melhorar o sistema de arrefecimento, virtualizar o armazenamento, substituir servidores antigos e pouco eficientes, usar energias renováveis.

Tendências que se desenham

Será inevitável a evolução para data center mais ecológicos, mas também mais seguros e em formato cloud computing.

Não há data centers invioláveis, mas é certo que os seus sistemas de segurança, redundância, monitorização, são superiores aos de qualquer empresa. Estão localizados em zonas anti-sísmicas, alguns deles estão sedeados em antigos bunkers, pedreiras. O da Microfil em Esmoriz foi considerado muito seguro e só assim foi possível ser escolhido para guardar documentos da NATO. Neste negócio, não se regateia em matéria de sistemas de segurança activos, sejam eles activos ou passivos.

O calcanhar de Aquiles é mesmo o facto de constituírem alvos preferenciais de ataques, por serem a “sede de dados” de muitas empresas. O caso recente do apagão do data center do Google na Europa é prova disso ou a ameaça crescente de worms sofisticados e agressivos, com efeitos virais impressionantes, como se imagina que seja o Conflikter.

Sem deixar de ter presente os riscos inerentes aos data centers – todos os ovos na cesta à guarda de terceiros, é razoável acreditar que a evolução nesse sentido dar-se-á, até pelas razões já apontadas do porquê dos data center na moda.

A elevada complexidade e exigência dos sistemas, o cenário de mudança rápida em que as empresas operam, a maior exigência no controlo dos gastos, obrigam a:

  • manutenção quase permanente, incomportável na maioria das empresas, porque não há dinheiro nem equipa para tal,
  • investimentos avultados num dado momento em que se prevêem necessidades a médio prazo que poderão não se verificar, por exemplo a expansão ou a internacionalização ficam adiadas por 2 anos, tempos suficiente para votar ao fracasso todo o investimento em TI realizado.

Subscrever um serviço que dá todas as garantias e em termos de gastos é um custo mensal fixo, torna-se muito atraente.

É claro que as empresas que entram neste negócio estão interessadas em tornar os data center boa opção aos olhos dos decisores, porque os investimentos na criação de uma infraestrutura destas é tão brutal que precisam de ter muitos e bons clientes e taxa de uso dos data center bem próximas do óptimo. A lógica da escala parece interessar ambos os intervenientes, empresas e fornecedores dos serviços.

Soluções de vanguarda

Começou por se verificar um cuidado crescente na escolha dos sítios para os data center – zonas com fonte energética barata e abundante e afastadas de pessoas, que potenciam os riscos. Mas isso já não basta, por isso as alternativas têm de ser mais criativas e vanguardistas.

Além da virtualização e do uso de energias limpas, equaciona-se cada vez mais a localização dos data centers em sítios à partida improváveis – no alto mar. A patente é do Google e a ideia é aproveitar a energia das águas para alimentar o centro, afastá-lo de zonas de risco e evitar taxas e impostos, por se situar em águas internacionais. As máquinas estariam em contentores e poderiam ser transportadas em navios, facilitando a substituição e manutenção. A comunicação com a terra seria por cabo.

A Intel está testar data centers alimentados a painéis fotovoltaicos. A Liquid Computing fala de data center dinâmicos que se adaptam às necessidades em cada momento das empresas.

Dados que impressionam

Sobre este assunto em particular, recomendo os sítios Data Center Knowledge e ZDNet Data Center Videos. Mas proponho com o mesmo entusiasmo o The Green Enterprise da ZDNet que aborda a questão da ecologia nas empresas de forma mais abrangente e bastante interessante. Tive oportunidade de conhecer o programa do OpenWork da Sun, o software Green Building Studio que está a ser desenvolvido pela Autodesk e que serve para melhorar o desenho dos edifícios em termos de eco-eficiência.

Mas não queria terminar sem dar alguns números do consumo de energia dos data center que nos devem fazer pensar. Um data center de tamanho médio representa, em termos de poluição, 2200 carros a circular todo um ano. Ainda no capítulo do consumo energético, cientistas questionaram-se se seria mais ecológico ver TV ou pesquisar no Google. Os cálculos revelaram que o uso da Internet é bem mais poluente. Realizar duas pesquisas no Google equivale a ferver uma cafeteira de chá em termos de emissão de CO2.

Para terminar, fica um curto vídeo que mostra claramente o que é um data center por dentro, no caso o da Oracle em Austin. Segurança ao máximo, sistemas de arrefecimento também, e, ainda, reforço com energia eólica.


Cloud computing, a nuvem que se aproxima

A Internet começou por ser uma ponte: ligava por email, encurtando distâncias e tempos de espera da entrega postal e disponibilizava alguns recursos interessantes. Empresas mais arrojadas criaram nessa época os seus websites.

Na era Google, passámos todos a pesquisar e a usar as suas ferramentas, tornando-nos dependentes delas para quase tudo. Na vida pessoal, as pessoas quiseram fazer-se mais presentes na rede. Chega a vaga dos Youtubes, dos Flickrs, das redes sociais e do Twitter – acompanhar em tempo real a vida de outros e ser seguido pelos amigos ou admiradores passa a ser o desporto favorito. AO mesmo tempo, as empresas passam a ver a Internet como montra de produtos e usam aplicações que ajudam a melhorar a relação com o cliente. A Administração local e central lança vários serviços à distância e a desmaterialização passa a constituir o cavalo de batalha de decisores. Nesta altura, entidades mais afoitas abrem as suas intranets e ligam-se à Internet para o trabalho quotidiano. As tags, os blogs, as wikis, os bookmarks, invadem os desktops e são ferramentas todo-terreno – trabalho e vida privada. Assistimos a campanhas de marketing especialmente desenhadas e lançadas no Facebook e no MySpace. Tornam-se cada vez mais visíveis os casos de empresas e organismos que se ligam às redes sociais e estendem os seus serviços.

Actualmente, fala-se da transferência – literalmente – da vida das empresas e das pessoas para a nuvem, metáfora da Internet. A plataforma de comunicação e de serviços parece estar a converter-se na plataforma da vida das sociedades. Enrique Dans num dos seus posts comentava “Con la cabeza en la nube”, parecendo dar um sentido novo ao ditado, ou talvez não. Sobre andar com a cabeça nas nuvens não existe consenso de se tratar de coisa boa ou má. Vamos estando por isso atentos…

E assim fica apresentado o tema deste post – os mistérios da nuvem.

Um céu ainda muito nublado…

A nuvem, a que todos se referem, é no seu original “cloud computing”, uma expressão lida, pronunciada e escrita nos mais recentes eventos e ainda em blogs ou em notícias dispersas. Não sei se a forma reúne consenso e se é do agrado das pessoas, como não o foi o termo “web 2.0″. O tempo o dirá…
E é na verdade um termo ainda muito novo. Os resultados da consulta da expressão no Google Insights Search são bastante curiosos. O termo começa a ser usado em inícios de 2007 e apresenta um crescimento, dir-se-ia, acentuado.

cloud_evolucao

A área geográfica no mundo que mais pesquisas realiza com essa palavra é a Ásia, estando a Índia à cabeça. A supremacia asiática em “cloud” é óbvia em quantidade e posicionamento na tabela. Os EUA, a Irlanda e a África do Sul ocupam posições mais modestas!
Também é reveladora a construção das expressões de pesquisa, na medida em que nos dão indicações acerca do tipo de associação que as pessoas fazem. Essas associações são: Google, Amazon, Microsoft, IBM, todas entidades com serviços já em funcionamento, em fase de experimentação ou anunciados. Em comum têm uma estratégia neste campo.

cloud_expressoes2

Afinal o que é isso de “cloud computing”?

Como dizia, o conceito ainda é vago, mesmo entre os protagonistas do meio, como no-lo revela o vídeo do evento Web 2.0 EXPO 2008 em San Francisco. Vários nomes sonantes da área da tecnologia e da Internet foram surpreendidos com uma questão muito simples: “What is cloud computing” e difícil foi responder satisfatoriamente ao “teste”, a avaliar pelos muitos eu penso. Mas a ideia que fica pode resumir-se a: fim da tortura de ter de instalar e configurar programas e hardware; felicidade e satisfação; não se importar com o que está na nuvem desde que funcione; plataforma aonde vai ocorrer toda a actividade; virtualização; novo modelo de distribuição de serviços de computação no futuro. Diria que o tom geral é de entusiasmo e percepção de algo positivo. Há apenas um alerta nas palavras de O’Reilly, que refere a necessidade de pensar o modo de distribuição dos dados, serviços e aplicações alojadas na nuvem, deixando entrever riscos de monopólios e discriminação.

O conceito refere-se a toda a panóplia de meios e conhecimentos necessários para aceder, utilizar e fazer funcionar um programa, mas não só. Inclui a disponibilização de serviços na Internet prontos a usar, tanto para armazenamento, como para processamento, cópia de segurança, partilha da informação que queiramos ou necessitemos. De certa forma é o que já fazemos há alguns anos com aplicações de email baseadas na web (Gmail, Hotmail, Yahoo mail). A aplicação está alojada na Internet, as mensagens são guardadas na Internet. Tudo se passa à margem do nosso PC ou portátil, sendo apenas necessária uma conexão e um navegador.

Deixo o vídeo do Cloud computing in plain english que explica grosso modo o que é e como funciona na perspectiva do utilizador final.

Protagonistas no campo do cloud computing

A corrida ao Cloud computing nos últimos meses tem sido acelerada. Depois de serviços com alguns anos, como os do Google, Amazon e Yahoo, empresas como a IBM, HP, Dell, Intel, Microsoft, avançam com volumosas somas para a investigação e criação de infraestruturas nesta área. O esforço de investimento é tão forte e a necessidade de uma solução global é tão premente que se assiste a parcerias e associações. Por exemplo, a Microsoft conta com o apoio da Sun Microsystems e da Dell. A IBM cria projecto com Google, mas também avança sozinha noutros.

Outro aspecto curioso é a chamada “inovação aberta”, ou seja, a inovação nesta área não está centralizada nos investigadores de batinha branca fechados nas quatro paredes da empresa, mas compreende uma comunidade alargada de investigadores com espírito empresarial que queiram participar nos projectos referência. Para que isso seja possível, a Microsoft e IBM, por exemplo, abriram os projectos a start-up, a universidades e centros de investigação. A ideia é galgar muito terreno em pouco tempo e aproveitar ao máximo o potencial dos criativos.

As áreas de investigação e inovação resumem-se a cinco realidades ou novas exigências:

  • Explosão da informação – A quantidade de informação que já existe e que será criada coloca desafios enormes ao nível do armazenamento eficiente e recuperação dessa informação, controlo de duplicados, organização e classificação automática de informação, etc.
  • Serviços web dinâmicos – Área que procura atender à necessidade de uma perfeita integração de serviços, desenvolvimento de funcionalidades atractivas e de forte componente interactiva, pesquisa semântica, eDiscovering, etc.
  • Transformação de conteúdo – Investigação que procura melhorar os processos de tradução simultânea, conversão de formatos, representação gráfica e visual, mashups, etc.
  • Infraestuturas inteligentes  e verdes – Sector que desenvolve infraestruturas funcionais com o mínimo de intervenção humana, que integram normas e esquemas universais e que tentam retirar partido da inteligência artificial.
  • Sustentabilidade e escalabilidade – Preocupação voltada para a construção de infraestruturas e plataformas com elevados graus de performance e adaptabilidade a diferentes necessidades e a largo prazo.

Passamos agora à descrição da actividade de algumas empresas no Cloud computing.

Amazon foi uma empresa pioneira no Cloud computing. Actualmente dispõe de um conjunto de serviços de computação via Internet muito completo debaixo da etiqueta Amazon Web Services. Possui desde há muito a EC2, para processamento e armazenamento, e a S3, dedicada exclusivamente ao armazenamento de dados. Neste momento, está em fase de teste a suite de serviços online SimpleDB.

O Google foi outra empresa que entrou há anos na cloud. Actua nos três níveis e possui data centers enormes espalhados pelo mundo. Numa notícia de Setembro, Google avançava uma solução de colocação dos seus data centers em alto mar, aproveitando a energia das ondas para produzir energia e a água para refrigerar. Além de verde, esta tecnologia oferece igualmente vantagens em caso de guerras ou catástrofes naturais com a retirada imediata de zona de perigo, além de ser uma solução livre de impostos, porque fica alojada em águas internacionais. Essa ideia já foi patenteada.

A HP Labs agarrou em 20/ 30 projectos na área e está a investir fortemente. Alguns resultados visíveis: Cloud Print, Cloud View, Book Prep, Face Bubble, Snapfish, uma espécie de Photoshop online.

A IBM quer ser um parceiro das empresas e dar-lhes a opção de criar a própria nuvem ou confiar na nuvem gerida por terceiros.

Finalmente, menciono o caso da Microsoft que está a conduzir-se com bastante determinação nesta área. Além da política de abertura já referida, tem programado o lançamento do Windows Live – Azure para 2010. Também o Exchange e o Office estarão na modalidade de SaaS. A plataforma prevê hosting, armazenamento (prepara-se a construção de 20 data centers de última geração) e serviços como o CRM, por exemplo.

Segundo um relatório da Gartner, o Cloud computing vai impor-se nos próximos 5 anos e quem estiver fora da nuvem praticamente não existe. Mas em relação à expressividade do Cloud computing na actualidade, um outro estudo do The Pew Internet & American Life Project - Use of Cloud Computing Applications and Services revela que nos EUA 69% da população usa cloud computing sem saber sequer o que isso é. Os serviços que contribuem para essa percentagem são sobretudo o correio electrónico, o armazenamento de fotos e o uso da suite Google Docs ou Photoshop Express. Esta realidade diz respeito quer aos consumidores quer às empresas, onde as ferramentas de e-groupware e CRM via Internet adquiriram já uma importante fatia do mercado.

Níveis e serviços

“Cloud computing” começou por estar muito associado ao hardware, mas rapidamente estendeu-se à totalidade dos elementos necessários ao funcionamento de qualquer serviço para o utilizador final, falando-se em três níveis de cloud computing, como se pode ver no esquema. Em qualquer dos níveis existe a perspectiva do serviço, porque a ideia base inerente a esta tecnologia é a de que tudo é serviço e uma espécie de self-service de outsourcing em tecnologias da informação.

Nível 1 – IaaS (Infrastructure as a Service) – Patamar formado pelos servidores, armazenamento e processadores. É a parte crítica do sistema. Ex. Amazon Elastic Compute Cloud (EC2); GoGrid…

Nível 2 – PaaS (Platform as a Service) – Constituído pela estrutura onde são instalados os programas. É configurável e pode ser adaptado às necessidades de determinada empresa. Ex. Google AppEngine; Force.com; Yahoo Pipes…

Nível 3 – SaaS (Software as a Service) – Neste sector situam-se as aplicações, programas e serviços que já estão preconfigurados e aptos a ser usados. O nível de configuração é muito reduzido, limitando-se a questões de visualização e apresentação da informação. Ex. Gmail; GoogleDocs; Force.com Sites; Zoho CRM; SAP…

Vantagens e inconvenientes

Os aspectos positivos são particularmente relevantes para as empresas, embora os perigos também sejam maiores quando pensamos neste universo de clientes do Cloud computing.

1. Serviço disponível 24/7 – Aplicações e dados ficam acessíveis desde qualquer lugar e em qualquer momento.

2. Fiabilidade – Taxa de erro e bloqueios nas máquinas de cloud computing é inferior à das nossas máquinas.

3. Uniformização da variedade – No universo Cloud computing coexistem dados oriundos de qualquer dispositivo (portátil, smartphone, etc.), aplicação, rede social ou website. No entanto, para o utilizador final tudo é transparente e está correctamente sincronizado. É o caso do serviço Live Mesh da Microsoft que se propõe reunir num único ponto toda a actividade na Internet de uma pessoa. O objectivo é proporcionar ao utilizador uma experiência única, sem saltos e sem descontinuidades.

4. Facilidade e simplicidade no acesso – Para ligar-se à nuvem, é apenas necessária a ligação à Internet e um browser.

5. Economia nos gastos de hardware, software, licenças, backups e actualizações – Esta vantagem aplica-se sobretudo às empresas, porque deixa de ser necessário montar e gerir infraestrutura e o parque tecnológico dentro de portas. E só para ter uma ideia dos ganhos, o custo por utilizador num ano do Google Apps fica em $50 enquanto uma licença MS Office fica por utilizador/ ano em $500. Deixa de ser problema decidir onde alojar o website ou como configurar o servidor web.

6. Custo baseado no uso e nas necessidades reais – Compra-se o serviço ajustado às necessidades e uso num dado momento. Se por acaso a empresa aumenta o número funcionários ou o volume de informação, pagará exactamente pelos utilizadores e Mb a mais. Desta forma, evita-se o investimento em infraestruturas, às vezes sobredimensionadas, ou em aplicações que se revelam na verdade pouco úteis ou adequadas.

7. Rentabilização efectiva de meios e investimentos – Na perspectiva dos fornecedores dos serviços de Cloud computing é muito mais fácil explorar ao máximo as infraestruturas criadas e disponibilizadas. A gestão dos servidores, dos data centers gigantescos e das plataformas de serviços tornam-se mais rentáveis na versão de Cloud computing, porque a escala de fornecimento de serviços passa a ser global, com uma gestão mais inteligente e eficiente. A título de exemplo, refiro a Amazon. Nos picos da época natalícia, o sistema de resposta aos pedidos da Amazon bloqueava e falhava. Para garantir um bom serviço, a empresa investiu brutalmente na infraestrutura. Porém, fora das épocas de maior procura, a estrutura era subaproveitada. Foi então que a Amazon começou a alugar espaço livre a terceiros. Sem a tecnologia Cloud, esta solução de optimização da infraestrutura não seria possível.

Listo agora os problemas associados à cloud, embora algumas dificuldades possam vir a solucionar-se parcialmente a curto ou médio prazo. Os peritos aconselham a que as empresas avaliem os riscos e usem serviços via Internet para informação não crítica.

1. Segurança – O alojamento de dados sensíveis em bases de dados e aplicações de terceiros é um risco considerável. Também há plataformas que oferecem mais garantias que outras ou soluções mais seguras. Por exemplo, a Blue Cloud da IBM permite criar uma nuvem corporativa dentro da grande nuvem. Há sempre a possibilidade da empresa controlar a sua infraestrutura ou confiá-lo 100% a terceiros. A segurança é o factor que mais afecta a adopção desta solução, por isso é um aspecto muito central nos prestadores de serviços de outsourcing TI. Actualmente, os modelos não respeitam integralmente as exigências legais nem os preceitos de segurança, contudo prevê-se que a segurança chegue ao Cloud computing num horizonte de tempo curto.

2. Protecção de dados e privacidade – Esta é uma área extremamente sensível e complexa, até porque os dados vão estar alojados algures na rede e as legislações de dados pessoais são nacionais. A possibilidade de cruzar dados e obter perfis é real, não havendo ferramentas eficazes para evitá-lo. Recentemente, em entrevista, a presidente da Agência Catalã de Protecção de Dados alertava para esse efeito, um problema que o Cloud computing tenderá a acentuar.

3. Dependência da ligação à Internet e disponibilidade do serviço -Os utilizadores dependerão cada vez mais da qualidade e permanência da ligação à Internet, mas também das garantias e disponibilidade real das infraestruturas e plataformas da nuvem para trabalhar.

4. Perda de controlo – Segundo o Richard Stallman da Free Software Foundation o Cloud computing é uma ameaça e chega mesmo a dizer que é uma estupidez, porque a pessoa perde totalmente o controlo e porque os preços do serviço tenderão a aumentar. Portanto, segundo este autor, a vantagem económica vai-se esfumar num futuro próximo. Também alerta para algum tipo de restrições destes serviços e cedência de direitos de dados dos utilizadores para continuarem a usufruir de determinadas condições.

5. Maior dependência – A Cloud cria um paradoxo, porque ao criar condições para um acesso livre e independente de qualquer ponto e momento, acaba por tornar-nos cada vez mais dependentes da ligação à Rede. A Internet é cada vez mais uma extensão de nós mesmos.

A passagem à nuvem parece inevitável, a crer na orientação mais recente das políticas das empresas de TI e na franca adesão das pessoas singulares e empresas à filosofia do “tudo é serviço”. Porém, não deixam de ser pertinentes algumas perguntas incómodas no ar, que terão de obter resposta brevemente, para bem da saúde e credibilidade do negócio da nuvem. A saber: que privacidade é possível no universo da nuvem? quem detém a propriedade dos dados, o utilizador do serviço ou o fornecedor? ficará mais fácil a temerosa regulação da Internet? Berlusconi acaba de afirmar essa necessidade. Será que a ideia irá encontrar adeptos?